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a denúncia

O poeta não é um fingidor, é um homem de disfarces!! Eu sou agente secreto, por isso (e)s(t)ou português... era. O que me vai permitir contar este conto, com uma história que ainda não aconteceu, mas esperem e verão.
Houve um desentendimento ali no rio Minho, os peixes desapareceram, não apareceram mortos, uns culparam os outros, a água começou a faltar no rio, os de cá zangaram-se, os de lá ripostaram, às duas por três começaram os tiros, às três por quatro instalou-se o estado de sítio e acabou por ser declarada a guerra. Contra os espanhóis, contra os portugueses, temos galegos e minhotos num pé de vento...
Vêm os espanhóis em força, montando os seus carros de guerra. Os portugueses, por terra, mar e ar, resolvem empregar a sua arma mais terrível, o míssil XRR pum-pum!! Dada a ordem, vem logo a contra-ordem, só usar o pum-pum!!, depois dos espanhóis, além de terem invadido o país, usarem os tanques em grande escala.
A visibilidade internacional anima os estados maiores e o XRR, pum-pum!!, acaba por ser usado. Está o caldo entornado... Generaliza-se o estado de sítio, o recolher obrigatório, a mobilização nacional e a Virgem de Fátima! Mas, ainda ninguém me topou..., eu sou espanhol (daí o meu vicio nas bandarilhas, que os portugueses são bons é a tourear a cavalo, têm medo de andar junto do bicho, disfarçam... com aquela coisa das "pegas de caras e de cernelha"; tenho de reconhecer, são bons a disfarçar...)!!
Quanto ao conto, uma vez denunciado, tive de fugir para Espanha e, para mim, a história acabou!! Na verdade, a coisa não foi bem assim, antes disso, estava eu a ver o Minho, um minhoto deu-me cabo do canastro, caí no rio que estava vazio e afoguei-me na areia sem conseguir ver o céu. Foi um final triste, até ouvir um XRR, senti calor, vi tudo às cores, senti-me o homem mais importante do mundo, aí sim, a história acabou!!
No meu enterro, não tinham nada para enterrar, puseram a bandeira espanhola sobre a urna e fui a enterrar como um herói. A minha mãe foi entrevistada e disse que eu sempre tinha sonhado ser "diestro", chorou frente às câmaras, a notícia acabou assim. Um cão mijou na perna do operador de câmara, isto foi filmado por um popular, passou nos Apanhados... A urna, com a bandeira espanhola, essa desapareceu, eu, nem se fala!!
Foi assim a minha guerra, foi-se a minha vida. Mas, se querem saber?, gostei de ser agente secreto, até me apaixonei por uma portuguesa. Dito isto, escusado será dizer, custou-me morrer. Ainda estou para saber como é que os portugueses conseguiram desenvolver a tecnologia do XRR, vulgo XRR pum-pum!! A minha missão ficou incompleta, pronto, que fazer?, foi o conto.
Nunca gostei de deixar as coisas incompletas, sinto-me alma penada. Também não percebo os portugueses, onde terão ido buscar as minhas bandarilhas para baptizar o míssil? Acho que isso vai-me exorcizar, deixo de ser espectro. Estou preparado para a reencarnação, não percebo nada de reencarnações, será que a imaginação dos mortos é tão boa como a dos vivos?
Finalmente, vou conseguir acabar: a morte é a estupidez completa! É o meu comunicado final, morri. Mas tenho pena... e, coisa estranha, que nome tive??
MD
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 04/09/2005
Reeditado em 15/04/2006
Código do texto: T47490
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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