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''Menino escrevinhador''

''Menino escrevinhador''
Meus 5 anos...
by-Caio Lucas



O morro que morava era alto demais, ou eu que era baixo, a terra vermelha
derretia quando a chuva vinha forte, era enxurrada que descia e nada mais subia.
Não sei quando comecei a escrever, tinha dois lápis, um assim e outro maior,
o papel vinha dos embrulhos de pão, acho que aprendi a escrever antes de saber ler.


Um dia fui fazer teste para prefeito, cheguei naquele prédio grande demais,
que tinha gente demais, cada um ficava com mais de dois olhos em cima de mim.
Pedi para chamar o dono - "Quero ser prefeito" - o homem que estava
me olhando arregalou os olhos e ameaçou rir.
Ele parou de repente e ficou sério:
- Menino, o que você quer mesmo?
- Preciso falar com o dono da prefeitura, quero trabalhar de prefeito,
acho que dou conta, por isto quero falar com o dono.


O homem do Estado parecia não me acreditar...
Aconselhou-me a voltar dali uns anos, quando eu estivesse maior.
Sem ele suspeitar, eu estava anotando tudo, se um dia fosse prefeito,
ah... não ia querer uma ajudante que não sabe nem levar uma pessoa
para falar com o dono da Prefeitura.


Sinceramente?
Acho que ele nem conhecia o dono da prefeitura, por isto deu desculpa.
Quando já ia saindo... Olhei nas prateleiras vi cada livro bonito,
tinha de todos os tamanhos, de todas as cores, perguntei ao homem que
estava atrás do balcão, ali parecia uma venda, mas não tinha nada de comer,
foi quando ele me disse:
- Aqui é a biblioteca...
Que diacho é isto?

Não perguntei mais nada, saí pensando, pensando, será que ele também

quis me enganar?
Não importa o que ele falou, mas porquê não podia falar com o dono
da prefeitura, tá certo que nem sabia o que era biblioteca, mas estava no
ponto para ser prefeito, faltava escrever um improviso, tirar umas fotos,
precisava comprar um sapato, isto é, dois.


Meus olhos estavam cheio d’água, num tava chorando não senhor,
era que ninguém queria falar comigo, coisa que ia ser bom pra eles,
ia ser o o melhor prefeito que a cidade ia ter.


Fui saindo devagar e olhando como as pessoas ficavam nos corredores,
uns iam e voltavam, outros esperavam em fila que nem sei pra que eram,
os outros, os que estavam de dentro das salas, ficavam lá parados,
pareciam que estavam estudando algum plano, um olhava pro outro
e o outro pra um, juro que num entendi...

quase perguntei, mas queria sair logo dali.


Meus sonhos tinham o mesmo tamanho dos sonhos de gente grande,
para outras pessoas pode não ter acontecido nada, mas para mim foi uma lição;
aprendi que, se tenho um sonho,  devo ir atrás, procurar realizá-los,
posso e quero saber, aprender, mas se não conseguir pelo menos fico
sabendo se vale a pena ou não.


Peço perdão às pessoas grandes se não entendi, não sei se o dono da prefeitura
via tudo aquilo, as pessoas dando uma desculpa que até parece séria,
essa pessoa grande é muito pequena, parece ser amigo, tem cara de amigo,
mas num sei o que faz lá, se nem sabe falar como a gente faz para ser prefeito!



Vou embora que vai chover, vou passar na igreja, não vou rezar,
vou aprender a ser coroinha, quem sabe posso ser um padre daqueles importantes,
o do chapéu vermelho...



Isto quando eu era pequeno...
Hoje ainda sou todo sonhos.



24/12/2004
Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 05/06/2005
Código do texto: T22295
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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Caio Lucas