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O QUADRO FALOU!


27/10/05



E estava eu sentada na minha cama, tentando fazer lição de matemática, uma nova matéria que eu não tinha entendido muito bem, porque a farra na classe estava melhor do que a explicação da professora.
Então senti uma sonolência estranha, algo como um torpor, e enquanto isso via o colchão ao lado afundando, como se alguém estivesse sentando ao meu lado... mas o torpor não me deixava pensar direito, achei tão natural alguém invisível ali (apesar dos arrepios que sentia), e eu vi então o lápis que estava na minha mão escrevendo números, linha após linha, e eu achava engraçado o modo como ele se movia, olhando como se estivesse vendo um desenho que se formava no caderno...
Exercícios 1, 2, 3... até o 9, aí a forma no colchão foi suavizando, o torpor diminuindo... então ouvi minha mãe me chamar pelo nome. Meio atordoada ainda, respondi automaticamente “Que é?”... nada... “Fala, mãe!”... nenhuma resposta. Aí me toquei, ela odiava quando eu respondia assim, eu tinha sempre que responder “Senhora?”. Então pra sanar a falha eu tinha que ir atender pessoalmente (e rápido!). Deixei então o caderno e o lápis sobre a cama, e desci as escadas, mas a sala estava escurecida... a cozinha também... tudo fechado... a porta da cozinha trancada a chave, então pensei: “Meu Deus, será que tranquei minha mãe lá fora, e ela está no banheiro externo passando mal?” Abri a porta rapidamente, fui até lá, mas nada...
Com o susto, estava totalmente desperta, e foi então que me lembrei que minha mãe havia saído há mais de uma hora, e eu estava sozinha em casa.
Assustada, toda arrepiada, fui voltando, fechando as portas, tensa, querendo cantar pra aliviar o medo, mas nenhuma música me vinha à cabeça, e foi então que, ao passar pela sala, cumprimentei a moça do quadro com um “Oi!”. Era um quadro lindo, uma moça bonita, jovem, sentada num campo, com um sorriso encantador, uma cesta com frutas e cereais sobre as pernas dobradas, e uma casinha ao fundo...
Ela então virou o rosto de frente pra mim, e respondeu “Oi!”, acentuando o sorriso...
Estática, eu tentava entender... minha “imaginação” até poderia muita coisa, mas tantas ao mesmo tempo? Nunca tinha acontecido... e a voz que eu ouvi, tão clara e desconhecida? E ela continuava me olhando, sorrindo de um modo estranho...
Tremendo inteira, subi as escadas praticamente de quatro, enfiei o material escolar dentro da sacola de qualquer jeito, o mais rápido possível, queria correr dali, sair de casa antes que algo mais acontecesse... e foi o que fiz, e só diminui o ritmo frenético quando cheguei ao fim da rua, sem fôlego, ainda assustada e tremendo inteira. Fui pra casa da minha melhor amiga, porque ainda faltava muito tempo pras aulas começarem, e nem mencionei nada. Afinal, era só minha “imaginação”...
Mas na hora da correção da lição de casa, a professora me chamou pra colocar o exercício 2 no quadro, e lá fui eu e meu caderno, e ele estava absolutamente certo. Meus outros 4 colegas erraram feio, e ela então me pediu o meu caderno, corrigiu e disse: “Muito bem, estão todos certos! Só faltou o 10... Que bom que entendeu. Resolva os outros também.”
Como explicar pra ela que eu não sabia fazer nenhum? Aiaiai... passei por ter “colado” de alguém, eu, uma cdf! ... que raiva!

Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 11/09/2006
Reeditado em 11/09/2006
Código do texto: T237894

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
192 textos (21460 leituras)
12 áudios (4784 audições)
5 e-livros (337 leituras)
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Edilene Barroso