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Descoberta


Sabe aquelas coisas que não combinam?Tipo água e óleo?Vatapá e feijão?Casaco e chinelo de dedo?Sabe?
Pois é, coisas tão díspares como as supra citadas, podem a qualquer momento, sair do mundo mítico e tornarem-se reais.
Wegga, uma típica alemã de quase dois metros de altura, diplomada em Sorbonne,alimentada durante anos pelos mais refinados pratos da culinária mundial,vestida por estilistas da alta-costura e muito,muito esnobe. De acordo com a descrição pergunto: Wegga e samba combinam?
Acontece que, em uma ensolarada manhã, ao dobrar uma esquina das ruas de Berlim, quando estava a caminho de um casamento com seu marido, Hans, ao volante do luxuosíssimo carro, ela se deparou com um grupo de brasileiros fazendo festa com uma bateria de escola de samba. Assustadíssima, assistia a tudo e tecia comentários preconceituosos com seu aristocrático esposo:
-Meu Deus!O que é isso?Quem são eles?
-Não sei querida, devem ser africanos.Parecem felizes...
O bando eufórico foi em direção ao carro e, expansivamente, abriu a porta “convidando-a” para dançar.Quando deu por si, já estava no meio da massa que batucava aos gritos de é hexa,é hexa!!
De repente, não mais que de repente, ela foi sentindo seu corpo mexer involuntariamente, suas pernas ganharam vida própria e sambou parecendo estar incorporada por alguma entidade.Sambou bonito, com a desenvoltura de uma passista, com os pés no asfalto, seus sapatos Ferragamo (feitos sob medida!!) foram lançados ao alto junto com seu caríssimo sobretudo e do rosto,tratado com o que havia de mais moderno no mercado dos cosméticos,escorria um suor diferente.Ela sorria, sem pose, sem frescuras.
Hans não acreditava no que via, aquela não era sua mulher, a dama que só freqüentava grandes salões, o melhor do Jet Set internacional, estava ali, dançando louca, descalça na rua com pessoas cuja nacionalidade desconhecia...
A altiva alemã parecia não caber em si, era a mais animada do bando:
-Dê-me um pouco de água, por favor!(pediu a senhora ao vendedor)
-Isso não é água é cachaça!
-Não conheço, mas serve!
-Quer a dose?
-Não, a garrafa!
E surpreendentemente, “entornou” um litro de cachaça pelo gargalo acompanhando um churrasquinho de carne com origem duvidosa.Comeu um, dois, três, até saciar sua fome.Não conseguia parar, era tudo tão novo, tudo tão bom.Como não conhecia aquela sensação?Devidamente alcoolizada, Wegga seguiu com todos em sua catarse esquecendo do resto do mundo e após percorrer por quase todas as ruas de Berlim, ela chega em casa e seu marido desesperado pergunta:
-Você está bem, amor?! O que houve?Perdi você de vista, te procurei tanto....
Ela suspira, ainda com resquícios de álcool no corpo e diz:
-Estou ótima!Estou criança!
Rachel Souza
Enviado por Rachel Souza em 07/11/2006
Código do texto: T284963
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Sobre a autora
Rachel Souza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Rachel Souza