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A DESPEDIDA DE ANALU

Analu conheceu Julio Verne há poucos meses atrás. 

Não foi amor à primeira vista, mas um sentimento descontrolado que foi brotando e ela não sabe de onde. Amá-lo, sem sombra de dúvida, nunca foi sua intenção. Nem tão pouco, envolver-se como se envolveu com Júlio. 

Eles são completamente diferentes. Seus mundos, seus caminhos e seus tempos, tão absurdamente diferentes, que Analu não consegue entender como pode se descuidar a ponto, de agora, estar sofrendo para tomar uma decisão que poderá lhe causar muitas dores e a perda, para sempre, da amizade de Julio. 

Analu é uma eterna sonhadora e talvez seja isso que a fez aproximar de Julio Verne. 

Julio Verne já traz consigo no seu próprio nome a idéia de sonho e como sonhar, para Analu,, é uma forma de sobrevivência com liberdade, sem amarras, sem cobranças, sem preconceitos, é quase certo que isso a fez aproximá-la dele. 

Diferentemente, do famoso escritor de quem herdou o nome, que quase nunca viajou a não ser através de seus livros, o Julio de Analu foi capaz, em pouco tempo, de se aventurar por terras distantes e viver o que lhe deu na telha. 

Analu também viveu muitas aventuras, mas nunca alguma nem sequer parecida com essa. 

No início, a cumplicidade, a alegria da vida, os sonhos embrulhados de presente eram parte do pacote desse encontro, o que fez os seus dias ficarem mais belos e os momentos eternos. 

Foi um tempo curto, mas intenso, de muitas trocas de energia, de compartilhamento de pensamentos, de sentimentos, de emoções para sempre, que ficarão guardados, com muito carinho, na gaveta das lembranças de Analu.
 
A intensidade desses sentimentos cresceu além do que Analu e Julio puderam ou podem suportar e do qual os dois tentam desesperadamente se safar. 

Analu anda sofrendo e ela desconfia que Julio também, porque existe um silêncio que fala mais que as palavras. A experiência de vida de Analu, de nada tem lhe valido. Ela está sem chão e sem saber o que fazer. Está com medo, muito medo, porque não deseja, de forma alguma, perder a amizade do amigo. 

Júlio também deixou-se envolver. Aliás, ele foi o primeiro a provocar Analu, chamá-la para essa aventura e a estabelecer a regra do jogo desse encontro.

Inteligente e provocador, Julio Verne gosta de alimentar o seu ego, mas também perdeu o controle da situação. Tanto que persegue Analu achando que ela nem desconfia. 

Analu finge não saber para não se machucar ainda mais, e para não se alimentar de uma esperança quase fadada ao abismo.

Júlio foge por uns tempos e retorna de repente para provocar Analu.

Ela sabe disso e parece até gostar, mas está assustada. 

Esse envolvimento foi muito além do que deveria ter ido e está provocando revoluções internas no espírito de Analu que ela já não dá mais conta de suportar. 

Analu é uma pessoa articulada e Julio Verne até desconfia disso, mas não sabe por certo o quanto. 

Julio é inconseqüente. Cria mentiras, inventa histórias, faz de conta, mas não imagina que o mundo é pequeno e quando menos se imagina, as pessoas costumam se encontrar e a fazer parte de uma mesma tribo. 

E foi assim, que Analu descobriu essa faceta do faz de conta de Julio.

Suas mentiras brotaram em mina numa conversa com amigos, e ela só não foi ao chão, porque os seus pés estão sempre atentos ao desequilíbrio de seu coração. 

Descobriu que Julio é um apavorado, um atrapalhado por natureza e se protege escondendo-se no seu mundo do faz de conta.
 
Analu e Júlio já tentaram se afastar por diversas vezes, mas foi em vão. 

Os movimentos da própria vida têm criado situações fora de seus controles que os aproxima de alguma forma, e por mais que se rejeitem, no momento, os dois não sabem o que fazer. Talvez os seus desejos secretos os instiguem “secretamente” e os Deuses brincalhões os façam se aproximar, só por brincadeira. 

Para sobreviver aos dias, ela tem ouvido músicas que não falem ao coração. Assistido filmes que a tirem desse chão duro da realidade.Anda passeado em meio a multidão, onde ninguém a conhece, para não ter que dar explicação de suas auguras. 

Mas Analu está no seu limite e não quer mais postergar essa situação. Prefere perder o amigo a continuar nesse jogo onde poderá se machucar para valer, já que sua alma já está doendo.Não quer também machucar o amigo porque ele é muito importante para ela e por isso, prefere o abandonar para deixá-lo voar.
Esta noite, por alguma razão, Analu chorou.

Pediu aos anjos proteção e resolveu tomar uma decisão. A decisão que tanto adiou para que seus dias não ficassem cinzentos. 

Até pensou em escrever um e-mail para Julio, mas desistiu da idéia, porque também descobriu que seus bilhetes estão sendo aproveitados para serem mandados para outra pessoa, que Julio pensa em conquistar. Mas deixa estar! Tudo isso são águas passadas que não vão voltar.
 
Analu está decidida, não tem mais dúvidas, vai mesmo embora, vai cair fora. 

E quanto ao que virá, ela não quer se preocupar, vai deixar o tempo passar e a vida rolar.











Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 29/06/2006
Reeditado em 29/06/2006
Código do texto: T184384

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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