Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto



Quero logo dizer que não tenho culpa se estou aqui. Um moço me falou pra vir; disse que eu ia achar consolo pra minhas aflições. E são muitas as miseráveis das aflições! Sou um morto-vivo, muito além de um simples suicida, até porque, se o senhor se dispõe a me ouvir um pouquinho, vai ficar sabendo que eles já me suicidaram há muito tempo.

Depois, se eu não aceitasse o convite de vir para cá, não restava mais nada pra aceitar. Mudei de malas e bagagens. Minha mulher é que achou uma loucura. Não quis vir. Continuou lá, ao pé da montanha onde a gente nasceu deixando o cabelo crescer, porque algum profeta da Bíblia gosta de mulher de cabelos longos.

Faz alguns dias e noites que cheguei. O homem que me convidou não apareceu. Não conheço ninguém e ninguém parece querer me conhecer. Nem perguntam meu nome. Vai ver acham que eu nem tenho nome. Os meus problemas, então, não contei a senhor ninguém. Estou ficando cada vez mais mudo. Daqui a pouco fico cego também.

Mas o lugar é muito, muito bonito. Nunca pensei de ver na vida lugar mais lindo. Por acaso, o senhor sabe onde mora o moço que me convidou? Talvez ele se lembre de mim e me chame pelo meu nome que, a esta altura, eu já esqueci.


alexandre gazineo
Enviado por alexandre gazineo em 27/11/2007
Reeditado em 20/05/2013
Código do texto: T754481
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Alexandre Gazineo (www.alexandregazineo.com)). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Livros à venda

Sobre o autor
alexandre gazineo
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 56 anos
295 textos (95082 leituras)
2 e-livros (1207 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/10/17 02:28)

Site do Escritor