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A Igreja dos escravos, inacabada, em Sabará -MG



          Chico Rei, Chefe no Reino do Congo, guerreiro, sacerdote conhecido pelo seu trabalho de ajuda ao povo foi capturado, juntamente com sua família, e trazido em um Navio Negreiro para servir como escravo, aqui no Brasil. Sua esposa e sua filha foram arremessadas ao mar, como forma de agrado às “divindades” para elas acalmarem as águas e o navio seguir viagem sem atropelos.
          Trabalhando numa mina em ouro Preto - MG prosperou, comprou sua alforria, de seu filho e de tantos outros escravos. Organizou a irmandade de Santa Efigênia e com os membros ergueram a igreja em homenagem a Nossa Senhora do Rosário para todos terem um lugar, onde rezar. Este gesto fez com que todas as colônias de escravos espalhados pelo Brasil erigissem seus templos.
           Aos olhos dos brancos, nada tinha, pois quanto mais nas horas vagas preenchessem o tempo com orações, mais desviavam seus pensamentos dos entes queridos, deixados em outras terras. Já incentivavam ao uso da cahaça, para que nos momentos alegres, ajudasse a dissipar a saudade.
          Em Sabará, em 1768 – séc.XVIII - os escravos começaram a construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Pedras sobre pedras aparadas – lembrando as pirâmides do Egito - eram colocadas com uma massa feita de areia lavada, retirada dos rios das Velhas e Sabarabuçu, pedrinhas de minério de ferro e óleo de baleia, formando liga.

          Em seu interior – bem nos fundos - uma pequena capela de taipa fora erguida para poder abrigar os escravos nas festividades da Santa, no mês de outubro.
          Para essa comemoração, das matas, sementes de uma planta - Contas de Nossa Senhora – eram colhidas para a fabricação dos rosários. As Guardas de Congo e de Moçambique abrilhantavam as festividades com suas danças e cantorias, que mais lembravam o lamento pela separação das famílias, que alguma comemoração em si.

          No altar há imagens de Nossa Senhora do Rosário, de Santa Efigênia e de São Benedito, talhadas em madeira. Púrpura de ouro reveste os contornos dos desenhos do altar.

          Em seu teto, lindas pinturas cobrem todo seu forro. Os escravos utilizavam vegetais e sangue de animais para produzirem as cores das tintas e, claras de ovos eram adicionadas para auxiliar na fixação.

          Duas escadas em forma de conchas, com degraus de pedras longas dão acesso a um pequeno adro que tem o seu chão revestido por pequenas pedras.

          Ao ponto de telhado, assim permanece a igreja até os dias de hoje, pois com o declínio das minas de ouro, os escravos foram enviados para outras partes, adiando a cada dia a sua conclusão.

          No século XIX, com a abolição da escravatura, os escravos puderam adentrar em quaisquer outras igrejas, ficando pois, a obra inacabada.

Este causo, e outros mais, estão na obra Contos, causos e cousas de Minas - Edição de Causos -
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Antônio Calazans
Enviado por Antônio Calazans em 26/08/2010
Reeditado em 26/08/2010
Código do texto: T2460486

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Sobre o autor
Antônio Calazans
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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