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A lenda da compaixão

Ele saiu reflexivo. Alto, magro, pele escura, olhos negros, porém sem vida, cabelo duro e fedido. Não se lembrava mais quando tomou banho pela última vez. Esqueceu seu passado, esquecido no presente.
Parou lânguido numa esquina sombria, sem sinal de ser vivo algum. Sem sinal de alguém que, comovido com sua miséria, com a desilusão deste pobre moribundo, pudesse dizer que não vale a pena estomagar-se, porque a injúria do homem se tornou doença e, conjurar-se com o próximo, não mudaria a guerra introspectiva de seu agônico ser. Ele só queria ouvir uma palavra que fosse suave, confortável, que o fizesse ser incorruptível, para viver num lindo campo, rodeado de flores, pássaros cantarolando lindas melodias e borboletas a rodearem felizes a fantasia, a ilusão de um dia feliz. Ele só queria ser livre.
Saiu da loja com o revólver numa mão e o maço de cigarros noutra. Parou na esquina sombria, imóvel, reflexivo.
Uma voz. Palavras de conjuro: "seu execrável!!!".
Ele parou reflexivo na esquina sombria... o maço de cigarros no chão. Uma arma. Um tiro.
Só queria um campo com flores, pássaros a cantarolar e borboletas. Ficou pasmo; aquele calafrio na espinha. O revólver no próprio ouvido.

K Lorca
Enviado por K Lorca em 15/01/2006
Reeditado em 15/01/2006
Código do texto: T99293
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Sobre o autor
K Lorca
São Paulo - São Paulo - Brasil, 33 anos
105 textos (9936 leituras)
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