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O criador de Mundos

O CRIADOR DE MUNDOS


Apesar do casamento ter sido arranjado pelas famílias, Alexandria e Enás eram um casal feliz. Aprenderam a se amar e a se respeitar com o convívio.
- Enás, tenho uma coisa para te contar. Estou grávida.
Uma mistura de surpresa e contentamento tomou conta do marido. Este mesmo sentimento permaneceu seguidamente por onze vezes. Tiveram onze filhos. Na seqüência: Meca, Teodoro, Jonatas, Jamile, Mota e Mario (esses nasceram siameses, grudados por um lado do corpo), Samanta, Fauzi, Selena, Danton e Fausto.
Era uma família grande e barulhenta. Unida a princípio, mais pela força do sangue do que pelo amor entre irmãos.Meca era a mais velha. Moça vaidosa, cheia de vontades. Adorava namorar.Teodoro era o revolucionário. Autoritário e de bonitas feições, mostrava seu poder entre os irmãos mais novos .Jonatas o mais carinhoso entre os irmãos. Gostava de poesia e fotografia. A responsabilidade estava na sua qualidade mais primorosa. Jamile era a mais risonha. Sempre tinha planos. Começava a executa-los, porém sempre parava na metade. Nunca conseguia ir até o fim de um sonho ou dever. Mota e Mario, os siameses. Era impossível a separação por cirurgia, tendo que permanecer unidos por um corpo, separados por cabeças diferentes. Por isso viviam brigando. Queriam liberdade e independência. Nunca conseguiram chegar a um acordo.Samanta não conseguia ir bem na escola. Sempre desatenta. Parecia viver no mundo da lua. Fauzi gostava de música, mas se envolvia sempre com as piores companhias, causa de muitas preocupações para os pais. Selena era calada, observadora e tímida. Vivia fechada em seu mundo e não expunha suas opiniões à ninguém. Chegava, às vezes, a ser submissa, aceitando ordens sem contestar. Danton era ambicioso. Sua maior paixão era o dinheiro. Poderia fazer qualquer coisa para consegui-lo. Fausto, o mais novo, ainda era muito imaturo e dependente. Por mais conselhos e exemplos que aparecessem à sua frente, tinha dificuldade em assimilá-los e, conseqüentemente, crescer.
Viviam em Maktra, um planeta onde a lei do mais forte imperava. A solidariedade não era notória. Todos queriam tirar vantagem sobre todos. Estavam acostumados a isso, pois não conheciam outro mundo. E essa situação de rivalidade fez com que a inteligência fosse além de nossa imaginação, com máquinas, equipamentos e veículos indescritíveis. Assim viviam a maioria das pessoas.  Somente Jonatas, com a mente de poeta e sonhador, sonhava com um mundo diferente, sonhava com uma vida diferente.
Neste mundo caótico, aos poucos, vários líderes vão surgindo entre grupos que se formam. Todos propagando e procurando interesses pessoais, evidentemente recheados de ganância. Esses grupos vão se unindo através de acordos, não só de palavras mas monetários também. Até que essa união se transforma em duas facções. Simplesmente duas correntes antagônicas se separam para reivindicar quem exerceria o poder absoluto dali por diante e quem teria total controle sobre o poder econômico.
A violência nesta época, tornou-se rotina. A escravização de pessoas e o direcionamento obrigatório para uma ou outra facção virou coisa comum. Todos eram obrigados a tomar partido da Áurea – grupo que queria o poder, com algumas qualidades humanitárias como assegurar trabalho para o chefe de família, porém quem possuísse maiores riquezas, possuía também maiores privilégios. Ou então tomar partido de Famia – grupo interessado no poder e riquezas que estivessem disponíveis ou não. Incluía o direito de invadir casas e propriedades para roubo e saques.
Os homens da família de Alexandria e Enás foram chamados para guerra. Exceto Mota e Mario, devido a seu problema, foram autorizados a ficarem em casa. O que não era de todo tranqüilizador pois em busca da liberdade, os dois faziam uma guerra própria. Enás e seus filhos optaram pertencer à Áurea, já que possuíam alguns poucos bens e não queriam perdê-los, além de conhecer pessoas influentes ligadas a essa facção.
A guerra foi trágica para todos, mas principalmente para esta família, onde a vida não perfeita, porém rotineira, se transformou numa verdadeira avalanche de acontecimentos brutais.
Ligado à grande hierarquia da facção Áurea, e com a ânsia de vencer a qualquer custo, Enás articulou um plano que fugia a todas as regras morais e as leis que regiam aquele planeta. Foi procurar Anai, um mago negro que vivia em uma caverna. Este não possuía nenhum bem, mas também era simpatizante de Áurea. Enás contou-lhe o plano. Anai arregalou os olhos e disse:
- Você está louco Enás? Isto vai contra todas as leis de Maktra e também contra todas as leis da magia.
Enás não deu ouvidos ao mago. Fez vários outros contatos, estudou com afinco, se preparou bastante. Quando se sentiu pronto, simplesmente utilizou todo o seu conhecimento e sua força para aplicar em magia e obter controle sobre todas as forças da natureza. O plano tinha tudo para dar certo. Se o oponente não se rendesse, simplesmente ele destruiria todas as regiões do planeta onde os Famia se escondiam. Toda a concentração de energia, todas as palavras mágicas, todos os pontos a serem atacados, tudo estava muito bem planejado e estruturado, tudo pronto para ser utilizado caso fosse necessário.
Jonatas, o mais carinhoso dos filhos, seguia seu pai por todas suas andanças. Acompanhava-o até nos estudos de magia, aprendendo muita coisa que mal saberia ele, iria usar num futuro próximo.
A primeira notícia ruim paira sobre esta família. Teodoro, o filho mais velho, morreu numa das lutas entre as facções. Enás, antes mesmo de sua tristeza abater sua mente, preferiu logo a vingança e achou que era o momento certo para executar seu plano. Tudo estava pronto para isto, somente ele não contava com um empecilho. Havia, entre os membros de Áurea, um agente de Famia disfarçado e infiltrado, que com o tempo, tornou-se o melhor amigo de Enás. Este melhor amigo foi também o pior inimigo, pois divulgou todo o plano secreto à facção inimiga, minando assim a possível vitória de Áurea.
Sem saber do agente infiltraldo, Enás resolveu agir. Jonatas o acompanhava. Caminhou vários quilômetros até a gruta de pedra rosa.  Clamou aos deuses todo o poder da natureza, utilizando palavras mágicas e rituais com fogo e ervas. Surge então, no ar, uma claridade imensa. O vento uivava como lobo em lua cheia. Trovões e relâmpagos e até uma pequena garoa. Aos poucos, tudo isso foi abrandando até o sol voltar a brilhar. Então Enás e seu filho Jonatas, resolvem voltar à cidade. Lá chegando, encontra um verdadeiro alvoroço. Havia muito espanto mesclado com alegria. Todos os membros de Famia (a facção adversária), haviam morrido. Enás olha para o filho com olhar de vitória. Porém a vitória se transformou numa derrota infinita para a família de Enás.
Aproxima-se rapidamente uma nave do planeta. Logo vê-se que é a nave do conselho galáctico. Sai dela um homem alto e forte, que vai imediatamente em direção de Enás.
- O senhor é Enás?
- Sim, sou eu
- O senhor e seu filho Jonatas estão presos
- Mas por quê? Pergunta dissimuladamente Enás.
- Uma denúncia foi feita.  E temos provas que o senhor foi o causador de todas essas mortes. Afirmou o representante do conselho galáctico.
Aquele que se tornou o melhor amigo de Enás, ao saber do plano de destruição dos membros de Famia, partiu imediatamente para a sede do Conselho Galáctico para dar parte de Enás.
A desgraça se abateu. Enás foi condenado à prisão perpétua. O resto da família, como não tinha mais quem trouxesse o sustento, foi condenada à escravidão. Jonatas, por ter ajudado o pai, foi obrigado a tomar uma poção mágica que o obrigava a nunca mais morrer e foi expulso daquele planeta.
Jonatas não aceitou esta pena. Tentou lutar. Pediu perdão, mas de nada adiantou. Seu destino era ser eterno e vagar pelo Universo eternamente. E assim foi. Andou pelo Universo a fora, não encontrando mais nenhum planeta habitado. Porém ele sonhava. Sonhava com o mundo que todo poeta imagina. Era esse mundo que ele queria para sua família. Sabendo das fórmulas que seu pai usou no passado, resolveu usar também. Desta vez não para destruir, mas sim para criar.
Usando todo o poder que possuía, invocou todas as forças do Universo. Uma explosão fantástica. Do nada criou-se tudo. Foi feito um mundo no qual Jonatas sempre sonhara. Onde todos, apesar de diferentes, possuíam as mesmas posses e sobravam qualidades. O ler e escrever era fundamental. A paz reinava. A felicidade dos seres era notória. A justiça imperava.
À este mundo, Jonatas deu o nome de Terra. Ali viveu por toda a eternidade com sua criação e seu mundo de sonhos.
Alma Collins
Enviado por Alma Collins em 15/11/2006
Código do texto: T292181
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Sobre a autora
Alma Collins
São Paulo - São Paulo - Brasil, 55 anos
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