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A base perdida

Carlos Colombo sempre foi um homem que adorava viver, porém, o que o destino lhe reservou mudou totalmente a sua adoração á vida.
Homem de seus trinta e oito anos, casado com Mariliza desde 1985. O casal tem duas filhas, uma com nove anos de idade e a outra com onze.
Tudo se iniciou quando Mariliza começou a desconfiar do marido, homem extrovertido, brincalhão e sempre pronto para as intimidades do casal.
Ele era diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Carapicuíba, seu trabalho era esse. Militava num partido de esquerda e quase não tinha tempo para a família.
Houve a época em que vez ou outra chegava em casa tarde, jantava e ia direto para a cama. A esposa perguntava:
- Não vai tomar banho não Amor?
Carlos respondia que havia tomado banho no sindicato, sem se dar conta que lá não havia chuveiro e que a mulher sabia disso.
Várias vezes Mariliza passava horas tentando estimular o marido para o sexo, mas Carlos sempre arrumava uma desculpa. Para a esposa isso já era demais, conhecia o seu marido e alguma coisa de errada estava acontecendo.
Diversas noites ela sofreu de insônia, pensando na possibilidade do marido estar traindo-a. Nessas horas brigava com a sua própria consciência: “O Colô não pode estar fazendo isso comigo. Temos uma vida familiar muito boa e financeira também”.
Ela não conseguia se segurar. Todas ás noites costumava pegar no cesto as roupas usadas pelo marido durante o dia, para procurar fios de cabelos e sentir algum perfume estranho. Vez ou outra achava alguma coisa que confirmava a sua suspeita.
Pra não fazer papel de boba e ter certeza do que estava imaginando, usou metade do salário que ganha como professora do ensino fundamental, para pagar um detetive.
O resultado foi o que estava sendo imaginado por ela. Carlos Colombo estava traindo Mariliza com uma vereadora do partido em que militava. Na linguagem feminina estava sendo um cafajeste e na fala dos homens estava sendo o Ricardão, já que a vereadora também era casada.
Mariliza pediu o divórcio e foi para a casa da sua mãe em Minas Gerais, levando junto consigo as duas filhas.
No decorrer dos meses Carlos Colombo foi regredindo. Após os seus porres constantes foi perdendo os amigos e colegas. A vereadora também se afastou.
Sem as devidas articulações, não conseguiu se manter na diretoria do Sindicato. Ficou sem emprego para se manter. A casa estava nas mãos do advogado contratado por Mariliza.
Carlos Colombo começou a se lamentar solitariamente:
- Pô Liza, só agora que você me abandonou é que percebi o tanto que te amo.
O sorriso sumiu, as piadas foram esquecidas ou deixadas de lado, e a vontade de viver está sendo escarrada todos os dias junto com a saliva misturada com pinga que, Carlos bebe para suportar o sofrimento de viver nas ruas da cidade de São Paulo.
Sacolinha
Enviado por Sacolinha em 25/05/2005
Código do texto: T19564
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Sobre o autor
Sacolinha
Suzano - São Paulo - Brasil, 33 anos
20 textos (2814 leituras)
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Sacolinha