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Viagens à China


Hong Kong
 


Para chegar em estilo, eu tinha reservado, já na Europa, um “ hotel-car”, um táxi limusine, que me levaria ao meu hotel de 5 estrelas, aonde, para combater a fusão horária, ia passar tempo até as altas horas da noite no bar do hotel bebericando e ouvindo, e logicamente aplaudindo, o conjunto de música composto de umas lindas cantoras Filipinas. Isto, obviamente, depois de ter jantado primeiro num bom restaurante Chinês.

Decepção. No desembarque não havia ninguém à saída do aeroporto segurando um cartaz com o meu nome, nem havia em canto nenhum qualquer indicação aonde os “hotel-cars” esperavam por seus clientes.

O aeroporto, muito novo e muito moderno, exibia todo tipo de outros cartazes. Havia cartazes avisando que quem fumava seria multado em 5000 Hong Kong dólares. Quem angariava clientes para qualquer tipo de negócio podia esperar por uma multa do mesmo valor. Estava escrito em Chinês. Eu sabia o que estava lá escrito, por que por de baixo estava em Inglês.

Não encontrei o “ hotel-car” reservado por mim junto com o quarto no hotel, pela bagatela de 400 HK dólares. 400 Só para o carro, o quarto era o triplo por dia.

Pondo o pé no calçadão fora do edifico do aeroporto, para dar um chute numa lata de lixo para ventilar a minha raiva por não ter ninguém à minha espera, fumar um cigarro para levantar o nível de nicotina no meu sangue, fui aproximado por um angariador que me ofereceu um limusine por somente 380 HK dólares.

Esse limusine era afinal um táxi comum mas me fez chegar ao meu hotel.

Na recepção mostrei o documento da minha reserva para “um quarto e um hotel-car no aeroporto”

Reclamava eu:

“ “Está vendo, aqui: diz: hotel-car no aeroporto! Não havia nenhum carro esperando por mim!”

“ Está celto, senhol. O senhol tem passapolte?

“ Está aqui. Agora o que me diz sobre o carro?”

“ Está celto, senhol.”

“ Está certo uma ova. Como havia nenhum carro, não vai me cobrar um e por na minha conta, vai?”

“ Está celto senhol, aqui chave do qualto, senhol.”

“ Obrigado. Agora sobre o tuuut- tuuut que devia estar à minha espera no aeroporto? Não tuuuuut-tuuuuuut no aeroporto”.

“ Está celto, senhol. Benvindo, senhol.

“ Tá bem, deixe. Amanha de manha trato disso. Quero sair agora e comer Chinês.”

“ Está celto, senhol. Tenha agladavel tempo em Hong Kong.”


Após um banho rápido de chuveiro e uma troca de roupa, eu estava pronto para me aventurar num restaurante para comer Chinês em China. A um quarteirão do hotel encontrei um restaurante razoavelmente cheio e aonde não vi nenhum rosto europeu. Devia ser bem local, bem típico. Em Roma faz como os Romanos, na China come aonde os Chineses comem. Entrei e fui mostrado uma mesa. Sentei e imediatamente verterem chá numa xícara.

Gosto de coisas típicas mas não tanto. Empurrei o chá para o lado e disse “ Blama”. Não me entenderam. Disse “Callsbelg” e me entenderam imediatamente e portanto trouxeram a cerveja imediatamente. Obter a ementa também não foi nenhum problema. Problema foi conseguir lê-la. Tudo estava escrito em Chinês, sem Inglês por de baixo como no aeroporto. Somente os preços estavam em números que consegui decifrar. Isto não ia me derrubar. Apontei para algo no meio da ementa. Calculei que assim evitava de comer qualquer coisa baratíssima no fundo da lista, como:

“Gato criado na nossa própria lata de lixo e apanhado vomitando o nosso delicioso peixe sempre fresquinho”.
Ou então o contrario, como barbatana de tubarão, do topo da lista e a um preço de pó de ouro.

Funcionou a minha maneira de escolher. Logo, logo chegou um prato pouco comum e escaldante, um mexido frito de merda de tartaruga. Faltavam só os talheres. O garçom apontava para uns palitos grossos mas eu consegui fazer entender que só usava estes depois do jantar em caso de não darem fio dental aos seus clientes. Prossegui desenhando um garfo e uma faca num papel. Me trouxeram em tempo devido e com um grande sorriso para compensar a demora de 20 minutos, que precisavam para tirar o patente do meu desenho e produzir estas ferramentas numa fabrica clandestina, existente no porão, lado ao lado  do laboratório da Al- Queda,  onde fabricam e engarrafam o vírus de SARS, a pneumonia atípica dos pássaros.

O garçom queria levantar os palitões mas eu sinalava que queria usa-los talvez mais tarde, não necessariamente para limpar os meus dentes mas que me pareciam ideais para cutucar nos meus ouvidos.

A conta veio três vezes mais alto do que eu esperava. Consultei o meu livro “ Aprenda a lidar com os Chineses em pouco tempo para os idiotas completos”. Descobri que a espiral para cima  do preço, foi causado pelo “ imposto de valor acrescido”, taxa de serviço, o preço da cerveja e os palitões. Tenho o habito de quebra-los em duas, evitando assim que sejam usados novamente.

Entendo que do ponto de vista chinêsa, se todos os chineses quebrariam os seus palitos todos os dias, o país teria que produzir 2 bilhões de palitos por dia.

O conjunto de 2 artistas, um Filipino, o cantor, e um outro, no órgão electrônico, se exibindo no bar do hotel, podiam ter deliciado muita gente: onde mais no mundo se pode por horas e horas ouvir músicas de Pat Boone, Doris Day e, em especial para mim, Carmem Miranda?
John
Enviado por John em 08/09/2006
Reeditado em 08/09/2006
Código do texto: T235629
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Sobre o autor
John
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