Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Nossa Terra, Pesquisa e História

Nós, a Pesquisa e a História

O Sol, Dádiva Divina do Eterno Ser Supremo, levanta todas as manhãs iluminando os mares, as matas e nós, estes pequeninos seres, neste Universo infinito. Nem sempre tomamos conhecimento deste espetáculo grandioso, que ocorre lá fora. O mesmo espetáculo que se repete todos os dias através dos tempos. Tempo, calado e inexorável.  Embora repetitivo este fenômeno, ele jamais causará uma única vez sequer, a mesma impressão em nossas retinas, nem iluminará hoje, o mesmo mundo de ontem.
- Mas, o Astro Rei é o mesmo !
  - "tudo muda, quase tudo  mudou  ! "
... também acontece com garimpeiros, que na sua labuta diária remexem o cascalho do fundo dos rios em busca do tesouro perdido propositadamente pela Mãe Natureza. Embora vasculhem por dias e dias um mesmo local, jamais remexerão os mesmos cascalhos na mesma ordem antes dispostos e o mesmo rio de a pouco. Os seixos mudaram de lugar, mas continuam seixos,  a água do riacho fluiu, correu para o mar ...  mas  era doce ! Continuam sendo verdades !
Nós mudamos ! Como tudo ou quase tudo na natureza ! Mas, não devemos mudar a história que está em nossas mãos. Tirada de locais quase sagrados onde o tempo silenciosamente aplica seu manto, envelhecendo-a, tornando-a mais rara no  seu conteúdo,  deixando-nos mais distante daqueles que tomaram parte dela . Nem ao menos pensar em  maculá-la, acrescentando ou subtraindo algo que a ela não pertença. A verdade contida nestes documentos, é concreta e deverá ser preservada como preserva o Ser Supremo o espetáculo do nascer do Sol. O mesmo espetáculo que os nossos antepassados viram e que as gerações futuras verão.  Passemos nós mas permaneça a verdade.
Assim deve ser o trabalho de um pesquisador. Em respeito ao documento original e ao leitor, que nem sempre terá a oportunidade de lê-lo. Mas se um dia o fizer verá a probidade da cópia, do autor da mesma e  verdade em sua História.
         "Nada fica para sempre escondido''
                     - disse alguém -
Pensando assim Agimos assim, e com nosso trabalho temos a pretensão de informar o futuro, tendo o Espirito da Verdade como nossa Religião.

 Então Temos:-
NOSSA  TERRA

''Sobre os alicerces  do passado, construímos o futuro''

Sabemos algo de nossa historia, dado ao empenho de alguns Descalvadenses, que se dedicaram a colher informações em documentos antigos, como jornais, livros de cartórios, da prefeitura, livros do tombo  de igrejas  até de outros estados,  em bibliotecas, etc.
 Contando com a curiosidade própria dos pesquisadores, vasculhavam pelos cantos esquecidos de prateleiras, cofres e até nos arquivos de famílias.  Tudo que colhiam armazenavam em seus cadernos.  Também as historias contadas e transmitidas verbalmente de um para outro em conversas de roda, nas tardes  após  a labuta do dia. Estas conversas se davam em alguns locais como o Armazém do Figueira (1868) onde se encontravam alguns fregueses como Vicente Maria de Paula Ramos, Antonio Arantes Marques Papa, Guilherme da Silva Guimarães Porto, Vicente de Moraes Salles, e numa destas tardes o padre Antônio José de Castro, compra para sua escrava Serafina, ''hum par de botinas por 8$000(oito mil reis). Era também o Armazém  onde Antonio Franco da Rocha vinha fazer suas despesas e para  isso, tinha que atravessar o rio Mogi-Guaçu, vindo de Santa Rita do Passa   Quatro . Também era ponto de encontro o Armazém do José Carapina (1874), a  ''Venda'' do Antônio Manoel Correa (1877), o Armazém do Joaquim Arruda (1880), o Armazém Umberto 1o. do Ramigio Sbragia na José Bonifácio, 42 - Largo da Matriz - (1890), o Armazém de Secos & Molhados  do Roberto Manicardi     que ficava na Rua Uruguayana,  no nº 24 (1896).  Ainda pelos idos de 1909 , ali   na Rua Cel. Tobias, nº 34  era ponto de prosa  o  comércio do Ferdinando Zaffallon, comércio de café em coco – o ouro negro. Na Cel. Whitaker, a carpintaria do Cirillo Rusca, a Banca de Toucinho do Antônio De Falco, na José Bonifácio (1912). A Casa Bancaria do Vicente Tallarico na Arthur Whitaker. Alguns paravam as tardes, quando vinham do trabalho nos Botequins do Cezar Novaes  na Cel. Tobias, no José Brambilla na Rua Bezerra Paes ou no do Vicente Agostine na Treze de Maio.  A alfaiataria do Casatinho, sapatarias do João Galleti, do Attilio Zambelli, no hotel do Romeu Bonitatibus, onde se reuniam, Juiz ,Promotor, Advogados, Médicos, Artesões, Autodidatas. Sem preconceito ou pretensão  estavam todos aí, na prosa. De milongas aos discursos políticos; desfrutavam    companhias, simples coleguismo, amizade ! (1930)
 O que não tinha nenhum registro gráfico, aí, nesta ''prosa''  era trazida do passado, gravado por alguém, de memóriia,  para servir de assunto nas rodas às tardinhas mais calmas que o resto do dia. Caída a noite, o marasmo só se quebrava com as tênues chamas, poucas candelas, dos lampiões, candeias e candeeiros. Algumas ladainhas abafadas vindas do pé dos oratórios particulares em algum local consagrado nos casarios. Tinham que passar o tempo de alguma forma !
Notas dos dedicados responsáveis pela preservação deste nosso passado, chegarão até nós graças  ao empenho artesanal dos que queriam  preservar nossa historia e que agora nos serve de guia fiel.
Hoje, contamos com auxilio de computadores, internet, e-mail que nos aproxima o mundo,  dinamizando e modernizando o trabalho do pesquisador. Mas, curiosamente, são nos arquivos centenários – no nosso caso, os processos arquivados no Fórum - que ainda encontramos o desconhecido. Nossa verdadeira, pura  imaculada historia !
 Coragem,  luta, persistência, caridade, querelas, litígios, divisões, doações, pequenas historias que de maneira envolvente, emocionante, são retiradas dos velhos empoeirados e centenários cadernos cuidadosamente costurados para que suas folhas não se perdessem, nada se perdeu !
Tantas riquezas em detalhes de uma época ida, mas real. Vão tomando forma em minhas anotações. O passado vai se remontando em ruas casas pessoas ... tudo o que teve um dia vida, agora se reformula e vive em minha mente. Um grande quebra-cabeças vai sendo montado.
Esta historia arquivada em papeis empoeirados, manchados pelo pó da Arthur Whitaker, antiga Rua Alegre -até então nem se cogitava em calçá-la, muito menos imaginavam-na com couraça de paralelepípedos lapidados arduamente nas pedreiras basálticas e periféricas do ''Bellém do Descalvado''. (1873)
Era então a poeira levantada mais regularmente pelo vento, que soprava sul. Também pelas tropas de burros ou boiadas que ocasionalmente cruzavam a então  '' Villa do Bellém'', rumo a alguma das fazendas dos Coronéis, Barões, Visconde, Conde e Marquês  como o de Três Rios ( Joaquim Egydio de Souza Aranha), Barão da Fonseca ( João Figueiredo Pereira de Barros) que eram os grandes proprietários de terras  em nosso município. (1870/1890).
Descalvado, referência  ao morro ao Sul, escalvado pela Mãe Natureza, que servia de marco para os tropeiros,  viageiros e comerciantes, que rumavam para São João do Rio Claro vindo das Minas Gerais ou de outras paragens pouco  exploradas do sertão de São Bento de  Araraquara. (1800/1860)
 Eram muitos os lideiros deste solo. Dentre estes os mais sofridos, estavam os negros, escravos africanos. ''Peças'', como eram tratados – "propriedade de''. Surrupiadas covardemente do seio da Mãe África. Trazidos barbaramente encalacrados nos fétidos escuros porões das naus bandidas. Chegavam  na barra salgada, despejavam os sobreviventes do esquife flutuante, trocando-os por valores malditos que serviriam novamente para comprar, subornar os chefes de tribos africanas,  algozes de seus semelhantes; e mais negros sofridos seriam despojados e despejados sem dó nem piedade em terras brasileiras.
Nossos infelizes irmãos negros, uma vez possuídos pelos senhores, cuidavam  da lavoura, carpintaria - (Severo, pardo, 45 annos, numero de matricula 436, avaliado em 1.400$000 - Hum conto e quatrocentos mil reis, carreiro; Julio preto, 40 annos, n.m. 437, avaliado em 1.400$000, ferreiro;  Julião preto, 40 annos, n.m. 442, avaliado em 2.000$000 - Dois contos de reis-, pedreiro; Martinho preto, 36 annos solteiro, n.m. 445, avaliado em 1.800$000) e calcetagem dos enormes terreiros com suas muradas e casa de pedras sobrepostas e bem prumadas. Nos afazeres domésticos, as negras escolhidas na senzala  pela Sinhá, eram as mucamas (Eufrozina parda, 19 annos, n.m. 500, mulher do Adão Maria de 26 annos, avaliados em 1.000$000 e 2.000$000 respectivamente, costureira; Etelvina parda, 27 annos vinda de Caetité - Bahia, matriculada neste Município em trinta de junho de um mil oito centos e setenta e does,  n.m. 3633, casada com o carpinteiro Estevão preto, 34 annos) Na vigilância, os feitores (Caetano preto, 40 annos, n.m. 471, avaliado em 1.500$000 e o Adão Maria marido da Eufrozina- mucama) por nossas bandas tenho encontrado negros na função. Prenúncio  de uma jurisdição mais branda por parte dos Senhorios. (1885)
Nossa economia:- Centenas de cabeças de gado vacum, bois de carro,  muares com nomes interessantes, engenhos para moagem da cana; obtida a garapa, fazia-se dela o açúcar mascavo, rapadura e a famosa cachaça alambicada em grandes retortas de cobre - misturada a ervas, servia também como remédio  no tratamento das doenças endêmicas, comum   pelas bandas do Mogi-Guaçu. Monjolos, este uma das primeiras ''machinas'' que foram introduzidas neste sertão de São Bento de Araraquara, que servia para descascar arroz, triturar o milho que depois de pilado, ai separava-se o produto em  peneiras de taquara. O fubá, a canjica...  O de porte fino, o fubá  sempre com muita quirela- dada rusticidade na trança do taquari ou taquara -, fazia-se à polenta de horas de fogo –muito comum o fogo de chão ou fogão de tropeiro - para que se cozinhasse muito bem os grânulos mais atrevidos do milho socado. Com a parte rejeitada  e a mais grossa, o quirelão, tratava-se às galinhas no terreiro e  os porcos de ceva. Os  magros reviravam os charcos vizinhos das taperas erguidas de ''pau a pique e cobertas com '' bica de parmito'' - das palmeiras, abundante em nossas matas, era seu caule aberto ao meio e sobrepostos, alternadamente, ora por baixo ora por cima e amarrados com embira; inteiro, eram usados como caibros, vigamentos e do gomo ou porção superior se retirava o palmito, parte comestível.
 Máquinas a vapor  - locomotivas de porte pequeno, sem as rodas  e sem a cabine, de origem inglesa - moviam os enredados complexos de polias, transmissões de força motriz gerada pelo vapor e transferida  para as máquinas de beneficiamento do café, serras para madeira, eixos com pedras de amolar, etc. Este primitivo mecanismo -  hoje primitivo, naquela época (1880-1920) era o que de mais moderno se podia contar  - de muita serventia e vieram mais tarde modernizar algumas propriedades prosperas e grandes produtoras de café,  produto este base da prosperidade de nosso Município. Estivemos entre os principais produtores desta rubiácea.
No transporte carros de Bois – os famosos e saudosos ''carros cantadores'' que enchiam o ar de lúgubre gemido - causado pelo  atrito da madeira (faveiro) do eixo, com a madeira (cabriúva,  jacarandá) da roda, voz do trabalho transportando lentamente o produto singelo, fruto da terra regado ao suor do nosso sofrido obreiro. O seu pão e produto para  o escambo. Os primeiros destes veículos vieram de terras mineiras em comboio, tristes por deixar os seus e indo ao encontro do desconhecido,  formado pelos nossos primeiros povoadores.
Carroções, alguns já com rodas raiadas, sendo seus raios de madeira (cabriúva ou jacarandá) espremidos entre as cambotas (peças de madeira – cabriúva- em forma de meia Lua) e o aro de ferro batido, e  o cubo (peça de madeira – geralmente faveiro por  ter  fibras muito resistente -  torneada em formato de pequeno barril furado em seu contorno de forma a receber os raios que lhe eram espetados e perfurado no centro longitudinalmente para receber a bucha de ferro fundido - o cubo era fervido por cinco horas, ai então receberia os raios e a bucha)  que, injetado pela bucha girava em eixo de ferro maciço. Eram os veículos de transporte usados e fabricados pelos Descalvadenses de antanho; ''Officina de Carpentaria e Ferraria  de Angelo Todescan & Filho Fabrica de Vehiculos , Rua Municipal '' e ''Officina Mechanica de Serralheria  de Vicente Serpentino, Rua Alegre nº 6 '',fabricavam ''carroções, carretellas, carroças, carros,  trolys e trolynhos , consertavam-se as ''machinas a vapor e outras de qualquer qualidade''.

 Graças ao zelo da Justiça, folheamos e encontramos jóias escritas em caligrafias rebuscadas e desenhadas numa ortografia desconhecida, esquecida e estranha a muitos - que respeitamos integralmente para maior fidelidade. Os escrivões, cartorários, estavam entre as pessoas mais letradas, desempenhavam o papel de poucos.  Registravam legalmente nos papeis de linho, como eram chamados os resistentes acolhedouros do líquido roxo ou o nanquim, tinta preta do pó-de-sapato, despejados cuidadosamente pelos bicos de pena - geralmente já  em metal. Esta peça, vista de frente, tem forma de gota d'água. Achatada em concha  fissurada em sua parte alongada, o ''bico da pena''. Eram importadas do Velho mundo, a  Europa.
Neste Relicário antes manuseado pelas mãos da Lei, ora Historia sob sua guarda, resolvia pendências e querelas: -
 '' ... diz o autor ( ... ) contra o Reo ( ... ) por esta ou melhor forma de direito o seguinte e sendo necessário,
- Primeiro – Provará que no dia nove de novembro de mil oitocentos e sessenta e nove, no bairro de ( ... ) districto desta Villa de Bethlem do Descalvado acintosamente matou uma porca do Autor cuja porca era de superior qualidade.
- Segundo Prova é que o Reo depois de ter morto a referida porca conduzia-a para sua caza onde consumia-a contra a vontade e sem authorização do Autor.
- Terceira Provara que a referida porca foi morta pelo Reo fora de suas terras ...

Ou  qualificando, avaliando e dividindo com justiça os bens inventariados: -

-'' Inventario de Antonia Maria da Conceição''- (16-06-1846)
Nesta lagoa alta Districto da Freguezia do Belem do Descalvado termo da Villa de  São  João do Rio Claro sendo ahi presente o actual juiz Municipal supplente o alfferes José da Silveira Franco
Neste lugar denominado Lagoa alta termo da Villa de São João do Rio Claro e sitio do João Mendes de Carvalho ...
Bens: ... quatro capados 16$000... quatro vaccas com crias 64$000 ... três garrotes de anno 15$000 ... cavallo turdilho negro 27$000 ... carro de milho com casca 4$000 ... hum canteiro de mandioca 5$000 ... does colxões 4$000 ... huma fronha $200 ... quatro lençois 1$000 '' e segue : huma caixa pequena, hum vestido velho, huma " balança de pesar ouro'', hum almofariz (pilão), hum bule, três casaes de chicaras ..., três cabeças de aves faisão 1$300, hum creoulo de nome Francisco, secenta annos mais ou menos 150$000, hum escravo de nome Pedro de Nação de idade secenta annos mais ou menos, muito doentio, 110$000 ... O  Escrivão = Joaquim José Gomes
 –O numero dos bens qualificados são  125,  alcançando o valor de 561$000 ( quinhentos e sessenta e um mil reis) Ainda aplicando com seus parcos meios  demarcações das terras que até então  não tinham limites homologados. '' In-loco '' eram então fixadas testemunhalmente pelos presentes convocados :-
  ''... uma parte de terras que ouvemos por erança de nosso sogro e pai ... no lugar denominado  fazenda Caxoeirinha  ... vendemos ao Sr. José Elias de Toledo e Lima pelo preço e coantia de cento e coarenta mil reis ...  José Beltrão Pereira e  Joaquim Pacheco de Mendonça são convocados para assistirem a divisão da ... '' (30-08-1854). Nesta época, no mínimo 80% de nosso Município, assim como toda nossa região, era coberto pela Mata Atlântica.
  Uma das ferramentas usadas era a corda de nó : -
'' uma corda de dez braças de comprimento era apresentada ao Juiz e aos presentes para ser examinada ''  essa medida passava a ser daquele momento em diante, medida oficial. Ela ditaria a demarcação e partição, em quadras,  das terras em litígio, demarcadas amigavelmente, ou simplesmente por sofrer divisão,  por motivo de venda ou partilha por ocasião da morte do detentor, posseiro ou proprietário.

Tendo como referência marcos naturais, como acidentes geográficos: –
'' ... principiando em uma pedra denominada o descalvadinho e seguindo pelo nascente procurando um espigão que verte para o Ribeirão Bonito ...''(1863) , ou  ''... ate frontear com a ponta da Serra da janelinha a rumo da barra do Córrego das pedras...''
Com confrontantes: -
 '' ... dahi rumo a huma cova aonde finda o quinhão do Padre João Vianna ... '', ''...separado ahi por quadra a esquerda ... '', '' ...  ate encontrar a diviza da Fasenda da soledade ... ''  ou '' ... que diviza com as terras de Nossa Senhora ...'' ainda '' ... ate a barra do Pantano divisando com José Ferreira da Silva ... ''(1839)
'' ... divisando com as terras de Ângelo Rodrigues atravessando á rumo direito ... '' ,
'' ... té a Serra descendo pelo cume da mesma Serra abaixo divisando com Joaquim Ignácio da Silva  até a estráda  e por ella adiante té... '' (fda Jacutinga, 08 / 06/ 1830)
Com marcos temporários:-
'' ... até o páo grande ... '' , '' ... até dar num páo de jatubá  e hum cabriuva verde e d'ahi cortando ahum balsamo queimado e torto, marcado em crus ...''
 Não  tínhamos ainda Comarca (foi constituída em 1873) o Juiz  vinha fazer a diligencias em companhia do Escrivão na própria fazenda, onde ficavam até dar por encerrada a questão, razão de estarem ali. Aqui tínhamos então nomeados cidadões de respeito para o cargo de " juiz Supplente '' que poderiam ser em numero de  até três. Seriam então, ''Juiz   Cidadão 1º . 2º. ou Terceiro Supplente ''- Juiz Municipal-  que respondia pelo expediente até a volta do Juiz Titular que era  então tratado, dado ao respeitoso cargo do qual era investido, por  '' Doutor Juiz de Direito''.
  Neste breve resumo, damos, ou procuramos dar nossa colaboração no sentido de trazer ao conhecimento daqueles que se interessem pela nossa historia, caráter fiel de uma faceta do nosso passado que estava e se encontra parcialmente adormecido,  muito bem guardado e conservado por sinal; para a felicidade nossa, os curiosos garimpeiros de relíquias históricas.
Os alicerces fincados a duras penas pelos nossos bravos povoadores, dos quais pouco se falou e quase nada se conhece; o pouco de suas historias que se perdeu na transição oral, agora através deste e de outros relatos procurarei passar nomes de antigos moradores, proprietários de terras, de comércios, profissionais liberais, importantes ou não, para que se saiba quem foram nossos e como viviam nossos antigos conterrâneos.  Alguns ou muitos jamais citados em nossa historia. Falharemos também pois vira alguém que dirá a mesma coisa, que muitos não foram citados por nós e por outros.
Vidas que tiveram e se deram importância, mas que o tempo se incumbiu de sepultar em seu pó; no esquecimento. Impossível para nós, mortais, lembrarmos de todos.  Mas, oremos por eles.
E, assim relatamos uma pequena fiel e honesta parte desta.  Historia desta célula, Belém do Descalvado, que com as riquezas extraídas  de seu solo e com destemor e afinco de sua gente, ajudou a compor o nosso rico, valoroso e querido Estado de São Paulo, parte deste continental e cosmopolita pais chamado Brasil. Mario Sebastião Bonitatibus
marinho
Enviado por marinho em 19/07/2005
Código do texto: T35849
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
marinho
Descalvado - São Paulo - Brasil, 67 anos
146 textos (78702 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 13:04)
marinho