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APOLOGO DOS DOIS ESCUDOS

Apólogo dos dois escudos

No tempo da cavalaria andante, dois cavaleiros armados de ponto em branco (com cuidado, com esmero, completamente), tendo vindo de partes opostas, encontram-se numa encruzilhada em cujo vértice se via ereta uma estátua da Vitória, a qual empunhava numa das mãos uma lança, enquanto a outra segurava um escudo. Como tivessem estacado cada um de seu lado, exclamaram ao mesmo tempo:
- Que rico escudo de ouro!
- Que rico escudo de prata!
- Como de prata? Não vê que é de ouro?
- Como de ouro? Não vê que é de prata?
- O cavaleiro é cego?
- O cavaleiro é que não tem olhos.
 Palavra puxa palavra, ei-los que arremetem um contra o outro, em combate singular, até caírem gravemente feridos.Nisto passa um dervis, que depois de os pensar com toda a caridade, inquire deles o motivo da contenda
.- É que o cavaleiro afirma que aquele escudo é de ouro.
- É que o cavaleiro afirma que aquele escudo é de prata.
- Pois, meus irmãos, observou o darês, ambos tendes razão e nenhum a tendes. Todo esse sangue se teria poupado, se cada um de vós tivesse dado ao incômodo de passar um momento ao lado oposto. De ora em diante nunca mais entreis em pendência sem haverdes considerado todas as faces da questão!

anônimo
Enviado por Mirtrus em 26/03/2012
Código do texto: T3578008
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Sobre o autor
Mirtrus
São Paulo - São Paulo - Brasil
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