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A saga de um Herói apaixonado – Parte Um

Cansado e quase desistindo da batalha nosso corajoso guerreiro caminha cambaleando. Desistir? Pensa ele... É uma possibilidade...
- Para que continuar?”...
Sentou-se numa pedra e por um momento se esqueceu dos dragões que o atacara a poucos instantes o desânimo era palpável...
Mas apesar de tudo isso ele tinha esperanças de vê-la novamente, e isso dava-lhe ânimo para prosseguir, e foi justamente isso que o moveu tão rápido para se esquivar dos novos ataques dos dragões que agora eram mais que os primeiros... Com um escudo furado, uma espada sem corte e um capacete que ao invés de protegê-lo estava dificultando-lhe a visão, teve que jogá-lo fora, sua armadura não existia mais e sua inexistência trazia-lhe a memória as batalhas que tinha travado contra inimigos ferozes. Suas garras afiadas lhe rasgaram toda a malha de sua armadura, sua couraça foi destruída depois de ter recebido um golpe de arte milenar do guerreiro Ajax quando na batalha dos sete montes, e foi com a morte de Ajax que ele obteve o conhecimento de que sua amada Sam estava na Fortaleza de Kanzin, foi difícil vencê-lo, pois em cada um dos montes tinha uma versão mais poderosa do mesmo Ajax.
No sétimo monte perdeu sua couraça, e foi desprotegido a caminho dos dragões, pois para chegar a Fortaleza de Kanzin teria que passar pelos guardiões da mesma, os temíveis dragões de poderes milenares em suas garras afiadas e asas gigantescas, verdadeiros lança-chamas com suas gargantas ardentes e de corações fumegantes. É onde se encontra nosso herói, com um escudo furado, tentando se livrar das chamas lançadas pelos monstros alados. Num desses golpes teve a infame ideia de se defender com o escudo... Triste ideia, pobre herói... Tinha que jogar o escudo fora também, mas antes ele iria servi-lhe para algo... Esperou o momento certo em que um dragão se preparou para lhe jogar uma catarrada fumegante, lançou o escudo como um disco, usou de sua perícia, calculando nos micro-segundos que lhe restava para acerta a boca daquele demônio voador, o dragão engasgou-se com o escudo e com sua larva fervente e ainda no ar começou a cair, sua garganta começou a crescer, seu pescoço que antes era delgado ficou grosso e explodiu...
Ele vibrou em seu coração, era o único lugar em que podia vibrar agora... Faltavam ainda onze dragões para abater, mas, teve um pouco de alívio, pelo menos eles não são invencíveis, pensava consigo mesmo... Correndo de uma rocha a outra para fugir das chamas foi encontrando peças de armaduras deixadas por seus antigos donos, foi então que percebeu que não era o primeiro a investir numa missão como aquela. Encontrou uma espada com o corte ainda em bom estado, tentou fazer com sua velha espada o mesmo que fez com o escudo, o dragão foi mais esperto que ele dessa vez, se esquivou da espada que ia em sua direção no ar e como contra ataque mandou as emissárias da morte para o nosso herói, ele mergulhou do lado oposto ao ataque e rolou várias vezes no chão e deu de cara com uma lança na mão de um esqueleto sorridente, ainda teve ânimo de fazer uma piadinha com os ossos do morto...
Encostado na rocha da caverna olha para fora pela borda da entrada e teve que se recolher com rapidez, pois vinha entrando na caverna um dragão ancião, escalou um pouco a parede da caverna de modo que ficou meio que num eixo diagonal com a entrada da caverna, foi quando a cabeça do dragão começou a aparecer, esperou mais um pouco, mais um pouco... O dragão não vendo ninguém no seu raio de visão ergueu a cabeça para olhar para cima... Uma lança descendo com a fúria de um guerreiro encurralado cravou-lhe a cabeça no chão da caverna, o nosso guerreiro pulou em seguida em cima no pescoço do dragão que conseguiu descravar a cabeça do chão e com ímpeto saiu rapidamente da caverna voando sem direção, aturdido e desequilibrado, os outros dragões bem que podiam atacá-lo mesmo em cima de outro dragão, mas aquele dragão era o ancião deles, o seu mestre e chefe maior... O dragão foi voando muito rápido em direção ao fim do vale dos dragões, seu território.
Quilômetros depois o dragão cai sem vida, antes de o seu corpo tocar o chão nosso herói Jó pulou rolando em terra ficando distante do grande monstro de boca chamejante. Deste lugar dava pra ver ao longe a Fortaleza de Kanzin, perguntava-se o que estaria acontecendo... Em que ela estava pensando... Onde exatamente ela estava agora... Olhou distante para um monumento de grande estatura e se fez em direção dele. Depois de muitos montes e colinas dava para ver com clareza o que era o tão grande monumento. Era um edifício com muralhas muito altas, com várias torres posicionando nos cantos da muralha, no pátio erguia-se um prédio de vários andares que terminava com uma torre muito alta onde havia muitas janelas. Por cima da torre havia um dragão sobrevoando-a com toda sua opulência de jovem, sabia que ali estava sua amada Sam, pois acabara de encontrar a Fortaleza de Kanzin.
Continuou a caminhar e descobriu em si o desejo de vê-la agora mais do que qualquer outro momento, mas estava muito longe ainda da Fortaleza. Olhando para frente viu algo um pouco distante lhe chamar a atenção com um brilho reflexo do sol, chegou próximo e notou que se tratava de um objeto, aproximou-se mais e encontrou ali uma luneta ao lago de um cantil de água e de um manto de alguém que era nobre, talvez algo morador da fortaleza que foi devorado pelas feras do campo... Rapidamente pegou a luneta e apontou-a em direção a Fortaleza, viu coisas que o desanimou muito... Antes da entrada havia um rio com uma ponte erguida por grandes correntes, duzentos soldados armados até os dentes fazendo a segurança do local, subindo a visão um pouco, viu nas muralhas outra quantidade de arqueiros não muito atrativa, todos com lanças com setas ou tochas para serem acesas e lançadas na direção de quem ousasse invadir o território de Kanzin...
Levantou um pouco mais o ângulo da luneta e viu depois das muralhas acima de sua altura os andares erguidos abaixo da grande torre, esta tinha uma escadaria serpenteando-a até o topo que tinha como um observatório uma cobertura e um telescópio... Conseguiu ver algo que lhe tirou o fôlego... Ela... Numa das janelas estava sua amada Sam, deteve-se a observá-la, a lhe prestar atenção... Ela estava linda, estava com os cabelos soltos na altura um pouco abaixo dos ombros, cabelos negros que lhe lembrava uma cachoeira de pérolas negras. Lembrou-se da fragrância que exalava deles todas as vezes que o cheirava com carinho e ternura, momentos aprazíveis... Seus lindos olhinhos negros como o fruto da jabuticabeira, eram como estrelas que ainda distantes ele sentia seu brilho tocar-lhe o coração, seu brilho é palpável... Seu nariz, um monumento um marco no meio de uma colina entre dois montes floridos, com rosas e orquídeas raríssimas... Sua boca, porta de entrada para o paraíso de satisfação eterna, um céu de prazeres infindos e de desejos profundos, um lugar de maravilhas, fonte de mistérios insondáveis que quero perscrutá-los com toda força e vontade que há em minha alma... Seus lábios são irresistíveis, molhados, umedecidos, sedosos, sensíveis, vermelhos, rosados, desejosos... ardentes...
 Sua face é a compreensão mais plausível do belo, és como as esculturas dos melhores escultores de rochas, uma beleza marmórea brota da face tua, encantas a mim todos os dias, todas as vezes que te vejo, és um imã para minha alma, não consigo estar no mesmo lugar que você e permanecer distante de ti... Tua face me busca do lugar mais distante e remoto possível e me leva com atração irresistível para ti, não precisa de muita coisa, basta apenas me chamar, não é eu mesmo, algo como que um dispositivo é pressionado em mim e não me obedece meus músculos e membros como se não fossem meus, e inconscientemente vou para ti, mas no final é prazeroso, sempre é prazeroso estar contigo... E todas as vezes em que lembro-me de ti eles começam a me desobedecer, já não estranho mais, pois sei que eles me levarão a ti, para uma contemplação sublime do ser mais maravilhoso e terno que existe...
Teu pescoço é como uma torre que se ergue para defesa de um território que é só teu, teus ombros são como de mármore, teus braços são como lindos cisnes nadando num lago calmo e tranquilo, e por serem calmos consigo te colocar nos meus braços, eles não se debatem quando me aproximo deles, isso é impagável e maravilhoso... Teus seios, jardins suspensos da Babilônia, são bem delineados, bem desenhados, formosos... Ah maravilha de jardins... Nestes jardins encontro... ... ... A paz que tanto busco... São como tâmaras egípcias, frutos de uma parreira israelita, chupar dessas uvas e tâmaras valerá por toda uma vida. Teu ventre é como um vale frutífero e produtivo no tempo da sega, lírios há nele... Toda uma plantação exótica de árvores tropicais que nos concede frutos e sombra... Reclinar minha cabeça neste vale será um sonho... Teu umbigo, uma taça do mais puro vinho, uma mistura que me deixa embriagado todas as vezes que o tomo... Como amo embriagar-me com esse vinho!
Teu quadril é maravilhoso, amplo e vistoso, maravilhoso... Tuas coxas, não existe comparação... Tuas pernas, bem torneadas, lindíssimas... Teus pés... São um mimo... Tuas mãos... São como de fadas... Tu mesma... ... ... ... És minha essência...
Depois de ter analisado todos os aspectos da prisioneira, sua amada Sam, pela qual ele estava nessa missão. Ignorou os duzentos guardas à porta da Fortaleza e também os arqueiros nas muralhas, todo aquele espantoso monumento era nada comparado com ela... Iria passar por perigos de morte, mas valia a pena... Não iriam pegar leve com ele, mas iria valer a pena depois que ela estivesse em seus braços ou ele nos braços dela dependendo das condições em que se encontrasse. Começou a bolar um plano e fez as pontuações do lugar. Torres altas com arqueiros nelas e nas muralhas ao redor da Fortaleza, muralhas muito altas e escorregadias, impossível acesso por elas. Duzentos homens super armados fora da porta sem contar com os de dentro, esses são apenas para dar o sinal de ataque à vista, ainda tem uma ponte elevada por sobre um rio e um dragão sobrevoando o lugar... Disse consigo mesmo. – é moleza!!! Amada minha, aí vou eu, aguarde-me como seu herói que vai te salvar desse isolamento eterno. Por você vou até o fim do mundo...
José Wilker da Silva
Enviado por José Wilker da Silva em 26/08/2011
Código do texto: T3182966
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Sobre o autor
José Wilker da Silva
Matriz de Camaragibe - Alagoas - Brasil, 31 anos
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