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O Elefante e a Formiga

Há muito, muito tempo atrás, em meio à savana africana, havia uma grande comunidade de animais que viviam relativamente em paz uns com os outros a não ser com o seu rei.

Não, seu rei não era um leão, como acontece em outras fábulas. Seu rei era muito mais poderoso, quando ele passava os leões o reverenciavam e veneravam, temendo a sua fúria; os tigres se escondiam no matagal, tenebrosos; os ursos entravam em suas cavernas e de lá não saíam até que o rei estivesse fora de vista; os hipopótamos submergiam no leito de seu rio; e até os rinocerontes tentavam se esconder o melhor que podiam.

Seu rei era um enorme elefante, talvez o maior elefante de todo mundo, suas presas eram tão grandes que quase se entrelaçavam, sua tromba chegava tocar o inicio das pastas, quando levantava suas orelhas juntas, era como se sua enorme cabeça triplicasse de tamanho, e quando se punha de pé era mais assustador que o mais terrível monstro imaginável na noite mais gélida e sombria. Enfim, ele era mais que um mamute.

Talvez as únicas coisas naquela savana maiores que o seu poder fossem apenas o seu orgulho e seu egoísmo. Ele se divertia amedrontando todos os animais e, às vezes, até ferindo-os.

Provavelmente por isso não tivesse amigos, nem família. Ou talvez a falta de amigos e de uma família o tivesse tornado assim. Mas ele não ligava para isso, achava que outros elefantes poderiam ser uma ameaça ao seu “inquestionável poder”. Aliás, era só nisso que ele pensava: no seu poder.

Um dia o elefante estava fazendo seu passeio matinal e, como era de se esperar, nenhum bicho cruzava seu caminho, nenhum bicho sequer ousava invadir o campo de visão real. O elefante caminhava vagarosamente, na verdade estava desfilando como modelo de força para ser admirado por todos. Nem mesmo as árvores eram poupadas se cruzassem seu caminho!
Parou em frente ao rio para beber água, os hipopótamos e crocodilos junto a todos os peixes tremiam com medo de serem vistos. Mas uma pequena formiga com as presas avantajadas e olhos arregalados mancava desengonçadamente na margem, tranquilamente.

O elefante parou e pôs-se a observar a formiga. Como era feia, pequena e desengonçada! O elefante não se contentou e pôs-se a insultar a formiga:

— Credo! Que animal horrível, que presas enormes para um corpo tão magrelo e que caminhar desengonçado! Como é pequeno, fraco, quase microscópico e insignificante! Com certeza essa é a criatura mais feia, fraca e desprezível de toda essa savana, talvez do mundo!

Olhando mais perto viu que a formiga possuía seis patas e uma delas estava quebrada

— Cruzes. Ela tem seis patas, é mesmo uma coisa horrível e nojenta de se ver. Olha só, uma perninha quebrada, então é por isso que você é tão desengonçada. Pensei que fosse só por ter que suportar esse cabeção com esse corpinho tão fraco e pequeno. O que um animal tão insignificante quer comigo o animal mais forte, bonito e inteligente de todo o mundo?

A formiga nada falava, e continuava a caminhar tranquilamente, o que deixava o elefante cada vez mais irado.

— Como rei dos animais, é meu dever livrá-lo de todo o seu sofrimento!

E, ao terminar de dizer estas palavras, levantou sua gigante, musculosa, ameaçadora e quase indestrutível pata (se acham que estou exagerando, imaginem-se no lugar da formiga) e a depositou levemente sobre a pobre formiga reduzindo-a a uma sopa gosmenta na qual suas vísceras esmagadas flutuavam levemente.

E depois, terminou de beber sua água tranquilamente e pôs-se a descansar. Acontece que aquela formiga era a rainha de uma colônia de uma espécie rara de formigas existente apenas naquela região da savana. Eram formigas carnívoras! Das mais perigosas imagináveis, com uma única mordida poderiam arrancar a pele de um ser humano, e apenas cinquenta delas eram necessárias para devorá-lo.
O elefante já começava a entrar em sono profundo quando sentiu uma leve coceirinha que foi aumentando e tomando conta de todo o seu corpo. A coceira aumentava cada vez mais e já estava incomodando-o quando se transformou em dor. No começo, apenas uma espetadela ali, outra aqui, mas aquilo foi subindo de nível e em pouco tempo se tornou uma dor insuportável, como se agulhas espetassem cada milímetro de se enorme e robusto corpo.

O elefante abriu os olhos e viu que sua pele não estava mais acinzentada como antes: estava negra! Da cor de milhares, talvez milhões, de formigas que fincavam suas presas em sua pele, cavando cada vez mais, e entravam em todos os seus orifícios, como as narinas e ouvidos.


Desesperadamente o elefante rolava de um lado para o outro tentando se livrar das formigas, mas, quanto mais ele matava, mais apareciam. Sua pele já havia sido quase totalmente devorada quando o elefante entre choros e gemidos, pronunciou suas ultimas palavras:
 
— Eu, que me considerava o mais poderoso animal a caminhar sobre a face da Terra, morto por míseras formigas!

Morais:
• A união faz a força.
• Não julgue aos outros pela aparência.
• O egoísmo leva à morte.
• Não bata nos outros, pois eles podem ter amigos.
Gabriel Valeriolete
Enviado por Gabriel Valeriolete em 12/04/2011
Reeditado em 16/04/2011
Código do texto: T2903916

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Sobre o autor
Gabriel Valeriolete
Macaé - Rio de Janeiro - Brasil, 20 anos
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