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Clarice choveu

O silêncio de Clarice surpreendeu a todos.
Falante e risonha, Clarice era o centro de um mundo. Sempre tinha algum comentário para fazer, uma piada pronta na ponta da língua. Sua alegria, sua arrogância e sarcasmo eram o centro de um mundo inteiro só seu.
Todos queriam um pouco de Clarice. Queriam sua companhia e sua espontaneidade. Admiravam a sua inteligência, seu brilhante poder de argumentação e seu raciocínio rápido. O mundo esperava tudo de Clarice. Os seus, queriam algo que ela nunca soube exatamente o que era. Ser um pilar da sociedade? Talvez?
Mas para Clarice uma coisa estava certa, era o centro de um mundo.
Um dia desses, um dia comum como hoje, o sol brilhava nos olhos de Clarice. Era quase sempre assim. Ela caminhava radiante, iluminando o mundo com sua luz sem se preocupar com tudo aquilo que ficava além do seu sistema. Não percebeu as nuvens escuras que cobriam o seu céu.
E assim, não mais que de repente, Clarice choveu.
A luz dos seus olhos castanhos se apagaram e ninguém percebeu.
No começo, todos se perguntavam:
'Céus? Que houve com Clarice?'
'Clarice? Alguém sabe, alguém viu?'
Com o tempo foram se esquecendo.  Clarice se apagou.
'Por onde anda Clarice?'
' Clarice? Eu não sei. '
Era só o que se ouvia. 'Ninguém mais sabe. Ninguém mais viu'. Nada se entendia daquela ausência. O telefone não tocava. A campainha não soava... Ninguém foi saber de Clarice.
O mundo estava cinza e escuro. Cinza e triste. Chovia e fazia muito frio. Não havia música e nem a luz de Clarice, mais quase ninguém percebia.
Os dias foram se passando e na solidão, no canto escuro do seu quarto, Clarice chovia.
Longos foram os dias até que ela resolveu encara o mundo, afinal de contas ela era o sol.
O mundo sorriu amarelo para a jovem estrela. Quase ninguém notou, quase ninguém viu.
Clarice então percebeu que havia um estranho brilho no mundo. As nuvens cinzas e escuras encobriam a sua luz própria, mas no céu, um astro reinava radiante. Era ele quem dizia quando o dia começava ou terminava. Para o mundo o brilho de Clarice pouco importava. Para o universo Clarice era um grão de areia e mais nada.
Ninguém sabia. Ningém ligava.
E naquele dia, em meio à solidão, no escuro do seu quarto, Clarice choveu.
Ninguém soube. Ninguém viu.
Monica Ash
Enviado por Monica Ash em 28/06/2006
Reeditado em 10/07/2014
Código do texto: T183971
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Monica Ash
Passos - Minas Gerais - Brasil, 30 anos
26 textos (2040 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 06:29)
Monica Ash