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Eu, porque não dizer o mundo?

Estava eu lá, tão aflito quanto os outros vestibulandos. Sabia que seriam 5 horas de puro desgaste físico e psicológico. Aquela era minha chance, meu futuro, tudo estava em jogo: minha emancipação financeira, minha vez de mostrar que era capaz, minha competência, enfim, tudo. Poderia enumerar infinitamente mais coisas, mas só aumentaria minha aflição.
Hoje, estou aqui, escrevendo. Pergunto-me: por que tenho que passar por toda essa provação? Tenho que provar para os outros que sou, existo? E se eu me der mal? Estarei provando a mim mesmo que não sou? Deixaria reduzir-me a um valor, um número? Chega de perguntas!
Nossa! Daqui a alguns anos estarei trabalhando, ganhando meu dinheiro( como dizem por aí ). Será que terei tempo pra divertir-me, sair com meus amigos, aderir às novas tecnologias? Essa eu posso responder. Absolutamente não. Porém, apesar disso, eles, é isso mesmo, eles o obrigarão a estudar cada vez mais, a querer se divertir cada vez mais, a ter que comprar celulares em que o próprio celular é um pequeno detalhe; e o mais importante é trabalhar bastante, deixar a sociedade orgulhosa.
É tudo número! Sou um registro, um valor, sou o que tenho ou serei um rebelde sem causa? Numa sociedade que preconiza a felicidade forjada através do consumo. Não. Não quero encher os bolsos desses empresários exploradores que trabalham 15 horas por dia sendo explorados por si mesmos. E ponho em questão: quem é o explorador? O explorador ou o próprio sistema? Sistema esse que a elite se sustenta num verdadeiro terrorismo. Colocando medo e ignorância nas pessoas.
Agora olhe e veja como terminei minha pseudo-narrativa de desabafo que acabou se transformando num protesto. Será eu fruto de minha rebeldia passageira ou será algo mais?
existencialista
Enviado por existencialista em 28/01/2006
Reeditado em 20/02/2015
Código do texto: T105110
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
existencialista
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
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