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A Triste Partida

 

Sempre dizem que toda historia de amor deve ter um final feliz e, portanto, esta historia deveria ter o mesmo rumo de tantas outras, contudo, não quero enganar meus leitores dando lhes um final fantástico, já que esta historia baseada em fatos reais, teve seu fim como será descrito aqui.

No final daquele ano, estava muito contente, pois estaria terminando o colegial, e estudaria na faculdade federal de Pernambuco, muito contente, pois é o sonho de muitos jovens, sair de casa, enfrentar a vida por um ângulo diferente.

Minha cabeça andava a mil, com muitos planos e sonhos, um mundo fascinante a minha espera e completamente misterioso diante do meu pouco conhecimento a respeito do que me esperava lá fora.

Depois daquela noite em que tinha ocorrido meu primeiro beijo, estava decidido a esquecer Sofia, e parti deixando para traz todas as minhas fantasias em que ela estava presente. As palavras dela tinham me magoado, e quando palavras de pouco afeto são ditas, sempre magoa, principalmente jovens que sempre viveram a espera da mulher, do amor prometido. E Sofia naquela noite ao dizer que não gostava de mim, tinha me magoado profundamente, apesar de pensar em seu rosto constantemente.

Como seu pai morava na cidade vizinha, quase não os víamos, o Sr Afonso, tinha uma pequena propriedade próxima, e só vinha fazer os comandos aos capatazes, e sua família raramente apareciam. Um dia, estava eu, a brincar com meus irmãos de dama no alpendre de nossa casa, quando escutamos uma carruagem parar e de lá descendo o Sr Afonso, e meu pai ao encontro dele, deu para notar que em cima da carruagem sua esposa e Sofia, que para minha surpresa olhava curiosamente na minha direção. Seu olhar nada tímido nem fingido, fez palpitar freneticamente meu coração, e corar quando deu um leve sorriso.

Infelizmente não demoraram, e logo sumiram na estrada que me pareceu naquele momento muito sinuosa. Fiquei logo sabendo que o Sr Afonso fazia uma rápida visita a sua fazenda com intuito de uma rigorosa recomendação a seus caseiros, pois estava de partida para a capital, onde passaria uns três a quatro meses, curtindo as festas de final de ano, e o termino dos estudos de Sofia, pois a mesma tinha estudo num colégio feminino e domestico, estava concluído seu estudo e, portanto, estavam de partida para a casa de parentes.

Uma tristeza caiu em minha face, o que foi perceptível a minha mãe que logo veio me perguntar sobre o que acontecia, ‘nada’, foi apenas o que respondi, e me recolhe ao meu quarto.

No final da tarde, veio até nossa casa, um cavaleiro, que se apresentou como sendo da casa do Sr Afonso, deixando um envelope com meu pai, depois se foi. Ao entrar na sala meu pai olha pra mim e fala: Vejo que teremos casamento logo, Filipe. É uma carta de Afonso, em que diz que sua filha está disposta a casar com você.

Sim, escutei bem, era a confirmação, mas não tinha entendido o motivo de não terem falado logo mais cedo quando passaram lá, mas meu pai explicou dizendo que pela manhã já tinham tocado no assunto, apenas queria confirmar com a filha que andava muito silenciosa sobre tal proposta. Mas eu sabia que aquela visita tinha revelado outra face de Sofia, de que ela realmente era linda ao sorrir.

Posso afirmar que foi uma noite longa, pois não grudei um olho, e meus planos de faculdade sumiram todos, e apenas a festa de casamento ornamentava minha imaginação.

No outro dia eles passaram para se despedirem, e desta vez Sofia desceu da carruagem e veio me cumprimentar, com um leve sorriso me deu a mão, a qual depositei um leve beijo, o qual me retribui com um doce sorriso.

Antes de partirem, Sofia disse próximo ao meu ouvido: E então Filipe, você vai me esperar?  Sorri, e confirmei com um sim discreto e ao mesmo tempo carregado de emoção.

Dias felizes passei naquele final de ano, mas ainda com planos de cursar em Recife, durante quatro anos, o que neste período veria muito pouco minha prometida, e assim, cada dia que se passava eu ficava mais envolvido nos preparativos da minha partida, deixando de lado a idéia de casamento, mas mantendo no coração a idéia de teria minha esposa ao voltar com o diploma de doutor.

No final de Janeiro de 1938, recebi uma carta de Sofia, na qual falava que estaria ao meu lado na hora de minha partida. Uma felicidade imensa brilhou em minha face.

No dia dez de Fevereiro, recebemos um telegrama do Sr Afonso, que fez meu pai dirigir-me um triste olhar, o que gelou minhas mãos e um mau pressentimento veio a me atormentar, pois telegrama naquela época, era sinal de que alguém tinha morrido, e naquele instante, aquele olhar já tinha me contado do que se tratava.

Meu peito apertado e dolorido abafou toda minha voz e me segou completamente. Apenas no dia seguinte é que minha mãe veio dizer-me como tudo tinha acontecido. Sofia e duas primas tinham sido vitimas de um acidente com um auto, no cruzamento de uma avenida, e as três não sobreviveram.

Assim, passei o mês de Fevereiro desanimado com tudo, e sem querer mais nada.

No dia quatro de Março, foi minha partida, ao entrar no auto, ainda olhei em busca de ver aquele sorriso doce e encantador de Sofia, que não poderia está mais ali para se despedir como prometera, e assim parti, com o olhar distante, talvez eu pudesse ver seu rosto no azul daquele céu inalcançável.

Fim.

 

 

 

Dedico este conto, a uma jovem que partiu cedo, e que foi minha paixão de infância, Juliana.

 

Dedico ainda a minha mãe que sempre foi amável e sonhadora, com o futuro de seus filhos. A minha mãe Graça. Um grande abraço.

         

 

 

 

Evandro Sal                     26 de Junho de 2007

Evandro Sal
Enviado por Evandro Sal em 26/06/2007
Código do texto: T542360

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Sobre o autor
Evandro Sal
Marcelino Vieira - Rio Grande do Norte - Brasil, 35 anos
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