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DIAMANTE NEGRO – NORMANDA ( Lia de Sá Leitão)

Tem dias que não entendemos porque o gosto de chocolate se acentua no paladar marcando o dia como se a disposição estivesse em comer caixas e caixas de Diamante Negro. Algo irresistível aos olhos do adulto diante da boboniere, algo feroz invadia os desejos tal qual aquele beijo na boca que não dá para respirar, não dá pra segurar as pernas, sentir  o gosto do outro na boca molhada, quente, queimando em chamas da paixão desmensurada que tudo aceita e quer.
Na verdade, evito chocolates nesse calor de Saara Nordestino, mas entre a falta do amado beijo e o chocolate em proximidades da TPM, optei pelo Diamante Negro.
Comprei duas barras  enormes, sentei-me no banquinho da praça da alimentação do shopping e cá, no momento de solidão tirei  papel da bolsa, uma caneta e rabisquei algumas letras, momento de interação entre autor e dor, autor e verbo, depois o EU que ninguém sabe exatamente por que será também o EU do leitor.
Enfim cheguei ao teclado de um cyber-café, insisto animalesco entre aquele que escreve e o computador.
Um pensamento vivido e delirado.
O que tem a ver o nome do chocolate com o último amor?
Onde fica o negro e o diamante? O que posso dizer entre o doce e o não poder consumir tudo que me era de direito. Tinha-se  desejos externo adocicado naquele afã que flameja n’ alma e acelerava a tonteira de sempre conquistar, sempre galgar espaço, mas racionalmente, galgar espaço em um doce coração que não quer ser amado, é bem mais complicado que mordiscar a barra de chocolates e vê-la aos poucos chegar ao final; simplesmente plenitude da doçura do doce, jamais pode ser comparada ao doar em amor alguns gramas de gordura hidrogenada.
Associar o quê? doce chocolate diamante negro e o negro que tem um coração doce e duro como um diamante.
Raro, brilhante, transparente, mas que ainda não sabe o quanto vale o peso do amor, o peso de doar-se e que se doar por que amor é isso; crescimento e desenvolvimento,  não é apenas fazer amor porque há uma ereção e em nome do machismo não se pode dar ao luxo de perder espermas é necessário ter a escarradeira aberta e cheirosa numa cama.
Enquanto o Diamante Negro, doce, suave deve ser degustado aos nacos como um striper, peça por peça sendo retirada numa gradação de Bolero de Ravel até o pleno delírio, a sedução, de um e do outro, ambos com seus poderes secretos, e seus momentos de atração, um é possível comprar em qualquer boboniere mas continua ali doce, suculento, num cai em desuso ou não se usa para se provar que  ali naquela esquina alguém tentará conquistar a suavidade e maciez do doce. Galgar espaços,fazer parte do dia a dia, vencer as turras, fazer café, esperar o jantar à luz de velas, e, não entender que não se pode sentir a sedução do amor sem tê-lo conquistado; não no paladar do beijo sedutor, mas sim no coração.
Apenas interessa saber que o Diamante Negro engorda uns gramas depois é correr, passar horas nas aulas da academia, olhar o banco do carona e sentir a solidão tão de perto que passa a ser companheira de todas as horas, permanecer.
A guloseima acaba, a vida parece retornar ao normal depois que doce está diluído em uma salivação viscosa porém  agradável.
O amor, por mais que se imagine doce, jamais será satisfatório de uma vez que nunca existiu no coração do Diamante Negro como umas iguaria a ser mitigada e não exposta como troféu ao ventos e ao spars
Nomanda
Enviado por Nomanda em 30/03/2006
Reeditado em 23/07/2006
Código do texto: T131249

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Sobre a autora
Nomanda
Olinda - Pernambuco - Brasil
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