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Encontro Cego

Era uma casa muito bonita a do senhor Rocha. Possuía muitas belezas, um jardim, um pequeno orquidário, uma frente muito bem construída. Mas seu dono, infelizmente, não podia apreciar essa visão.
Rocha era cego de nascença.
Edward Rocha era filho único dos Rocha, grandes comerciantes, que adoravam nomes ingleses. Eles faziam festas a todo instante e quando a senhora Rocha engravidou, foi uma grande festa.
Até o dia do nascimento de Edward.
Edward nascera cego, isso vocês já sabem. Viveu preso sempre num mundo de treva, onde a luz nunca atingira, somente um local poderia haver luz.
Aqui ele é um senhor de 32 anos. Estudou em escolas caras, foi um dos primeiros cegos a concluir faculdade, tudo com muita dificuldade. Um vencedor, talvez o leitor pense, mas não foi bem assim...
Edward sentia o ferro da solidão nas trevas. Ser privado das sensações visuais aflorara nele outros sentidos, inclusive aqueles que as pessoas que vêem não têm mais.
Seus pais tinham morrido. Acidente. E Edward lamentou rostos brancos.
Com isso, assumiu os negócios da família. E precisava de gente para ajudar com os afazeres da empresa e que pudessem ver as coisas funcionando.
Não ver traz alguns problemas. A gente deixa para trás um mundo das imagens. E com isso ganha um mundo de sensações. E ele descobriria, nisso, um novo mundo.
Juliana era uma empregada, não muito nova. Devia ter seus trinta anos, não tem como analisar com esses olhos que apenas enxergam as coisas.
Edward foi se afeiçoando a ela. E um dia Juliana, enquanto ajudava–o a se vestir, tropeçou em alguma coisa e ambos caíram ao chão.
Edward se declarou a ela. E ambos começaram a se beijar, com um calor afetuoso, num ritmo frenético...
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Depois de contar essa história a uma jovem, ela não entendeu a razão de ambos se amarem, sendo que Edward nunca viu o rosto de Juliana. Prontamente lhe disse o seguinte, num tom bem sereno:
“Para o amor não existe uma barreira, alguma coisa que diga se é necessário ver ou não. O amor não se vê, se sente. E eles mesmos sentiram isso, as sensações e os desenhos falavam entre si e ambos viam um no outro a criatura mais linda desse mundo”.
Afinal, o amor não é cego?
Fabio Melo
Enviado por Fabio Melo em 06/10/2006
Código do texto: T257369

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Sobre o autor
Fabio Melo
Santo André - São Paulo - Brasil, 32 anos
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Fabio Melo