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O dia em que o diabo perdeu a hora

O dia em que o diabo perdeu a hora

Esta história aconteceu com meu primo Cristiano, pedreiro de profissão, amante de mágica, sonhava com grandes apresentações pelo Brasil afora. Num Domingo de Páscoa eu o encontrei um pouco revoltado com o andamento da vida, dizendo que o diabo não tem responsabilidade e não sabe cumprir os compromissos, fiquei pasmo solicitando que me contasse o ocorrido. Bem,- disse ele, - Na Quinta Feira Santa eu estava decidido a encontrar com o coisa ruim. Pouco antes da meia noite, eu e o Pedro, preparamos as tralhas e depois de fumar um baseado e tomar umas branquinhas fomos ao encontro dele no trevo. O trevo fica a dois quilômetros do centro urbano, apesar de ser todo iluminado era místico, local ideal para práticas de magia negra. - Era quase meia noite- Continua ele- Descemos gritando o nome dele para ver se despertava o danado para atender a gente. Chegamos ao trevo, no local onde diziam que ele aparecia, juntamos as cinco velas pretas, acendemos um Arizona e demos cinco baforadas, tudo certinho como manda o ritual e nada do demônio aparecer, acho que ele perdeu a hora por estarmos em horário de verão. Mas que droga! Ele deveria ser mais atento, não é todo dia que tem alguém se oferecendo ao diabo. Ao ser indagado porque estivera fazendo aquilo, ele simplesmente disse que estava disposto a vender a alma ao diabo e queria ver a oferta.
Anos depois, fui fazer-lhe uma visita. Agora está casado, é um mestre de obras respeitado e um bom pai de família. Chegando em sua casa não o encontrei, soube que estava na missa com a família. Depois do almoço quando fazíamos uma visita de reconhecimento na chácara, conversávamos sobre as aventuras da juventude, e sobre a ação do tempo que tece mudanças em nossos destinos. Perguntei-lhe sobre o que deveria ter acontecido para uma pessoa que estava disposta a vender a alma ao diabo, hoje freqüentar missa aos domingos. Ele me deu uma resposta que me fez refletir sobre minha vida e sobre as mudanças que ocorrem em nossa trajetória. Mostrando que somos seres passíveis de mudanças, devendo estar atento para tomar as decisões corretas para o momento certo. Bem.- Disse ele- Naquele dia eu estava disposto a vender a alma ao diabo e ele não apareceu, tempos depois percebi o erro que estaria cometendo, hoje eu entreguei minha alma a Deus e Ele sempre está presente nas horas em que preciso, veja você, não fumo mais o baseado, não bebo mais as branquinhas, tenho uma família linda e sou feliz. Imagine se o diabo estivesse aparecido o que seria de minha vida hoje? Foi muito bom que o diabo não apareceu, acho até que foi Deus que fez com que não nos encontrássemos. Eu acreditava em Deus, mas achava que só seria feliz se fosse rico e para conseguir riqueza teria que vender a alma ao Diabo.
Hoje, analisando o fato, fico imaginando que nossa vida está regida pelo que aprendemos, e pelo valor que damos ao que temos. Quando ele disse que só seria feliz se fosse rico, demonstra que aprendemos a dar valor ao que temos e esquecemos a dar valor ao que somos. E quem nos ensinou isso? A família ? A sociedade ? A Escola? E hoje, o que ensinamos aos nossos filhos?
Valter Figueira
Enviado por Valter Figueira em 25/05/2006
Código do texto: T162653
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Valter Figueira
Carlinda - Mato Grosso - Brasil, 48 anos
39 textos (2147 leituras)
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Valter Figueira