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História do Homem em 2459 caracteres

Explosão. Poeira cósmica se espalhando, e depois se aglomerando. Formação: Planeta Terra.
Sopa primordial. Pangéia e movimentos tectônicos. Adão e Eva. Descoberta do fogo e necessidade de um bote para descer o rio.
No Egito, um menino desce um rio e liberta os hebreus.
Os deuses e cultos antigos começam a morrer. Um deus emerge e subjuga, tentando ser o único.
Um fanático diz ser filho deste deus, mas não tem a coragem de Hércules, nem a força de Thor e morre pela sua incapacidade. Boatos falsos dizem que ele repetiu morrer pelos homens.
Democracia. Tirania. Feudalismo. Absolutismo.
O mundo não acaba no ano 1000, Shakespeare inventa o homem, que inventa a máquina a vapor, definidora do resto da humanidade.
A América é inventada. E com ela, também o american way of life é engendrado.
Os colonizadores enchem o rabo de prata e ouro, e estupram escravos sob o luar mais romântico da existência.
Os escritores bebem vinho e morrem pela sua arte. Dentro de poucos séculos cederão sua importância para os cineastas.
Voltaire inventa a China e o Japão teme a modernidade adquirindo armas de pólvora.
Freud, ainda jovem, é molestado secretamente pelo seu pai. Para se vingar, elabora teorias para confundir a humanidade.
A humanidade, confusa, começa a trocar tiros, xingamentos e mercadorias no início do século XX.
Espingardas, metralhadoras, granadas, morteiros, anticoncepcionais.
Bomba atômica, energia radioativa, Drummond e sua rosa, aceleração de partículas, fome, fama, alta produtividade, socialismo no espaço, feminismo e o homem frustrado.
Empregadas sendo estupradas sob o teto mais burguês, flower power, ONGs, supressão de distâncias, a reconfortante globalização.
Decrescente importância do pensar, “Penso, logo qualquer coisa”.
Inversão de papéis, o paraíso artificial da Tropicália, a morte de Kennedy (mas sofrimento maior o de Herzog). Os cientistas inventam o ser humano poluidor e tacham-no de grande vilão do planeta.
O ser humano se descobre cada vez menor, e a Rede esmagadora. Sua auto-estima o limita a se colocar como objeto de pena para seu próprio coração. Paulo Coelho tenta reavivar o espírito humano, mas falta argumento.
Década de 90, crises econômicas, fim da originalidade artística e início da época das misturas.
Século XXI, mash-up, relacionamento aberto, drogas (quase) liberadas, amoralismo e proliferação de meios de comunicação evangélicos.
Inexistencialismo e realidade virtual camaleônica.
Fanzines, mídia independente, música alternativa, conflitos religiosos, futuras guerras por recursos naturais, politeísmo – culto a pedras de energia e demais parafernália esotérica. A morte dos últimos pandas.
O poderio da China, o passado regurgitante da Rússia, a perda de valores culturais japoneses. Aliens esperando o momento correto – que está perto de chegar.
Ideologias variáveis. Efemeridade aceita. Coração humano cada vez maior de sensações. E de vazios.
Marcelo Oliveira
Enviado por Marcelo Oliveira em 17/10/2007
Código do texto: T698145

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Sobre o autor
Marcelo Oliveira
Feira de Santana - Bahia - Brasil, 28 anos
43 textos (3992 leituras)
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Marcelo Oliveira