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As chibatadas debaixo do carvalho

Naquele ponto eu já não sabia se era os trovões ou o chicote que acertava minhas costas. Despido de camisa e parado junto a árvore, aceitava o castigo a mim oferecido. Mesmo assim, julgava muito pouco as 300 chibatadas ordenadas. O que fiz era imperdoável, principalmente para meus princípios. Ouvia ao longe contarem em voz alta: "125, 126...". Sinceramente, eu já não sentia minhas costas, mas sabia como ela devia estar se parecendo agora. Já que uma vez eu fui encarregado de direcionar o castigo a um outro. Imaginava a carne pulsando e o sangue escorrendo. Caia no chão diversas vezes e com muito custo me levantava para continuar o castigo. "150, 151". As vezes tinha a impressão que contavam duas vezes o mesmo número. Já não me agüentava em pé e me segurava no carvalho como podia. "200!" Agora eles acertavam mais um defunto do que um ser humano. Vinha nos meus olhos as imagens de todos quem matei, as pessoas que desonrei e as mentiras que contei. Mas nada disso era o motivo da minha penitência. Muito pior, e queria ser castigado pelo o que fiz. "248, 249...". Está acabando. Mas não serei capaz de receber as últimas. Não agüento mais. Perdoem-me por tudo... " 256, 257, ..., morreu..."
BOI (Luciano Alencar)
Enviado por BOI (Luciano Alencar) em 25/02/2006
Reeditado em 01/04/2006
Código do texto: T115864
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
BOI (Luciano Alencar)
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 29 anos
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BOI (Luciano Alencar)