Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Ensaio sobre um conto sem sentido

As marcas que ficaram em mim depois de tantos desencantos, imunizaram minha alma. Já não existia mais um único vestígio de amor e compaixão que pudesse alimentar meu espírito com novas esperanças. Ela havia desistido de mim várias vezes, e não seriam as últimas. Sim, parecia que uma possível volta aconteceria, mas apenas para alimentar o motivo de uma nova separação. Isso não era vida!
Depois de tantas decepções – e algumas já previstas antecipadamente –, a única saída agora era desistir daquela relação.
O céu estava claro naquela tarde – não que isso fizesse diferença -, mas era um alento para mim. Um vento frio, mas agradável, soprava em minha face quando decidi descer e andar um pouco pelo calçadão. Pensamentos e mais pensamentos tomavam conta de mim e, por várias vezes, perdi a atenção naquilo que realmente era importante naquela hora. Voltei várias vezes ao início, tentando não perder o fio da vida – que sustentava a minha aparente e estranha existência. Enfim, nada fazia sentido. Eu poderia desistir de tudo e deixar que o anjo da morte me levasse. Poderia lutar também, não desistir, passar por cima de tantas coisas irrelevantes, mas me faltava coragem. Faltava vontade, faltava ela.
Sentei no jardim – na grama – fofa e molhada, mas não me importei com isso. Afinal, nada mais importava mesmo!
Dei várias voltas com meus pensamentos, passando por todas as alternativas possíveis. Esperando e tentando descobrir uma brecha em meu destino. Minha cabeça explodia, os olhos pesados e o corpo entregue. Por um momento – um infinito momento – quase me entreguei, quase desisti. Mas, parei de repente, e diante de meus olhos, enxerguei a salvação. Tão clara e certa que me espantei. Sorri, chorei. Olhei para os lados tentando ver se alguém me observava. Ninguém! Gritei e saltei no ar. Estava escrito nas estrelas, nas calçadas e paredes, nas placas de trânsito e na minha testa, piscando em luzes vermelhas. Tive certeza que estava delirando – mas era um delírio delicioso. E lembrei que ontem, quando já não restava um único motivo pra sorrir – uma frase num livro me alertava “Teste Para Saber Se Sua Missão Aqui Na Terra Está Cumprida: SE VOCÊ ESTÁ VIVO, NÃO ESTÁ!”
Alexandre Costa
Enviado por Alexandre Costa em 10/05/2006
Código do texto: T153538
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Alexandre Costa
Santos - São Paulo - Brasil
64 textos (1858 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 12:26)
Alexandre Costa