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Supernova.

Estava de volta, naquele limiar perigoso, que jazia adormecido em algum lugar dentro dela mesma, o velho niilismo dos tempos da geração vazia.
Vivia inconsequente, indo e indo, somente indo, não importando aonde chegaria.
Aqueles olhos me assustavam, sempre que nosso olhar se cruzava. Era fascinante, tinha um brilho, realmente fascinante, mas dava medo, porque parecia aquele brilho de algo que logo vai apagar, extinguir. Uma explosão estelar, olhos de Supernova. Um olhar que nada focava, apenas reluzia, e iluminava seu próximo passo, uma luz incógnita. De tão profundo, de relance, parecia vazio.
Seu sorriso tinha um magnetismo estranho, que te atraía, e um segundo depois repelia. Era despretensioso, lindo e melancólico. Silencioso, era como um suspiro, e aquilo me perturbava, por que, parecia sempre o último. Os momentos ao seu lado eram sempre memoráveis, e a nostalgia que sinto agora enquanto escrevo com minhas mãos trêmulas e meus olhos mareados me fere um pouco toda vez, e por enquanto, ainda não posso desvencilhar-me disso. Esse vinho...esse vinho me lembra que mesmo os sabores são relativos, e hoje o que antes era cálido, parece-me pouco mais insípido. Sempre detestei despedidas, e ao seu lado era pior, pois nunca era certo que tornaria a vê-la, e sempre que dobrava a esquina e partia, uma parte de mim morria, e a volta era sempre mais longa, e as estrelas ocultavam seu brilho e a Lua parava de sorrir por uns instantes, enquanto nuvens de chumbo derramavam lágrimas, lamentando o inexorável. Nessa hora o ar cheirava à ferrugem, e enquanto caminhávamos em sentidos opostos, o que podia-se ouvir era o coachar melancólico dos sapos, e alguns grilos inquietos, e o vento que assoviava baixo, acariciando seus cabelos e fazendo cintilar a brasa do meu cigarro.
Eu, o caminho muito mal iluminado, meu coração pulsando forte, como se me pedisse pra voltar e não soltá-la, nunca mais. Os passos insistentes, eu não vou voltar, enquanto as lágrimas tocavam-me os lábios, misturando o salgado angústia, com o meio amargo de seu coração de chocolate.
E depois o céu se abria e a Lua voltava a sorrir após todo o chumbo ter escoado pelos esgotos da cidade. O universo retomava seu caos reassumindo o desequilíbrio. Ela roía as unhas, enquanto eu acendia um cigarro e pedia mais um cálice de vinho.
marvin rosa
Enviado por marvin rosa em 21/11/2007
Reeditado em 21/11/2007
Código do texto: T745526

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Sobre o autor
marvin rosa
Santa Isabel - São Paulo - Brasil, 29 anos
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