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ATÉIA, SIM!




10/11/05



Tive então essa minha fase atéia, porque não podia conceber como aquele Deus a quem eu tinha aprendido a amar e respeitar podia me deixar tão vulnerável, sem ajuda, diante de seu inimigo. Poxa, eu era só uma pequena mortal, como poderia combater um diabão, sozinha?
E também, por que um ser da magnitude dele, iria querer apoquentar uma garota de apenas 14 anos? Eu não tinha nada de mais, não era diferente de ninguém!
Bem, sei que não quis ficar na linha de fogo deles, e resolvi me retirar do palco.
Essa fase foi muito boa pra mim, porque descobri várias coisas. Além do meu livre-arbítrio, a minha força interior, por assim dizer. Não tinha mais medo de ser pega em flagrante por Deus, fazendo algo errado, nem ser pega por criaturas invisíveis a hora que bem desejassem.
Quando me casei, então com 16 anos, alugamos uma casinha num bairro afastado do centro da cidade, onde nossos pais moravam, e lá era tudo muito estranho.
Para começar, a casa dava a impressão de ser toda torta por dentro, não parecia quadrada nem retangular. Mas foi a que apareceu para ser alugada, e ficamos com ela. Ainda, tinha como uma “presença” muito forte, todos que iam lá sentiam, alguma coisa muito estranha, fria, asfixiante, que acabava assim que se saía pela porta afora.
Assim que voltamos da lua-de-mel, quando eu fui preparar a cama, “vi” pelo canto do olho o vulto de um homem de chapéu na porta do quarto, mas quando olhei de frente, não era nada.  Esse vulto me acompanhava pela casa toda, me observando onde eu estivesse, me obrigando inclusive a fechar a porta do banheiro para não ser observada! E eu falando com ele normalmente, era como se ele me fizesse companhia, apesar de sentir vindo dele um péssimo humor, e então ele ia embora por um tempo.
Eu não dizia nada a meu marido, nem sabia se ele acreditava ou não nisso, e nem me interessava saber, já que nem eu estava interessada. Mas uma noite, a coisa ficou feia.
Estávamos deitados para dormir, e de repente senti uma sensação horrível... um sufocamento, algo muito grande como que flutuando acima de mim, e eu me senti perdendo a consciência, quando então chamei meu marido, assustada. Ele deu um pulo da cama e acendeu a luz, também assustado, e me disse que me via como que num quadro, sumindo,  quando eu o chamei. Ficamos ambos muito assustados. Eu soube então que ele acreditava sim nessas “coisas”, apesar de ter medo e não saber nada a respeito. E soube também que agora, não ia mais ter “brincadeiras” apenas, a coisa tinha ficado realmente séria.


Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 13/09/2006
Código do texto: T239016

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
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5 e-livros (337 leituras)
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Edilene Barroso