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Um Coração Nas Trevas: um sistro negro e um baú vazio.

Salut! Nous naviguons, ô mês divers...

Dados rolam sobre o sinistro pano negro da mesa, o que isto significaria diante da eternidade de seus olhos?
Sinto sede, a garganta me aperta, mas o cálice de vinho ao meu lado me faz lembrar o doce de seus lábios e o aroma que o vento traz lembra seu hálito.
Não consigo pensar em outros motivos, é para ti apenas que minha mão vibra no espaço em branco. Em frias águas recoloco-me no passado de 15 minutos atrás.
As pessoas rien de ti, tu choras a crueza que sobre eles virá. Pare e olhe o sol e o doce Parnáso em que elas vivem, não habitam tuas trevas, o teu mar do eterno aspirar da noite que nunca acaba, mas ainda assim isso é bom... tens sempre como olhar as estrelas, ja deveria ter tirado seu destino de lá.
Certa feita, nas ruas de Espanha, uma cigana me disse:
- "Posso ler o destino que tens na palma de sua mão?"
Deixei-a fazer isto, a bela noite estava para a poesia do momento, e  sempre é bom ter com que se sonhar, mas no fim o céptico dentro de mim acabou com meus castelos de cartas, não sobrou nem mesmo uma carta de copas intacta... "O destino estava de fato em minhas mãos e cabia a mim construí-lo".
Hoje ao me sentar, olhar o céu, o mar.. longe de cálidas lágrimas a almeja responder os enigmas que meu "id" me propõe,  aos poucos me descubro em minha própria escrita e cada vez mais descobro que ela não dependerá de mim.
Eu ainda sei diferenciar um sagüi de um saquinho de suco, sei ver que uma Frau [D] não é necessariamente uma fraude e que nem tudo está em Leminski, mas toda a poesia encontra seus limites ao léu.
Ainda posso ouvir o blues tocando lento, mas rapido toca meu coração. Por que foges para longe de mim? Por que não trazes teu destino para junto de mim?
Sinto-me encerrado em um baú vázio, armado apenas com um cistro negro, eis o meu momento fúnebre... eu busco outro coração que como o meu não conseguiu galgar os degraus do Inferno e nenhum Virgilio o quiz ajudar...
Estas portas infernais onde não há mais esperança devoram-me o brilho dos olhos, mas eu ainda sei esperar.
Só espero que não seja tarde quando te encontrar.
Doces venenos percorrem minha alma e me embriago de poesia, li hoje quase duas páginas do livro dum poeta místico e ri como quem tem chorado muito. O riso sacastico da Monalisa prende meu coração, seu enigma esta na doce verdade. Eu perdi este jogo, bem o sei, mas por uma noção de honra ao meu doce anjo da morte, permanecerei vivendo e movendo minhas poucas peças, porque no fim valerá bem mais destruir   máscaras, sabendo que o que eu quero aqui é me alimentar de impressões, sentimentos, mas sem mergulhar em Debussy e/ou nas palhetas de algum Diderot ou de um Kandynski.
São apenas conjecturas, vãs, vagas e vazias... não sei, tu o dirás!
Eis a razão pela qual lhe entrego em mãos isto, talvez seja mais meu do que seu, talvez não tenha sequer um bom motivo para existir, mas talvez ainda (eis o que espero) tu possas perceber neles o que eu busquei e não consegui me fazer entender, porque afinal, no final de tudo, navegar é preciso, mas viver... viver não é preciso!
Esta foi minha vida nos bosques da ilusão perseguindo sombras e vultos longiquos que cada vez mais se tornam distantes, mas nem por isso deixo de querer alcança-los.
Há esperança em ter esperança?
Ev
Enviado por Ev em 25/10/2006
Reeditado em 25/10/2006
Código do texto: T273408
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Sobre o autor
Ev
São José - Santa Catarina - Brasil, 29 anos
56 textos (2760 leituras)
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Ev