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Jordan e Mink

Há muito tempo, onde as crianças eram puras por natureza, onde os pássaros cantavam canções difíceis de imitar, porque havia muitos deles; começava a história de um garoto amante de aventuras e malinas, menino travesso que repercutia de um lugar paradisíaco, onde brincar e pular eram naturais, não havia videogames e muito menos Internet.

Buscando por aventuras novas, o garoto conheceu um lugar muito interessante, que tinham papiletes, bichinhos diferentes que não existem mais. Aprendeu com eles a procurar ervilhas e alcachofras, afugentou-se de casa e foi morar com eles. Garoto levado morava sozinho, não tinha pai nem mãe, e se virava por aí, a procura de ilusões.

Sabia se manter diante das situações e, entre essas e outras, encontrou um papilete diferente, que não tinha papilos nos cabelos, esse pequeno papilete o ensinou a encontrar ervilhas, o caminho era longo e suspenso, não sabiam o que poderiam encontrar por lá, uma mata fechada, cheia de animais perigosos e não temiam a presença de papiletes.

Acharam muitas ervilhas, mas e as alcachofras? Como encontrá-las?

Não havia problemas de encontrar as alcachofras, dizia Mink o papilete que estava tão entusiasmado de encontrar Jordan, que passava a ser não só um garoto travesso, mas também, seu grande amigo. Entraram nessa jornada juntos, com ervilhas nas costas e coragem no coração. Fizeram suas malinhas e se foram dali.

A procura das alcachofras que começava naquele momento, e trazia êxtase aos dois amigos. Causava tensão entre os dois, pois a noite já estava por vir e, inseguros, apenas com a cara e a coragem, tentaram enfrentar a madrugada, se cobriram de folhas e adormeceram num profundo sono. Nesse embalo, adormecidos, Jordan tem um sonho, sonhou que estava caminhando sobre um chão repleto de grãos de ervilha, nos quais haviam muitas alcachofras esmagadas e secas, no sonho Jordan conseguia resgatar as alcachofras, deixá-las verdes e frescas. Logo pela manhã ao acordar, além do despertar veio contigo a lembrança do sonho que teve, a depressão foi imensa, se lembrou que era apenas um sonho, sonho esse que contou para Mink, o mesmo ficou muito alegre, e disse ao amigo que sonhos assim vem para quem quer lutar por algo e conquistar, assim ensinou a ele o Randim seu avô.

Partiram daquele lugar logo pela manhã, após terem comido bons grãos de ervilha, seguiram a estrada esverdeada que era completa de oxigênio e cantoria, o sol lançava um calor terrível, insuportável até então, andaram léguas e léguas até chegar em um belo poço d’água, tomaram banho, se lavaram e beberam a água mais pura que o lugar tinha para oferecer, pararam para o almoço, ervilha, lógico. Jordan estava muito tempo já junto de Mink, e com esse embalo, resolveu perguntar sobre a vida de Mink. Mink ouviu todas suas perguntas e contou-lhe a sua história que era mais ou menos assim.

Num lugar triste e sombrio, num lugar bem distante do paraíso, existia uma população de homens que tinha tecnologias avançadíssimas, que criavam muitas novidades e as lançavam no mercado, viviam a busca do dinheiro, do poder, da mentira, se drogavam, e aniquilavam seus berços.

Esse lugar era de uma população ignorante, sem escrúpulos, que praticava o mal sem temor, certo dia o grande líder daquela população ficou desnorteado com tudo aquilo, e resolveu lançar um feitiço a todos daquele lugar, todo o conhecimento e a ciência deles se acabariam, só iriam se lembrar que aquele momento aconteceu um dia. E o feitiço foi lançado e todos sofreram mutações, ficaram verdes, simples, de cabelos embaraçados e cheios de verrugas por todo o corpo, e dependentes de ervilhas e alcachofras, assim surgiu à população dos papiletes.

Hoje nós percebemos qual o verdadeiro sentido de nossas experiências, ficamos assim, feito arvores, mas, arvores que se mexem, que podem pensar, que podem lembrar-se do quanto éramos perfeitos e intelectuais e não dávamos valor. Agora damos mais valor ainda, pois somos diferentes dos outros, mas temos a sabedoria que precisamos, a sabedoria de viver em harmonia com a natureza, nossa grande mãe. Dizia Mink todo entristecido ao amigo Jordan.

Jordan conforta o amigo, dizendo que pelo menos agora são realmente felizes, e sem graça após esse assunto tenebroso, pede ao amigo que partissem dali de imediato.

O amigo concorda e saem cantando como se nada disso tivesse acontecido.

O caminho foi longo, mas, não se cansaram em nenhum momento. Jordan após ter visto tantas coisas na natureza, começa a pensar que estava em um caminho que já conhecia, conversou com Mink sobre isso, Mink disse que o lugar se parecia com o sonho de Jordan, e realmente, o lugar se parecia muito com o que Jordan havia contado, viram tudo, o chão de ervilhas as alcachofras, a alegria era constante, Jordan e Mink não acreditavam naquele acontecimento, era tanta alegria em encontrar aquele lugar, que pareciam estar loucos, Mink jogou a malinha de ervilhas fora, e se pos a pular e gritar feito um louco, Jordan não se conteve e começou a fazer o mesmo também. Viviam tão felizes naquele lugar, mas algo de errado estava acontecendo, tudo começou a escurecer e a ficar claro ao mesmo tempo, foi dando um reluz de claro e escuro, e quando percebi e abri bem os olhos lá estava meu filho Marcos jogando videogame e minha filha Jordana na Internet, e quando me deparei estava no sofá com meu filhinho mais novo o Lucas, que estava comendo papinha em cima de meu corpo, quando vi Lucas estava com a boquinha, toda lambuzada de ervilhas e alcachofras, que se esparramavam por todo o sofá e sobre mim, acho que levei a realidade a sério demais.
Rafael José
Enviado por Rafael José em 30/08/2006
Código do texto: T228807

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Sobre o autor
Rafael José
Iporá - Goiás - Brasil, 32 anos
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