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O "BOSS"

Boss, o Chefe. Gosto do nome que obriguei o pessoal a adoptar, o respeitinho é muito bonito!
Quando a Doutora me pôs a pensar sobre o R, deu-me mais dúvidas que certezas. Depois quis saber por que é que eu era "o Boss", eu disse-lhe: - Boss há só um, sou deus aqui e mais nenhum. Depois, esgotou o interesse!?
Quanto ao R, o seu desentendimento fulminante com o "Cinco Dedos" foi estranho. O CD era incapaz de dar uma de macho..., para dizer mais alguma coisa "about", o CD é um punhetas mal amanhado, o R era... é um estranho.
Pensarmos que o CD quis ficar com o beliche de cima, era natural e mesmo com o olho a começar a boiar no inchaço, naquela noite foi ele que ficou no beliche de cima; não deve pois ter sido uma briga territorial.
O CD não riscou o disco sobre o assunto, disse que "o gajo" não regula bem e não quiz falar no assunto. Depois de muito matutar acho, tenho a certeza, o CD tocou numa corda qualquer que não devia ter tocado. Deve ter ficado com medo de dizer a terceiros o que lhe pode ter valido o moquenco no olho, não fosse R vir a saber.
Para dizer de vez o que penso sobre o assunto, acho que o desgraçado entrou numa de intimidade sobre qualquer aspecto mal resolvido da vida do R, este passou-se dos carretos e não se deu mal, todos lhe guardam distância e eu não lhe encontrei nenhum motivo para lhe baixar a crista.
Acho que é aquilo que eu considero um tipo porreiro, não se mete na vida de ninguém, nem deixa ninguém meter-se na vida dele. Acabámos por nos tornar amigos, talvez por o ter cumprimentado com um sorriso quando ele saiu da solitária com uma cara de lobo emagrecido, quando lá fui eu malhar com os costados mais uma vez das que me vão saindo na rifa para e por trazer o pessoal em sentido. Quando isso se aplica aos guardas, não me dou muito bem.
Cá para mim a Doutora apaixonou-se pelo R, a este nem se lhe pode falar do assunto... vira bicho. Ainda sobre a Doutora, porque é que eu, um atleta, não tenho o direito a ir ver e cheirar aquela cabeleira da mulher a menos de três metros? O R, que anda direito mas não põe o peito para fora, esse... Há muita injustiça no mundo!
O que é que eu faria se me apaixonasse pela Doutora? O que é que ela pensa que o R pode fazer se ele se apaixonou por ela? A paixão dentro de quatro paredes é uma forma de clausura da mais rigorosa ordem..., nada que me apaixone.
Claro que uma paixão deve ser comunicada, caso contrário pode dar doença. Se não é doença, é a Tia. Há sempre uma Tia em todas as histórias, eu fui violado por uma em criança e tornei-me violento. Há sempre uma Tia em todas as histórias, esta até parece metida à pressão mas se me pede para falar também de mim...
A amizade dentro de uma prisão é uma forma de liberdade, eu pedir um cigarro e vê-lo partir um cigarro único foi um gesto que me marcou. Fumámos em silêncio, depois saquei o meu, também só tinha um e fumámo-lo a meias, sem um comentário. Nunca me perguntou porque tendo eu um lhe tinha pedido um, também gostei dessa descrição e calma.
O R nunca foi de intimidades, mas aprecia o respeito sem medo, uma camaradagem entre iguais. Ser igual ao Boss, é uma honra!
Vou pensar em acabar. Foi o CD é que "tocou" para mim novidades e me fez ver a importância que uma mulher tinha tido na vida deste homem revoltado nem ele sabe com o quê. Isto não sei.
Está-se-me a ensarilhar o carreto das ideias, logo agora que estava a puxar um peixe para fora das águas deste conto em que navego, já que me pediu para contar como história... Acho ter dado algum jeito de travesti às avessas do narrador na narração/da narrativa que continuo agora aqui antes da acabar dizendo-lhe a história do CD. Acho que a frase sai com os pés pelas mãos, como se tentasse vestir uma camisola como se fossem calças.
Vou deixar de "errar" por estas águas, é esta a minha história.
R

{Sem tempo para escrever hoje (transcrever...), fico-me por mais um conto do R. O R queria/quer? publicar uma série de contos, dando-os como "CONTOS DE APRENDIZAGEM", lá tentarei chegar...}
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 25/03/2006
Reeditado em 15/04/2006
Código do texto: T128538
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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