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UM ENCONTRO – UMA SAUDADE NOS 07 DIAS DE AUSÊNCIA

Se, naquele momento, eu tivesse de posse de um lápis e de um papel, tenho certeza que descansaria  em uma das lápides  existentes, naquele fúnebre espaço, onde repousam corpos adormecidos pela morte, e discorreria sobre o fato que me chamava a atenção.
Semblantes tristonhos, olhares imbuídos de angústia e pesar, entre uma lembrança ausente e uma expressão presente, era possível ver lágrimas rolarem, tênues e comovedoras, entre curvas, entre planícies, de rostos marcados pela senilidade e outros pela juventude dos anos que desabrocham .
De súbito, dentre muitos que se encontravam, alguém me deteve a atenção. Quem seria aquele moço de feições serenas, que cruzava seus dedos com os da sua amada? Quem seria aquele moço de vestimentas pomposas, de estatura invejável... enriquecido pela natureza que não lhe poupou da dignidade de um ser cultural, de postura impecável?
Justiça seja feita, admirei-o por um momento...  sem qualquer mal pensamento, pois o enlace,  já definido por uma aliança, em destaque, enfatizada pelo brilho dos raios do sol, demarcou o meu limite.
Curvei-me em prece, rogando ao pai bênçãos especiais à saudosa Nídia!
Detive-me às reações de outros que ali estavam diante de luzes que denunciavam a fé e a confiança de que o ente querido, ali em descanso,  repousaria em uma dimensão, desconhecida, ao mesmo tempo definida, pela confirmação do amor de Deus por nós.
Aqui jaz o corpo de Nídia, mulher bela na arte de escrever e na defesa das causas jurídicas. Todos choravam a sua partida e enchiam-se de saudade, zelo e amizade por um ser que tão  bem marcou sua passagem terrena. Sua efêmera vida, por todos, tão querida,  foi saudada e aplaudida por seus méritos e por sua juventude de mulher guerreira.
Nídia de Assunção Aguiar, com determinação e zelo à pátria-mãe, definiu seu desejo derradeiro aos seus treze anos primeiros, na plenitude de sua juventude, tão bem o fez nas entrelinhas de seu poema, intitulado “Piripiri”.
Assim se cumpriu a sua vontade no instante em que seus familiares acatou o seu desejo fazendo descansar seu corpo em seu amado torrão – Nossa imensurável Piripiri!






Eliene César
Enviado por Eliene César em 18/08/2006
Código do texto: T219136
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Sobre a autora
Eliene César
Piripiri - Piauí - Brasil, 45 anos
29 textos (2810 leituras)
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Eliene César