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Texto

A Musa perpétua

  Sinuosa, bela, enigmática, atemporal. Sempre presente, ela se faz necessária na vida dos homens, desde o início tortuoso de sua existência. Persistente, ela se fixa em alguns afortunados que terminam por ceder seus últimos minutos a seus exigentes desejos. Sedutora, ela atrai a todos,  não importando como se porte. De alguma maneira, ela sempre nos instiga.
   Inexplicavelmente, não conseguimos ainda decifrá-la por completo. Apenas podemos senti-la na sua mais profunda fortaleza secreta. Não faz parte da verdade, nem da mentira, ela consegue ser superior a tudo isso, consegue chegar no parâmetro da alma. Ela nos toca de maneira irremediável. Ciumenta que é, em relação a aqueles que nascem desejando-a, ela não os abandona, sempre surpreende, inova, e nos põe ao êxtase.
   Os afortunados que conseguem senti-la, transformam, junto a ela, cada solução em novo enigma. Cada passo dado é uma indagação, uma nova ideia, um novo conceito, uma nova perspectiva. Ela nunca está satisfeita. Sempre há algo a ser pensado, a ser inventado, a ser colhido, a ser sentido. A vida se torna breve, mas ela, ainda assim, consegue se eternizar. Não importa a época, ela não se relaciona com o tempo, se relaciona com o homem, com os sentimentos, com o eterno prazer, com a criação.
   Sendo global e tão distinta, ela sempre nos uniu. Em sua presença, não importando a origem, ela só pede que haja admiração e a reflexão da parte de quem a observa. E, em relação a aqueles que a renegam, ou não desejam tê-la dispersa em suas mãos, apenas me resta a lástima! Afinal, ela não é sedenta por mediocridade, então que afastados fiquem os seres sem uma digna alma.
   Sem preconceitos, ela escolhe seus alvos sem critérios, ela apenas surge no coração de quem está disposto a recebê-la. Estes estão fadados ao eterno prazer de servi-lhe. Creio eu, modéstia à parte, ter sido um dos tais escolhidos. Afinal, não é algum mundano que consegue descrever-lhe de tal forma sem tocar-lhe antes. Ela está presente em mim desde que posso lembrar de quem sou. Os meus dons, apesar de que por muitas vezes silenciados, não conseguiram ser contidos e, a cada dia, se afloram e se encantam com sua maestria. A vontade de expressar seus desejos sempre esteve presente e, timidamente, eu acredito que nunca a decepcionei. Ao menos, esta nunca foi a minha intenção.
   Em cada passo, a cada olhar, eu a sinto. Em minha vida, ela está presente em todos os cenários. Na rua, no quarto, na varanda, no trabalho, em meus sonhos. Sou um digno de pena, habituado com sua pecaminosa existência. Não vejo uma separação entre nós antes do momento do meu eterno descansar.
   De tempos em tempos, ela me assombra com uma intensidade tão forte que até o meu sono é extremamente abalado. Agora, é um desses momentos. Geralmente, é na madrugada, entre ventanias e boas melodias, que ela gosta de conversar comigo, me colocar para satisfazer os seus desejos.
   Foi hoje, numa comum madrugada, que finalmente, depois de muito tempo sendo contemplado com sua magnífica existência, resolvi ter coragem e audácia de tentar prestigiá-la neste texto. Nada que fique realmente aos pés de todo o trabalho que ela teve até então com a humanidade, mas aqui ficarão meus mais  sinceros votos de gratidão por me escolher, me dar o dom e não me deixar mergulhar na obscuridade, na mediocridade de espírito e de criação tão presente hoje.
   No momento, escapam-me mais palavras para parabenizá-la por tornar a realidade um tanto menos triste quanto ela de fato é. Escapam palavras para descrever o quão mágico e fascinante é sentir-lhe, ter-lhe em mim, usufruir de seus dons, interpretá-la por completo e, ainda assim, permanecer na eterna essência de  vida, permanecer na dúvida e na admiração por seus diversos mistérios. Só tenho a lhe agradecer, minha querida musa, minha querida ARTE!
Verena Scarlato P Cersosimo
Enviado por Verena Scarlato P Cersosimo em 08/08/2012
Código do texto: T3819395
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Sobre a autora
Verena Scarlato P Cersosimo
São Paulo/SP - Brasil, 20 anos
6 textos (115 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/06/13 05:32)

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