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O bar e o man

Rosa Pena


— Pô, se bobear, tô casando contigo na semana que vem! Bem, se o porre deixar. Seu nome é?

— Eduardo.

— Ih, cacete, eu nunca tinha te chamado de Eduardo. Também não sabia, né? Soa esquisito. Eduardo, o barman. Foda! Acabo me habituando. Uó, dans le dur: tu já pensou que merda seria o mundo, sem ninguém pra engolir você de repente? Comida senza vapore, senza sale, senza pimenta que arde na saída? Peraí, que vou botar mais gin no copo! Eu boto, virei tua empregada, tua escrava. Perigo! Não espalha, porra, marrreuacho que minha próxima escala vai ser na Pinel ou num AA dos brabos! Uó: será que o bar num tá a fim de um weekend senzaedu? Ah, caraca... será?! La Barca! Cacete, ia dar um angu fodido! Ih, cara, esse bar é em que andar? Senhoras & criancinhas, meu chapa de terno e gravata, tu num tem aí copo de gin cheio? O meu vive vazio, pô! Vou vomitar do terceiro andar! Eu já te contei a história do... pô já esqueci! SOCORRO!!! Tá ficando fodíssima, brabo mesmo. Uó, vem cá, e o nosso marriage? Tua mulher aceita ser a madrinha principal? Eu levo uns três filhos de Jeová de testemunhas. Foda, última dessas em que eu fiz discurso, acabei numa prisão do México. Ou foi na Bolívia?! Ah, deve ter sido em Bangu. Será que nóis se ama mesmo? Cadê a porra do copo? Tu num me persegue, porra de copo... Quer que eu te promova a cálice? Garçon de nome Edu não foge, agora que começou a ficar bom, uma suruba matrimonial: você, o gin e eu. La Barca! Acabou? Whisky não, whisky é gay, garanto! Eu já te contei do prefeito da Whiskócia? Agasalhou o cokrete todinho numa sentada nobre de Majestade & tudo, ele salta pocinhas... é bichona! Quanto mais lingüiça, mais bão! Olha a porra do copo: assim, don't give foot. Uó, Eduardo: Tu já jantou algum gay? Putamerda, melhor eu cortar. Corta, corta!!! Molha o copo, porra, com qualquer coisa! Não é nem casado e é virgem?! Não caso mais! Melou! Melou la mierda, com Che Guevara hay soborno acá? Nó, solo con Fidel. Vermute de merda, acabou o Beefeater inglês ou indiano, besos! No, no, no me gustan los virgens de mierda, que dan tanto trabajo, que se apaixonam, cararro. La Barca, mais uma vez! Eu só queria fazer muita sacanagem, fizeram a maior delas comigo. Me disseram que existia amor de verdade. E eu acreditei.


gravura by/ Silvana Guimarães
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 10/03/2006
Reeditado em 22/10/2008
Código do texto: T121300
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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