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SALVADOR EM CÓLICAS... Série Verdades...

Série: Verdades que eu conto...

Há muitos anos não tenho notícias do Salvador. Sei que ele mora no Rio de Janeiro, próximo à Av. Niemayer. Quem sabe, entre os leitores, alguém que o conheça, possa tirar a limpo esta narração!...

Corria o ano de 1980, em seus primórdios... À época, por questões meramente logísticas, eu mantinha residência no Rio de Janeiro e em Salvador.

Coincidentemente, trabalhava em nossa revista Atualidades, um vendedor de anúncios cujo nome era Salvador...

Num sábado de fevereiro, fomos à praia dos Artistas, na Boca do Rio. Depois, almoçamos num restaurante da orla, antes de irmos para casa. Chegando no Solarium Pituassu, onde morava, tratei de descansar um pouco, pois tínhamos um aniversário da filha de um amigo para o finalzinho da tarde... Salvador dirigiu-se para o seu quarto e eu, que não sou de dormir à tarde, liguei a TV e fiquei ali, deitado no sofá, pensando na vida...

Mais tarde, tomei banho e encontrei o Salvador, pronto à minha espera. Descemos a escada que dava para o térreo e... cadê o carro!... A princípio achei que o tivesse estacionado em outro lugar... Procura daqui, procura dali... Bem, meu Passat havia sido furtado...

Chamamos um táxi e fomos pra Brotas, chateados, mas o que fazer?!...

Dia seguinte, domingo, fomos à praia andando. Era perto, mas desde que tinha alugado aquele apartamento, jamais havia feito aquele trajeto que não fosse de carro.

Imaginando que teria dificuldades para reaver o veículo, combinara com Salvador para que ele fosse a Caravelas, no extremo-sul da Bahia, onde o prefeito e amigo Damor Alcântara, tinha duas prestações a me pagar, de uma reportagem publicada na edição de janeiro em Atualidades. Esquentar a cabeça nada resolveria e ficar sem carro, pior, pois tínhamos cobranças a fazer  na região oeste, entre Itaberaba e Brotas de Macaúbas.

Na praia, encontramos Ernesto Marques, grande amigo, ex colega de faculdade, que nos convidou para almoçar em sua casa, ali pertinho, na Boca do Rio. Fomos pegar a feijoada do Ernesto, tomamos umas cervejas, tocamos violão, cantamos pra valer e voltamos pra casa, uma vez que, à noite, Salvador teria que viajar para Caravelas.

Ernesto prontificou-se a levá-lo para o Terminal Rodoviário e na hora aprazada chegou com seu fusca vermelho. Fomos os três para a Rodoviária e embarcamos o amigo Salvador, com um bilhete para Damor, pedindo para saldar as duas prestações, tendo em vista o furto do carro...

Tomamos o caminho de volta e,... bem próximo da chegada, senti forte cólica, que foi aumentando, mal dando tempo de entrar em casa...

Quando saía do sanitário pela terceira vez, era meia-noite e lembrei-me do amigo Salvador. Fiquei então, matutando... se acontecesse uma crise dessas dentro de um ônibus... Na madrugada, fui mais duas vezes ao sanitário e caí em profundo sono, acordando por volta das oito horas...

O pensamento de uma possível diarréia no ônibus, não me saía da cabeça. Coitado do Salvador, pensava...

Na terça-feira à noite, ouvi o barulho de um fusca embaixo da minha janela. Pensei que era o Ernesto e fui dar uma olhada. Era o Salvador que descia de um fusca branco com uma loira... Desci a escada e fui abrir a porta. Ele apresentou-me a garota e subimos.

Conversa vai, conversa vem, o Salvador contou que o prefeito comprara aquele fusca usado, mas em bom estado, pois não tinha o dinheiro todo para fazer o pagamento e, para não me deixar na mão, mandara uma parte do dinheiro e o fusca. Achei muito boa  a saída encontrada, que resolveu nosso problema e aí lembrei da dor-de-barriga...

Salvador tinha viajado com a roupa do corpo, pois chegaria em Caravelas na segunda pela manhã e voltaria na segunda á noite...  Constatei que ele estava de roupa nova e contei-lhe um sonho segundo o qual, ele teria sujado as calças dentro do ônibus...

- Mas rapaz, você sonhou? Foi isso mesmo que me aconteceu...

Contou-me Salvador que mal o ônibus saíra da avenida para a BR-324, sentiu forte dor-de-barriga; constatou que o ônibus não tinha sanitário e apelou ao motorista que, solícito, parou para que ele fosse no mato... Voltou para o ônibus e meia hora depois, novas contrações e o motorista parou de novo. Já perto de feira de Santana, novamente a fúria intestina... Os passageiros revoltados ameaçavam quebrar tudo e o motorista pediu pra ele esperar um pouco até chegar no Posto de Gasolina mais próximo... Foi o bastante... Sentiu aquela coisa quente e fedorenta descendo pelas pernas e... pronto.... Não precisava parar... o serviço estava feito e muito mal feito...

 Os passageiros ameaçavam queixar-se à Polícia Rodoviária, mas o motorista penalizado, parou o ônibus no Posto. Foi ao banheiro, lavou-se e às calças, jogou a cueca fora, vestiu a calça molhada e voltou para o balcão onde foi aconselhado a tomar sonrisal com coca-cola...

- Santo remédio, seu Ricardo... A dor desapareceu...
...E viajei até Caravelas em paz...

Após receber a grana e o carro, comprou uma calça jeans uma cueca e uma camisa, empreendendo a viagem de volta no fusca, trazendo a professora loira de nome Geísa, a pedido do prefeito...
Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 02/12/2005
Reeditado em 01/05/2006
Código do texto: T80084

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Sobre o autor
Ricardo De Benedictis
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 77 anos
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Ricardo De Benedictis