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O ovo colorido (ovo de botequim)

Ela sempre passava por aqueles bares bem pé de chinelo, os famosos botequins, e via, dentre outras estranhezas, os ovos coloridos. Tinha de todas as cores: azul, verde, vermelho, amarelo e uns que estavam descoloridos devido ao tempo que ficavam ali esperando quem tivesse coragem suficiente para os comprar e saborear. Achava muito engraçado e não fazia ideia de como faziam para tingir os ovos. Só sabia que adorava passar naqueles bares, só para ter a chance de ver essa iguaria que não se encontrava nos supermercados.

O tempo passou e os bares desse tipo começaram a ficar escassos, sendo apenas ncontrados em locais muito estratégicos e era dificil ver aqueles ovos coloridos. E ela já nem lembrava mais deles quando foi convidada para uma festa temática que era, jutamente, sobre botequim. Os convidados deveriam levar as comidas e bebidas típicas vendidas nesses locais e escolheu, óbvio, os tais ovos coloridos. O problema era saber fazer os ovos. Não fazia ideia de como fazê-los mas, iria aprender e desvendar aquele mistério, que fez parte de sua infância.

Pesquisou na internet e não encontrou nada. Perguntou para as pessoas mais velhas, mas ninguém era "frequentador" de botequim, então, não sabiam. Como o dia da festa estava chegando e o tempo para fazer os ovos se esgotando, resolveu realizar uma pesquisa de campo, indo até o botequim mais ordinário do subúrbio da central, local de renome dos botequins e que servia o melhor ovo colorido - e descolorido - da cidade! Esperava ela, pelo menos, aprender a deixar os ovos daquelas cores.

Rumou até lá e, chegando, já foi direto ao balcão, conversar com um senhorzinho, dono do estabelecimento. Começou a elogiar o local e fazer vários rodeios, sendo logo interrompida pelo dono do bar que quis saber o motivo de ela estar ali, que não era para elogiar o seu pé sujo. Ela, então, disse que gostaria de saber como se faziam os ovos coloridos e ele disse que só contaria se ela comprasse e comesse um inteiro.

Sem entender aquela condição, resolveu aceitar e comprou um ovo colorido azul e rezou mentalmente para não ter uma intoxicação alimentar após ingeri-lo. Com muita coragem e uma certa cara de nojo, deu a primeira dentada no ovo azul e surpreendeu-se: era delicioso! Começou a comê-lo e rapidamente já havia terminado, achando aquele sabor maravilhoso! Enquanto saboreava o ovo colorido, o senhorzinho dava um riso de deboche e a via comendo com entusiasmo. No fim, ele perguntou se ela havia gostado do ovo de botequim e ela disse um sim muito sincero.

E foi ai que veio a surpresa: o senhorzinho disse que para fazer ovos coloridos bastava adicionar anilina na água que iria cozinhá-los, deixando-os por algumas horas naquela água que os ovos conseguiriam aquela cor. Só isso! Ela não acreditou, pois a cor, tudo bem, fazia sentido a anilina, mas, e o sabor? Era tão delicioso... sobre o sabor, ele disse, rindo, que não havia mistério: bastava, apenas, deixá-lo "curtir" na água que havia sido utilizada para fazer fígado, tripas e todo o resto daquele "engodo acebolado", outra iguaria vendida aos baldes no botequim e sucesso total da galera!

Imediatamente ela sentiu todo o ovo voltando do estômago e, com quase 100% de certeza, deve ter ficado verde com a reviravolta estomacal, ainda mais pelo fato de ela só comer, e pouco, peixe. Agradeceu ao senhorzinho e saiu correndo, para não fazer vexame ali, na frente de todos, pois já sentia que "colocaria os bofes para fora".

E a festa de botequim? Ora, teve a festa e ela fez os ovos coloridos, mas sem o sabor "mágico e delicioso" do ovo que havia comido naquele botequim do subúrbio...
Érika L J
Enviado por Érika L J em 26/01/2013
Reeditado em 26/01/2013
Código do texto: T4106033
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Érika L J
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Érika L J



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