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FERIADO INESQUECÍVEL


      José Carlos sempre foi uma pessoa séria, avessa a brincadeiras, uma pessoa que raramente ri. Neide, sua esposa, é diferente, uma pessoa sorridente e muito carismática, que faz com que as pessoas gostem muito dela.
Não que não gostam de José Carlos, mas é que com a Neide tudo é diferente, seu jeito faz com que as pessoas se soltem mais, já o jeito fechado de José Carlos assusta as pessoas, que sempre acham que ele não esta gostando de alguma coisa. Mesmo assim a casa deles sempre vive lotada de pessoas, amigos, parentes, que acham que apesar das diferenças os dois formam um par perfeito.
    José Carlos acordou cedo, foi á cozinha, preparou o café e levou-o para Neide que ainda dormia, beijou-a no rosto fazendo com que a acordasse. Neide demorou alguns segundos para abrir os olhos, pois estava em um sono pesado, na noite anterior deitara sem preocupação com o horário, pois nesse dia seria feriado, ao abrir os olhos, viu José Carlos segurando uma bandeja com o café da manhã, seus olhos brilhavam e em seu rosto fechado Neide viu a ameaça de um sorriso em seus lábios.
”O que está acontecendo”pensou ela, depois decidiu que era melhor não pensar em nada e sim aproveitar esse momento impar nos seus dez anos de casamento.
    Após o café Neide desceu para a cozinha, mas não encontrou seu marido, procura-o pela casa, mas não o encontra, vai até o cômodo dos fundos e encontra a porta trancada, um leve barulho sai lá de dentro ela chama pelo marido, mas não tem resposta.
      Como era costume em todos os feriados, logo a casa estava lotada de amigos e parentes, crianças e adultos, todos estavam sentindo falta de José e ao mesmo tempo intrigados com a ausência do amigo. O que estaria fazendo Jose trancado naquele quarto?
- Será que o tio Zé se matou lá dentro? Perguntou um sobrinho
- Claro que não. Respondeu sua mãe
    O comentário começou a crescer.
- Sabe o que eu acho? Acho que ele tem uma mulher inflável lá dentro. Comprou agora esta novinha, vocês estão me entendendo, não é?
- Estranho como ele é, deve estar recebendo seus amiguinhos verdes.
- Amiguinhos verdes?
- Cá entre nós, ele não parece um alienígena, um marciano talvez?
- Todo mundo sabe da aversão que ele tem por feriados, deve estar dando socos e pontapés nas paredes para passar o tempo.
- Mordendo a língua, enfiando o dedo na tomada, dando cabeçadas no ventilador.
- Meu Deus! Temos que ajuda-lo, antes que se mate.
- Vamos arrombar aquela porta já.
- Vamos!
- Vamos!
     Segundos depois, todos da casa estavam prontos para derrubarem a porta. O barulho que vinha lá de dentro havia cessado, aumentando a preocupação das pessoas.
- Todos prontos? Vou contar até três, um, dois...
     A porta se abre, José aparece sorrindo para surpresa geral.
- Bom dia!
As pessoas se olham não acreditando no que vêem.
- Já que todos estão aqui, quero convida-los para que entrem e presenciem a surpresa que preparei para todos vocês.
    Todos entram. O quarto é grande, José pede para que todos sentem, á frente há uma cortina escondendo alguma coisa, José vai para trás da cortina e se demora um pouco aumentando a ansiedade das pessoas.
    De repente a cortina se abre, uma música começa a tocar, então José Carlos aparece vestido de Carmem Miranda dublando a música, O que é que a baiana tem. Ninguém acredita no que vê, José imitando Carmem Miranda e tão bem que poderia enganar um turista desinformado. Alguns desmaiam, outros batem palmas, outros não fazem nada, ficam somente observando incrédulos à cena irreal.
    A tarde passou rapidamente, e o show de José foi um sucesso. José imitou desde Madonna a ex-presidentes. Cantou rock, rap, e outros ritmos que ninguém conseguiu distinguir, também contou piadas, muitas piadas.
Todos se divertiram muito. Dançaram, pularam, batiam palmas.
    No fim da tarde tudo voltou ao normal, José Carlos volta a ser uma pessoa séria e carrancuda de sempre que todos aprenderam a amar. Após todos irem embora, Neide não teve coragem de perguntar a ele o que havia acontecido naquele dia, só ficou feliz.
      Neide já estava deitada quando José entrou no quarto, sem dizer uma palavra ele se deitou ao lado dela, um breve sorriso apareceu em seu rosto, então, começou a abraçar e beijar Neide, depois se amaram como nunca tinham se amado.
    Neide acabara de pôr a mesa do café da manhã, José Carlos entra na cozinha toma seu café em silêncio e sai para trabalhar. Neide senta-se á mesa e põe-se a refletir sobre os últimos acontecimentos, então, uma dúvida pousa sobre seus pensamentos.
Tudo foi sonho ou realidade?
 Não sabe dizer.
Mas a sensação que sente é boa. Nesse momento Neide só tem uma certeza, é perdidamente apaixonada por aquele homem sério e carrancudo.




                                                                               
Marc Souz
Enviado por Marc Souz em 11/09/2006
Código do texto: T237401
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Sobre o autor
Marc Souz
Birigui - São Paulo - Brasil
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