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REVOLTA




04/11/05



A partir de então, parece que uma nova porta se abriu em minha vida. As coisas aconteciam a qualquer hora, em qualquer lugar que eu estivesse só,  e se multiplicavam: eu via vultos, ouvia vozes, sentia presenças, toques, enfim, vivia insegura e amedrontada, por mais que eu tentasse fugir, ignorar, afastar. Eu rezava, cantava hinos, pedia ajuda a Deus em voz alta, mas nada adiantava. Minha mãe dizia que eram coisas do demônio, que eu devia estar fazendo algo errado, mas por mais que eu me interrogasse, não via onde estava falhando.
Pedi então uma audiência aos mais antigos da minha igreja, solicitando ajuda. Abri meu coração, estava realmente cansada, desesperada, confusa. Eles me mostraram na bíblia trechos que eu já conhecia, tentaram me ajudar como podiam, mas no final, me senti da mesma forma que antes, abandonada, sem saber o que fazer. Disseram que isso acontecia porque o Diabo tinha inveja da minha fé e obediência a Deus, e que tudo faria pra me afastar Dele. E eu respondi: “Mas eu sou tanta coisa assim, pro Diabo se preocupar tanto?”
Quando cheguei em casa, senti medo da reação do Diabo, afinal, se ele estava nervoso antes, imagine agora, que eu tinha contado pra todo mundo! E fiquei esperando o resultado... que não se modificou, continuava tudo igual.
Aí me revoltei de uma vez: se eu pedi ajuda e ninguém podia ajudar, se eu pedia para parar e não parava, se o Diabo me tinha nas mãos e Deus não fazia nada, que se danasse todos!
E falei em alto e bom som, para quem deles quisesse ouvir, que não mais queria saber de Deus ou Diabo, que queria apenas ficar livre, e em paz, porque não agüentava mais!
Deixei de freqüentar a igreja, orar, acreditar no que via e ouvia, inclusive acreditar em Deus. Tornei-me atéia. E nos próximos mais de dois anos, nem sequer a palavra “Deus” saía da minha boca, e quando eu sentia, via ou ouvia algo estranho, xingava, ironizava, ria, tirava barato mesmo. Cansei de ter medo de tudo, e me sentia livre.

Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 12/09/2006
Código do texto: T238185

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
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5 e-livros (337 leituras)
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Edilene Barroso