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A Bolha



Era uma vez uma bolha. Bem, ainda não era uma bolha, mas sabia que muito antes do que esperava alguém a faria bolha. Então, era um protótipo de bolha ou um feto de bolha como se queira entender. Vivia tranqüila meio água meio sabão em pó de pouco valor, mas sabia que tinha sua importância. Vagava por ali e por aqui a cumprimentar outros fetos de bolha que também esperavam sua hora de serem sopradas. Num desses dias em que tudo está quase calmo demais e por isso mesmo, sempre acontece algo inusitado, a pequena quase bolha sentiu todo seu ser revirar. Havia chegado a hora. Ela sabia. Tinha total certeza. Fora capturada e ia feliz. Algumas quase bolhas estavam ao seu lado e riam alegres. Outras que havia ficado choravam na água se desfazendo. Estava emocionada e por isso tilintava na beirada do canudinho ou o nome que se possa dar ao artefato construído de forma rudimentar para se fazer bolhas. A rajada de vento a alcançou e ela se estufou, estufou e quando se sentiu pronta soltou-se. Era agora bolha completa e olhava-se com orgulho gargalhando arco-íris em seu redor. Ia e vinha e era soprada e subia e descia e novamente soprada sentia-se livre e plena. Era A bolha. Não estava só e via suas companheiras dançando no ar. Porém – porque estória sem porém não é estória – percebeu  que algumas de  suas  amigas estouravam no ar. Talvez de tanta alegria, se estufassem em demasia e Ploft, sumiam pelos ares. O medo tomou conta da bela bolha que por instinto ou vai se saber por quê, agarrou-se a si mesma buscando não estufar, mas perdia altura e não havia mais sopro. Ploft lá se ia outra e outra mais numa velocidade horripilante enquanto ela caia lentamente.  Tentou inverter o processo. Tentou estufar-se uma vez mais. Mas já era tarde. E a pobre e bela bolha disse adeus ao mundo num Ploft ao encostar no chão.

Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 03/02/2006
Código do texto: T107676

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Paula Cury