Eu e o leão da Babilônia, meu antigo camarada nas terras de Jesus.


DÍLSON e EU 12.


Recapitulando.
 
     Mas meu plano deu certo, só escutei os ossos quebrando na boca do leão, aí ajudei o restante do esqueleto pular a janela e fiquei olhando o banquete da fera. Confesso que tive um pouco de dó, mas acho que dei um descanso àquela alma penada, ou sei lá, de repente em vez do belelélu ele foi para o reino um pouco mais quente, vai saber?
 
Segue.

     Neste instante o galo cantou e eu mal agradecido pensei: - Veio tarde né senhor galo? Agora que já está tudo dominado não precisava mais. Ouvi o papagaio e dona espada educadamente me desejar boa noite e olhei para o salão. Todo mundo no seu lugar, tudo quieto, até o veadinho estava no seu pedestal, quando olhei ainda vi o sacana piscar de novo aqueles olhinhos verdes e apagou o brilho dos olhos. Pensei... Cabeça suja esta minha, tadinho, só queria ser gentil.

     Olhei a hora, três e meia. Pensei... Vou tomar uma ducha rápida e me deitar vestido e pronto para viajar, meu amigo poeta Conde Dílson disse que me chamará às cinco horas, melhor estar preparado e assim fiz. Deitei-me e até dormi um pouco, dormi até escutar as duas batidas na porta e ouvir a voz inconfundível do poeta: - ô Trovador, vamos pescar caboclo, o dia já vai clarear. Levantei-me de um salto e presto abri a porta, ele entrou e me deu bom dia, respondi e pedi para ele aguardar até eu escovar as canjicas.*

* “Nossa poetisa e amiga Jeane quando ler vai criticar, ela foi dentista à vida toda... Vai dizer: - escovou mal os dentes né?”

      Minutos depois estávamos já saindo pela porta e o leão estava no pé da escada. Não pude deixar de comentar o que aconteceu a noite para o poeta que estranhou e rebateu: - O simba é supermanso Trovador, Chamou, vem simba e estendeu a mão em direção à fera, o bicharoco de quase três metros de comprimento veio e lambeu sua mão como se fosse um gatinho e ele me chamou para também alisar a cabeça da fera.

     Fiquei todo sem rosca e declinei do convite dizendo: - melhor não mestre , ele me estranhou e me atacou, vai que ele aproveita que estou perto e resolve papar minha mão? Mestre Dílson falou a guisa de chacota: - mineiro é complicado, ter medo de um bichinho tão manso... Eu disse por minha vez: - mestre suba aqui que eu vou lhe mostrar uma coisinha, ele a contra gosto subiu, mas antes dispensou o simba: - vá para o canil simba, repetiu acentuando mais a voz, canil, simba.

     O bicho se foi naquele porte de rei da selva e eu curioso perguntei: - mestre, canil, não deveria ser lanil ou leonil? Ele respondeu está certo Trovador, mas ele veio pequenino para cá e para nós apesar de grande é como um cãozinho. Não respondi e caminhei em direção à janela seguido por ele.

      Mostrei-lhe as marcas das unhas do leão na soleira da janela e ele meio que desapontado disse: - Tem razão, acho que ele está pegando a mesma mania do dinós... Perguntei: - dinós, o que é isto? Ele respondeu: - era o outro leão, ele se chamava dinossauro e nós usamos o diminutivo para ficar mais fácil dele decorar: - Sei, mas que mania ele tinha?

     Melhor contar amanhã.
Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 14/03/2017
Reeditado em 14/03/2017
Código do texto: T5940568
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