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O MAL-ENTENDIDO

O MAL-ENTENDIDO
(Jajá de Guaraciaba)

               Lá pelos anos cinquenta do século passado, o ensino básico era muito mais evoluído do que o dos dias de hoje.
               Nós aprendíamos com a professora de ciência, além de outras coisas, que o corpo humano compunha-se de cabeça, tronco e membros.
               Uma vizinha, que estava na minha classe, que não vem ao caso dizer o nome dela agora, muito inteligente, memorizava com facilidade toda a matéria que nos era ministrada.
               Quando adolescente ainda, ela era obrigada pela mãe dela, que era muita católica, beata até dizer chega, a se confessar e comungar todos os domingos.
               Numa dessas confissões, o padre lhe perguntou se ela tinha namorado no que ela confirmou prontamente. Perguntou-lhe também, se ela pegava no membro do namorado, e ela, com toda a naturalidade, confirmou, dizendo que pegava sim, todas as vezes que o encontrava. O pároco, então, indignado por esse terrível “pecado mortal”, mandou que ela rezasse ajoelhada em penitência por três horas.
               Com lágrimas nos olhos e joelhos vermelhos, quase sangrando, ela comentou na saída da igreja com uma amiga mais velha o que havia ocorrido:
               -Puxa vida, não posso nem pegar no braço do meu namorado!...
               - Ué, por que não? Interrompe a amiga antes mesmo de ela terminar a frase!
               - Porque o padre me deu uma penitência danada por que quando ele perguntou se eu pegava no membro do meu namorado eu disse que sim...
               - Ah! Exclama a amiga. Quando o padre perguntou se você pegava no membro do seu namorado ele quis dizer pênis e você, lembrando na nossa professora, entendeu errado... Para o padre, membro é pênis, quando pra você, é braço, entendeu? Daí é que surgiu essa confusão danada. O que houve foi um mal-entendido daqueles... Entendeu agora minha amiga!
               Daquele dia em diante minha vizinha nunca mais se confessou...
Jajá de Guaraciaba
Enviado por Jajá de Guaraciaba em 23/04/2011
Código do texto: T2925963

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Sobre o autor
Jajá de Guaraciaba
Pilar do Sul - São Paulo - Brasil, 71 anos
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