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EU, VOCÊ E AS RETICÊNCIAS

Oi, como você está?
Hoje eu estou triste, solitária, o meu eu fugiu de mim para um local que desconheço.
Mas, quem conhece a plenitude do próprio íntimo?
Ninguém, eu acho.
Com certeza um dia você acha.
Acha o que?
Um sonho, um sorriso, um encontro e um ponto que pode ser o primeiro de  suas reticências ou seu ponto final. Não esqueça que o rio parece ser sempre o mesmo, mas que as águas nunca são iguais.
E daí, o que isso tem a ver com a minha procura?
Sua procura é sua resposta. Sua presença no caos apenas indica que você está próxima!
Só se for da loucura! Eu não entendo nada.
Belo recomeço. Quando o caos domina e a lanterna dos questionamentos prossegue é um sinal do  seu céu!
Essa é boa, agora eu tenho céus.
E por que não? Somos mundos cheios de criaturas,  espaços  e céus que crescem ou diminuem.
E desde quando céus ou infernos crescem?
Desde que os alimentamos com a expansão de um novo olhar. Para olhar o novo é preciso reconhecer o velho.
E eu que achava que era a única pessoa louca .
Você está sozinha?
Não, tem gente aqui comigo.
E desde quando ter pessoas ao nosso redor garantem que não estamos sós? Olhe a essência e as máscaras, a árvore e o fruto, o rio e as águas, o caos e os caminhos.
Nossa que coisa.
Vem pra cá.
Hoje eu preciso de colo de mãe, mas a minha já está tão velhinha e não me entende.
Vem pra cá?
Será que é uma boa idéia?
É uma idéia.
Por que você é tão reticente?
E aí, vem ou não vem?
Será? Ainda tenho que tomar banho, trocar de roupa...    Que horas são?
Dentro do seu mundo ou do outro?
Ah, eu tô falando sério.
Eu também!  O relógio marca vinte horas e vinte minutos.
Você me espera?
Espero.
Mas será que vamos só conversar?
Não sei, você pediu colo. E toda conversa é acompanhada de muitas outras...
Outras o que?
Viu.
Vi que você está me atrasando.
Ou adiantando.
Você e suas filosofias.
Não eram conversas?
Estou indo.
Puxa, eu imaginei que você estava vindo.
Engraçadinho.
È mamãe sempre disse.
Tchau, até mais tarde.

Entre um segredo e um sonho há um escuro, uma forma de olhar e uma pergunta que responde com o nascimento de outras perguntas, onde o banal pode ser raro e a diferença é o tempo dos dois mundos.
Talvez, você leitor esteja a se indagar o que isso tem a ver com a história? ou, que coisa tola. Ou ainda: isso é profundo, mas não entendi.
Quem sabe mais tarde...

A história que continua nem sempre é contínua; pelo menos para maioria dos olhos que sempre fugiram do escuro e nunca perceberam que ele pode tornar ou ser tão claro.

Oi!
Oi!
Cadê o seu carro? Porquê você não o estacionou aqui na garagem? O pátio é amplo.
É que eu já estava atrasada, havia marcado nove e quinze. Quando parei o carro em frente a uma revistaria; alias, não fosse ela a estrada seria deserta. E lá na frente o meu carro morreu, não dava nem sinal. Vim a pé, nem sei como eu faço para voltar.
Tudo bem, entre.
Puxa, nunca percebi como esse local é grande e eu sempre olhei somente a frente, nunca tinha entrado até aqui. O que é isso?
Um rio.
Engraçadinho. Várias pilastras ao lado de uma árvore, uma varanda com essas barras em cima e você me diz que é um rio?
Sim é um rio, um rio de possibilidades. Entre a porta está aberta.
Posso colocar minhas pernas na outra almofada?  Sabe, faz dois meses que eu não fumo. Aliás não fosse minha parada, teria chegado até aqui de carro. Você se importa?
Sim, eu me importo.
Sabe, eu não sou dependente, quando eu quero parar eu paro. Já parei quase seis meses sem tragar nenhum.
Voltou?
Voltei.
Então você depende dele.
Mesmo sendo só de vez em quando?
Sua pergunta é sua resposta.
Apague a luz.
O que?
Apague a luz.
Está bem.

(Luzes Apagadas)

Deite-se no chão!
O que? O que você vai fazer?
Deite-se!
Está bem.
O que você está enxergando?
Nada.
E o que mudou nos objetos ao seu redor?
Acho que nada.
As coisas continuam no seu lugar?
Continuam. E agora que minha vista se acostumou um pouco mais já posso ter a noção de algumas coisas ou senti-las ao redor.
Sua vida estava no claro, na mecanicidade das coisas que você estava acostumada a enxergar e controlar ( ou acreditar que controlava), sentindo-se solitária.  Você está no escuro, no caos que existe em você, próxima de um novo caminho com o qual você está se acostumando, aprendendo a conviver e a enxergar de outra maneira.

Eu, você e as reticências .

E os mundos continuam.
Ruberval Cunha
Enviado por Ruberval Cunha em 12/05/2006
Código do texto: T154772
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Sobre o autor
Ruberval Cunha
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 43 anos
76 textos (6654 leituras)
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Ruberval Cunha