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CAOS & ORDEM

Há muito tempo atrás, em eras de uma distância inimaginável, em um tempo onde nada existia como hoje, haviam duas forças: Caos e Ordem.

O Caos, força bruta de desorganização, exemplar supremo de desconexão, patamar máximo da incoerência, reinava metade do Universo. Nessa época, era ainda um Universo infinito, mas como bom/mal moço/moça que era/deixava de ser, Caos vivia colocando e retirando fim em sua metade. Criava e destruía vida e morte, fim e princípio, belo e feio. Tudo não passava de uma infindável/findável bagunça.

A Ordem, força suprema de organização, sua única companheira, reinava absoluta sua parte do Universo com extrema arrumação, perfeita harmonia. Também mantinha sua parte do Universo infinita. Controlava bem as fronteiras de seu Universo, e mantinha a infinitude de sua amplitidão. A Ordem vivia harmoniosa em seu mundo, onde o que era sempre seria e jamais deixaria de ser, ao tempo que o que não era não era e jamais viria a ser. Tudo era uma harmonia perfeita, sem mudanças e alterações.

Mas nem tudo era como as forças desejavam. Caos e Ordem eram extremamente poderosos, caprichosos, e estavam insatisfeitos com o que eram. Mas, mesmo com todo o poder que tinham, não podiam deixar de ser quem eram, ou mudar suas essências. E foi neste ponto que a Ordem teve uma brilhante idéia.

A ordem resolveu organizar toda a parte do caos, e pediria para o Caos desorganizar parte de seu Universo. Mas não poderia deixa-lo livre, ou tudo continuaria como estava.

Chamou então o Caos para uma conversa, e este, maravilhado com a possibilidade de trabalhar no plano da Ordem, resolveu com ela agir.

Ambos então, de primeiro passo, resolveram derrubar as fronteiras de seus Universos, de forma que ele se tornasse uno. Decidiram, por ponderações da Ordem, manter o Universo infinito. Mas como o Caos não era bom em receber ordens, manteve o Universo finito, mas tomou cuidado para fazer com que a Ordem pensasse sempre que era infinito. Conclusão: espelhou o Universo dentro de uma caixa octogonal de tamanho sequer compreensível, de forma que, quando vislumbrado, jamais seria possível se avistar o seu fim. Um perfeito trabalho do Caos, o finito infinito.

Como mudar ambos os mundos era uma tarefa difícil mesmo para tão poderosas forças, a Ordem criou a solução. Condensaram todo o Universo conhecido em uma enorme massa, e o explodiram, e deram a esse fenômeno o nome de Big-Bang.

Com essa explosão, tudo começou a se espalhar e se recriar desordenadamente, por imposição do Caos. Lentamente, então, a Ordem analisava e controlava toda a expansão do Caos, controlando para que tudo evoluísse e mudasse sem se destruir.

Um incontável tempo depois, era possível se analisar a obra-prima da Ordem, um planeta pequeno e modesto chamado Terra, onde habitavam fantásticas criaturas em uma harmonia mais fantástica ainda, sendo, em poucas vezes, influenciados pelo Caos, através do clima e fenômenos considerados naturais.

Mas o Caos era caprichoso e orgulhoso, e não queria que apenas a Ordem influenciasse, e não aceitava a quase-perfeição da Terra. Decidiu, então que, por acaso, um enorme meteoro caísse na Terra, matando quase tudo com sua queda e suas grotescas alterações no pequeno planeta.

Mas a Ordem também era caprichosa e orgulhosa, e mais uma vez decidiu organizar a bagunça. E tudo ia extremamente bem, não fosse por um vírus colocado secretamente pelo Caos no pequeno planetinha.

Bilhões de anos após a queda do meteoro, o planeta já estava completamente organizado, mas o vírus havia evoluído, e estava prestes a começar a agir.

O vírus, chamado de ser-humano, acreditava em si mesmo como a criação absoluta, suprema. Pensava que Ordem e Caos eram forças distantes e já extintas, e se acreditava como sendo o dono do planeta. Considerava-se a única criatura inteligente do Universo, e que seu planeta era o único, em toda a criação, que possuía vida, exatamente como o Caos desejava...

Sem nada perceber, a Ordem deixou os humanos livres. Conseqüência: alterações infinitas na geografia do planeta, manipulações genéticas de evolução, guerras, armas nucleares, chacinas, extinções, desmatamento, caos... de tudo o que fora criado, era apenas o ser-humano que não conseguia viver em harmonia com o meio em que estava...

Ainda hoje, a Ordem desconhece o vírus implantado pelo Caos para destruir sua criação suprema. Ou, talvez, ela até mesmo conheça o vírus, mas esteja permitindo que ele aja, para que possa destruir tudo para que, mais uma vez, possa reconstruir e reorganizar.

Eduardo Setzer Henrique
Enviado por Eduardo Setzer Henrique em 12/10/2006
Código do texto: T262957
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Sobre o autor
Eduardo Setzer Henrique
São João Del Rei - Minas Gerais - Brasil, 32 anos
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Eduardo Setzer Henrique