Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Sapo Intanha ou Antanha?

Tio Dolindo era o proprietário lá daquele boteco na saída da cidade.
Ninguém saía sem passar por lá. Daí porque o nome do boteco ficou sendo "Último Gole", até mesmo por incontestável serventia e posição estratégica.
Mas bem que podería ser também primeiro gole, pois, os que chegavam na cidade também não deixavam de passar por lá, e depois de uma talagada, como a justificar a bebida, diziam:
- Essa foi prá rebater o pó da estrada!
E, na saída, vinha lá o comentário:
- Essa é prá encarar o estradão di vorta!
E no Último Gole rolava toda conversa e matreirices do local.
E Tio Dolindo era muito conhecido por suas matutices e escorregadelas pelas tangentes, e sempre a se sair bem das situações, gozações e pegadinhas que lhe armavam.
Certo dia, Tio Dolindo, prá fazer troça do candango conhecido que tomava seu "Mata Bichos", foi falando:
- O Tonho, mi falaram que ucê é mais feio qui sapo antanha!
O resto do povo todo, já se calando e só aguardando o defecho da provocação, quando Tonho responde:
- O Tio, num te dissero ainda que num é ANTANHA qui si fala? O nome desse tar de sapo é INTANHA! Intendeu?
Tio Dolindo, não se fazendo de rogado, coçando a barba mal feita e o queixo, foi emendando...
- É, mas tem um sapo, qui eu conheço, qui é mais feio ainda que esse, i qui si chama ANTANHA!!!
Todos riam, apesar de tanta singeleza.
Naqueles devaneios  íam armando pegadas e insinuações, entre os frequentadores daquele canto. Assim passava o tempo.
Lá fora outros jogavam "malhas", cá dentro, com baralhos disputava-se um "truco" ou ainda como última alternativa um joguinho de "palitos", valíam um trago ou qualquer outro prêmio...
Lá do outro lado da estrada, um desfile de cães seguindo uma cadela no cío. Os cavalos pacientemente aguardando seus donos, amarrados embaixo da paineira.
Assim corria a vida, naquele lugarejo, com essas brejeirices, que só vivendo se entende e se percebe aquela sabedoria e inquestionável inteligência popular, e o espírito desarmado, de gente como muitas nos rincões mais esquecidos de meu país. Felizes...
Marco Antonio Pereira
Enviado por Marco Antonio Pereira em 03/07/2006
Código do texto: T187054
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Marco Antonio Pereira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 61 anos
197 textos (38353 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/10/14 06:31)
Marco Antonio Pereira



Rádio Poética