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GIRASSOL - Normanda - Lia de Sá Leitão - 22/42006

Faz dias que o tempo está agressivo, malvado, maltratando o jardim tão bem tratado da casa da avó. Resseca dia a dia os girassóis que foram cultivados formando um paredão de flores amarelas com mais de um metro de altura, linheiras plantas dos deuses. Sempre que posso identifico-me com os girassóis ´não pelo porte principesco mas pela determinação, pela força de vontade de não perecer diante as intempéries, pode quem quiser cultivar lírios, dálias, jasmins, mas eles estão ali, garbosos, altivos, assim sou eu, quem quiser façam as suas traições ou críticas negativas, façam suas maldades ou veladas hostilidades, estou ali, olhando, com um certo cinísmo é claro, sempre vejo algo divertido na ira dos bobos.
Voltando ao jardim,  não vamos navegar em marés altas e agressivas,geralmente nesses momentos a fúria do mar engole a razão.
O jardineiro  embalde se desdobra para salvar do outro lado da casa grande o leirão das roseiras, plantadas há 30 anos pelas mãos habéis da velha Dona.
Os lírios brotavam tímidos no inverno,mas, naquele período nenhum sinal de chuva e eles permaneciam escondidinhos no coração do jardim, impiedosamente o calor queimava as plantas mais resistentes.
Outras plantas decorativas tentam resistir ao Astro Rei mas, impiedoso, não dava para ender aquela relação de amor e ódio, uma paixão avassaladora pela Terra sem dar-lhe chances de respirar um amor morno, saudável.
 As Marias implicantes murchavam, amarelavam, sofriam (Marias implicantes são aquelas plantinhas de péssima reputação entre as nobres, são insistentes e resistentes, são atrevidas e dissimuladas, são espertas; escondem-se por baixo dos bordados das outras folhagens e ficam protegidas das intempéries.)Do lado esquerdo o leirão enorme dos girassóis acompanhavam enfileirados pelo muro seus olhares solitários para o coração dos que não buscavam amizades e sim as vantagens das sombras das mais amáveis plantas e dos mais gentis arbustos.
Nomanda
Enviado por Nomanda em 22/04/2006
Reeditado em 23/07/2006
Código do texto: T143241

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Sobre a autora
Nomanda
Olinda - Pernambuco - Brasil
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