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O elixir do amor


O Elixir do Amor


Hoje pela manhã tudo parecia dúbio.
O céu estava encoberto, o ar frio percorria pela cidade na certeza de fazer trêmulo
Aquele que ousou não dar crédito ao informativo meteorológico.
As avenidas pareciam sentir que seus carros,
E transeuntes corriam como uma forma sutil
De se aquecer da inesperada queda da temperatura.
Um convite me foi feito, e por não querer dizer não, aceitei, sem resistência.
O balcão da padaria fervilhava, e o chá com leite quente parecia a melhor pedida.
Com a minha companhia, degustava cada gole do servido, quando ao fundo percebi.
Que além de nós, outras mãos seguravam a mesma opção.
Por acaso ou coincidência, no calor da fumaça, que insistia no embaçar dos nossos olhos,
Notei que alguém percebia a minha presença.
Homem forte de traços marcantes, um sorriso no canto da boca,
Dando a entender simpatia, ao mesmo tempo,
Um ar de paisagem como querendo dizer-me:
Não te conheço, logo, me olha porquê?
Assim, optei por entender aquela mensagem
E ao sair da padaria deixei para trás uma interrogação.
Dias se passaram e com eles algumas reflexões ficaram sem respostas,
O que foi lamentável.
Não esperava nada para aquele momento,
Por isso permiti desligar-me do mundo como que querendo devanear,
Fugindo de mim mesma.
Quase foi possível, se não fora o tocar da campainha, que tanto me assustou.
Com um olhar esbugalhado fui abrir a derradeira porta,
E então o susto foi ainda maior.
Não era o porteiro com as correspondências, tampouco a serviçal que eu aguardava,
Mas, sim, alguém que não tivera eu delegado tal autoridade para estar ali,
Mas ousou sem medo de punição.
Seus olhos tinham um sorriso de felicidade,
 Pois, sabia que tivera me pego de surpresa e isto satisfez o seu ego.
Imediatamente me recompus e dei conta de responder o seu bom dia,
Retribuindo, levemente, o sorriso que possuía no canto do olhar.
Meu coração não soube o que entender, porém gostou da surpresa,
Mesmo não sabendo bem o que fazer.
Desta maneira, singular, que o futuro pai de meu filho adentrou a minha casa
E, escarrapachado na poltrona da sala de estar, passou a observar-me melhor,
Agora com mais interesses.
Acredito que correspondi a alguns, enquanto outros, tentei não entender,
Pelo menos lhe fazer acreditar que não.
A tarde chegou, depois, de muitas conversas que tivemos,
Pois, parecíamos nos conhecer de longas datas.
Maria providenciou o café que se repetiu por diversas vezes,
 Até o momento em que o convite para jantarmos partiu dele,
Que de tanta conversa era possível estar faminto.
Não tive coragem para negar, pois era tudo que eu estava querendo
E então já não interessava saber onde,
Mas sim a possibilidade de estarmos um tempo a maior juntos.
O ritual foi cumprido e a beleza, o requinte dos detalhes,
Era a porta perfeita para o descobrimento do amor.
Falamos de nós para nós e desta conversa partiram os planos
Que hoje se consolidam regados com muita champanhe,
Pois, ainda conseguimos fazer daquele susto, levado com o atender da porta,
O elixir que comando nosso amor.
menina
Enviado por menina em 27/11/2005
Código do texto: T77208
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Sobre a autora
menina
São Paulo - São Paulo - Brasil, 60 anos
17 textos (981 leituras)
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