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A Mulher da Colina II Parte

Nada levei, a não ser a roupa que tinha no corpo. Andei sem direção, sem rumo, sem destino. Cansada demais adormeci num lugar qualquer, sem mesmo saber onde estava e, quando o dia surgiu, dirigi-me a um pequeno sítio onde  permaneci por algum tempo, como empregada doméstica. Precisava de roupa e de comida para empreender a minha busca. Tinha que encontrar a minha filha.
              Levei anos percorrendo diversas cidades. Não havia nenhum indício, nenhum sinal, nada, nada. Não podia procurar as autoridades, pois havia matado o meu marido.
   O sofrimento minou todo o meu ser. Não tinha mais condições de trabalhar, pois vivia chorando, falando sozinha, blasfemando, revoltada com Deus e o mundo. Tinha pesadelos terríveis, vendo meu marido morrendo, chamando-me de assassina. Ninguém me aceitava na sua casa por mais de um dia ou dois e a lenda de que era louca foi crescendo e se espalhando e passei a ser motivo de chacota, sempre perseguida pelas crianças.
Sem trabalho, o jeito foi implorar a caridade pública e, andando sem rumo, cheguei até aqui, vendo em cada rostinho de  criança a imagem da minha Célia de cabelos de ouro.
- Célia?
- Sim, a minha filhinha.
- Como se chamava o seu marido?
- A senhora vai me entregar à Polícia?
- Não, de jeito nenhum. Só quero ajudá-la.
- Tia Lucy, quando eu tinha a idade da minha filha, meu pai me levou, uma madrugada, para um passeio. Não permitiu que acordasse minha mãe, dizendo-me que seria seria uma surpresa. Como toda criança, deixei-me convencer, ansiosa que estava para passear com meu pai.
        No dia seguinte, à tardinha, soubemos que havia sido ferido e estava hospitalizado. Corremos ao Hospital. Meu pai fora encontrado no chão da nossa casa, com uma facada nas costas. À Polícia ele dissera que minha mãe estava viajando e um ladrão o havia atacado. A ferida não foi mortal e em pouco tempo estava conosco. Às minhas perguntas, meu pai respondia que minha mãe havia fugido. Chorei muito e durante um longo tempo procurei-a por todos os cantos. Nunca mais tive notícias dela.
Ritinha foi boa para mim. Morreu há dois anos e papai também se foi há seis meses. Meu marido transferiu-se para esta cidade e desde o começo senti que aqui seria o meu lugar. Gostei da cidade, da sua gente e agora vi que meu coração estava certo, pois graças à minha filha encontrei você...mamãe.
- Como?
- Sim, sou sua filha. Celita é um apelido que Ritinha me deu, tentando apagar o passado, mas meu nome é Célia e estou muito feliz. A senhora não matou meu pai. Foi um ferimento leve e ...
Isabel entrou correndo e não entendeu o que estava acontecendo. Ali estavam sua mãe e a tia Lucy chorando e rindo. Ela não sabia que também se chora de alegria e viu-se envolvida pelos braços amorosos de suas duas mães...

MARISA ALVERGA
Enviado por MARISA ALVERGA em 02/08/2006
Código do texto: T207727
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Sobre a autora
MARISA ALVERGA
Guarabira - Paraíba - Brasil
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MARISA ALVERGA