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Quase Paulistana

 Segunda feira, mais um dia infernal e encantador.
 Pra variar, atrasada denovo, depois de um banho mal tomado em função da pressa, saio correndo comendo bolachas de maizena pelo meio da rua, ao chegar no metrô nem percebo que ainda há migalhas por cima do batom, mas ninguém avisa, incrível!
 O metrô se aproxima, e como se fosse uma corrida, todos começam a se ajeitar na "linha de largada" para entrar no trem, um olha para o outro com um olhar desafiador, e quando a porta se abre, todos correm pra dentro, procurando um lugar para se sentar.
  Eu como sempre, não consegui me sentar, mas fiquei em um ponto estratégico, de pé bem perto de dois bancos, onde as pessoas tinham cara de quem iam descer logo, não me pergunte como sei disso, na verdade eu nunca sei, é sorte..
  Logo chega na Sé, estação que mais me apavora, pois as pessoas que estão do lado de fora, por alguns instantes perdem a consciência e só pensam em entrar, empurram os outros e ponto de se machucarem, por isso ficam dois guardas em cada porta para evitar que as pessoas se machuquem, é tão engraçado porque se tratam de pessoas comuns, que estão indo trabalhar, que tem familia, cachorro, papagaio...mas nesse momento, perdem a noção de tudo.
  Abrem-se as portas, muitos levantam pra descer, e eu torcendo para as duas pessoas sentadas a minha frente levantem, mas nada acontece, porém ao meu lado se levantam as duas pessoas que estavam sentadas, corro com certa classe até os bancos vazios, mas se sentam primeiro que eu, nos lugares vagos duas amigas, eu disfarço como se não quisesse mesmo sentar e novamente procuro um ponto estratégico, nesse meio tempo abre a outra porta para que as pessoas entrem, caos total, mas cabem todos.
  Minha ultima chance de sentar é na estação Paraíso, onde a maioria das pessoas descem, novamente fico em local estratégico e então, se levanta o senhor que está no banco bem na minha frente, e eu lentamente e educadamente, sento-me no lugar, com um ar de satisfação e vitória, mas logo o sonho acaba, a moça do meu lado estava dormindo e quase deitando em meu ombro, mas eu resisti e permaneci sentada, afinal era meu mérito estar alí.
  Pouco depois era a minha vez de descer, saio correndo do metrô e sigo como numa corrida para chegar a escada rolante, mas quando chego lá existe um bolo de gente querendo subir e começa o empurra empurra, mas consegui subir, continuo com passo acelerado pela avenida Jabaquara e chego no trabalho 10 minutos atrasada...ufa...e pensar que são apenas 09:10 da manhã...
FATIMA AFONSO
Enviado por FATIMA AFONSO em 02/05/2006
Reeditado em 24/06/2009
Código do texto: T149077

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Sobre a autora
FATIMA AFONSO
São Paulo - São Paulo - Brasil, 37 anos
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1 e-livros (277 leituras)
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FATIMA AFONSO