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O Ipê


O dia está quente, estou sentado à sombra de 1 árvore de flores amarelas, observando onde ela está. As pessoas passam por mim,  algumas olham com bondade, outros c/ ar superior e outros são indiferentes.

Hoje isso ñ importa.

Durante 1 bom tempo, odiei tds esses seres mas foi, 1 ou melhor, uma dessas pessoas fez com que mudasse de opinião. Ñ sobre todos, somente sobre alguns.

Seu nome, Ana, sua idade, não sei, mas sei que em alguns momentos era extremamente jovem e feliz, em outros triste e agia como se ñ sentisse vontade de viver, sempre que a via assim me entristecia.

Morávamos em 1 casa pequena, mas suficiente já que poucas pessoas nos visitavam, eram ele :Raquel sua amiga, sua irmã Kelly e com o tempo Jorge. Sendo que Kelly qdo aparecia entrava sorrindo e sempre saía chorando, eu assistia a tudo quieto. Raquel é 1 pessoa agradável, possui gestos 1 tanto brutos, 1 voz rouca e potente.

Ana... ... ... ... ... ... ...

O vento sopra e as folhas cobrem a terra c/o 1 belo tapete marrom q. qdo pisamos faz 1 barulho gostoso, q, dá vontade de pisar em todas. O Sol aparece, embora fraco está gostoso, ñ está exatamente quente, está morno; o vento... com ele vem a lembrança de qdo passeávamos no parque  sem pressa.

Ana e seu sorriso. Ana e seus olhos. Os + tristes q. Já vi e tb os mais bonitos, eram de 1 preto intenso, c/o 1 poço q ñ se pode ver o fundo, seus gestos eram delicados, suaves e precisos . Qdo vestia-se de preto sua tristeza e desapontamento c/ o mundo se tornavam evidentes, quase podia-se tocá-los. Nunca soube ao certo a cor de seus cabelos; pois estava sempre a mudá-los. Com Ed eram pretos, c/ Rubens castanhos, Daniel ruiva, com Faria Loura. Ahhhhh ... os homens em sua vida passavam c/o nuvens ao vento, alguns duraram 1, 2 no máximo 3 estações, alguns nem meia. Isso sempre me aborreceu , porque empre soube q.  q. Ana tanto buscava estava perto, muito perto e só ela não percebeu... ... ...

Minha árvore está completamtne sem folhas e os dias de Sol são raros, qdo este aparece é como um Sol falso que brilha mas ñ aquece.

Nos conhecemos num dia como este, cinza, lembro de sua expressão curiosa e confusa, qdo percebeu q a seguia, qto à mim ñ sei qual minha expressão... ... ... tudo q sei é q nos demos bem desde o início... .. ...

Acho que só erámos felizes quando estávamos sozinhos, só eu e ela, s/ + ninguém por perto... Ana disse diversas vezes q somente eu a entendia e sabia que poderia contar comigo sempre, por isso jurei a mim mesmo q jamais a abandonaria e ñ poderia mesmo q quisesse, a amo d+ p/ isso.
Raramente ficava brava comigo e qdo acontecia eu nem sempre entendia o motivo, mas ficava quieto e até achava engraçado c/o dizia meu nome “Frank, Fran-k, vc ñ tem jeito... !” sua raiva pouco ou nada duravam logo vinha c/ 1 sorriso ... ... ...

Ana adorava música e ouvia de tudo, só dep3endia de seu humor. Às vezes ouvi 1 música barulhenta ( confesso q gosto de algumas), c/ q. Ela chamava de guitarras, baterias e 1 pessoa q na maioria das vezes agiam c/o loucos, pulando e quebrando coisas. Outras vezes ouvia canções d e1 homem negro, magro, c/ trancinhas, ñ sei seu nome,  suas músicas tem 1 ritmo agradável, é algo q se pode dançar (dancávamos diversas vezes, mas sempre fui péssimo dançarino) ou somente ouvir tranqüilamente s/ pensar em + nada.. ... ...

Nunca pude entender pq Ana era tão só, se tratava todos bem, até os que não mereciam. Poucas vezes vi alterar o tom de sua voz e p/ fazê-lo era preciso ser algo muito grave.

Também nuca pude entender pq o mundo, às pessoas a tratavam mal e/ou lhes eram indiferentes, por diversas vezes tentou se enturmar, se adaptar; mas em vão então isolou-se. À tarde ia espiar à rua pela janela, mas ñ observava as pessoas e sim o céu; ana dizia q as pessoas, ao menos a gde maioria delas, estavam fechadas em si mesmas e ñ conseguiam mais observar as coisas q realmente importam e valem a pena; c/o o céu azul q surge depois de 1 temporal, ouvir o barulho da chuva caindo no telhado, ver 1 pôr-do -Sol, q perderam a capacidade de ver q aquele à seu lado precisa de ajuda, sendo q na maioria das vezes 1 palavra,1 sorriso, o menor dos gestos basta. Q as pessoas se fecham cada vez mais em seus mundos, tentando quem sabe se proteger de tudo e todos. Durante certo tempo me perguntei se Ana ñ estava fazendo isso, hoje sei q apenas se escondia das pessoas q muito a maltrataram, sem q ela pudesse se defender, ñ deixaram ! Ñ lhe deram chance !!!

Sempre soube que as pessoas são cruéis e impiedosas e através de tudo q passou, tudo o q vi e vejo; constatei, confesso q c/ certo pesar por aqueles q se salvam, q o mundo , a humanidade é desumana e destroem, esmagam aqueles q são diferentes, q enxergam tudo de um modo diferente e q por isso ñ seguem suas leis, suas rígidas leis... Ana era 1 desses... ... ... ...

As flores desabrocham aqui tudo está colorido e quase feliz, o céu está limpo e o Sol vltou a brilhar. Sinto-me cansado.

Lembro qdo recebi indiretamente a notícia, ñ pude acreditar ... o pior é q ñ queriam me levar p/vê-la 1 última vez... ... ...

Então fugi, qdo cheguei todos lançaram olhares surpresos e eu fingi ñ notar, me aproximei e fiquei a seu lado até o último instante, enquanto permaneci ali, vi as pessoas q sempre caçoaram e a destrataram (pelas costas ali, aquilo foi o cúmulo p/ mim, o cúmulo da hipocrisia, quis fazer algo, mas sabia que Ana jamais me perdoaria, então me contive e fiquei em meu lugar...

As pessoas a acompanharam e após certo tempo, só 4 seres permaneceram ali, seres realmente sentiram sua perda; eu, Raquel, Kelly (só 1 pouco) e Jorge q sempre estava por perto e q Ana por muito tempo o quisera c/o amigo e qdo passou a vê-lo de outra forma, veio o golpe final... e ali ainda parados me perguntei onde estaria, por onde andava o deus q Ana acreditava se ele é realmente tão bom c/o dizia, c/o pôde deixar q sua vida se fosse c/o foi !? E o pior além de indiferente c/ os quecreem é cruel, c/o os homens, pois Ana finalmente estava feliz, pela 1ª vez na vida e foi privada disso.

Ana dizia q as pessoas precisam acreditar em algo, mesmo q ñ vejam e certa vez, vendo minha expressão confusa disse : “ vc ñ vê o ar, mas sabe q ele está aí, em toda parte, vc ñ o vê e ñ pode tocá-lo, mas sabe q existe”; isso me comoveu e fez com q pensasse  mas ñ entendi e ñ entendo, talvez pq ñ precise disso ... ... ...

O Sol brilha forte, está bem quente hoje, mas estou à sombra, daqui vejo onde Ana está, à pouco Raquel trouxe margaridas, as prediletas de ana. Jorge vinha constantemente e no começo tentava me levar com ele, mas prefiro ficar aqui ... ... outro dia o vi acompanhado na cidade, fiquei feliz e triste ao mesmo tempo, pois sabia q ñ voltaria a vê-lo aqui, mas por outro lado será feliz... ao menos ele... acho que irá esquecê-la... os humanos esquecem tudo tão depressa.

Kelly poucas vezes esteve aqui e da última vez tentou me levar a força, resiti como pude, então ela me chamou de tolo, imbecil, disse q sou 1 sonhador c/o Ana, q somente eu p/ preferir ficar aqui no vento, na noite, no sol... fiquei quieto pois sei q existem coisas q determinadas pessoas ñ podem entender; o q é a verdadeira amizade e o valor de  1 promessa.

Raquel sempre me vê seus olhos castanhos enchem-se de lágrimas me faz 1 afago e vai embora. Mas ñ sem antes dizer Frank... Frank... sorri eu retribuo, pois sei q ela vai voltar. Está cada vez mais velha e mesmo c/ seus passos lentos continua a vir... ... ... ... sei q ela me entende ... ... ...

A manhã está muito quente, os pardáis brincam por toda parte fazendo gde algazarra, isso acontece todos os dias e é o que alegra meus dias, desde o dia em que vim parar aqui, o mais triste da minha existência. Ñ sei qto tempo faz... pois os homens medem o tempo numa folha c/ nºs q chamam calendário e c/ relógios q contam as horas, os minutos, segundos, o q torna tudo tudo complicado e rápido. Enquanto nós medimos o tempo pelo q vivemos, 1 vez os nºs ñ nos importam, eles ñ sentem, ñ ouvem,ñ vivem, só contam, se somam,se dividem, se multiplicam e se diminuem.

Ana ganhou meu respeito e admiração, ñ porque me acolheu e cuidou de mim (muitos outros tb fizeram), mas porque contrariando a gde maioria sempre preocupou-se e tentava ajudar, do menor ao meios ser, mesmo aqueles q se achando mais importantes, os tidos como racionais, q matam uns aos outros s/ motivo,q abandonam seus filhos... Ana os ajudava mesmo c/ o pouco q tinha, c/ o pouco q recebia por seus contos, emso qdo faziam troça chamando-a de louca sonhadora....

Está anoitecendo rápido hoje... ... ... me sinto tão cansado e sem forças.... agora vejo o Sol intenso, olho p/ onde Ana está... o que houve está anoitecendo novamente ? .... mas essa noite é diferente... o céu é escuro como os olhos dela e sem estrelas... ouço sua voz distante, mas ouço... como é gostosa sua voz.... .... .... .... ..... .... .... ....
 
Giliane Moura
Enviado por Giliane Moura em 08/07/2006
Reeditado em 08/07/2006
Código do texto: T190256
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Giliane Moura
Santo André - São Paulo - Brasil, 33 anos
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Giliane Moura