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Vida na roça.

Vida na roça


Em uma noite de lua clara, estava eu sem sono e resolvi dar uma olhada na plantação de milho. Levantei lentamente para não despertar os demais moradores do sítio e caminhei para o lado do terreno onde ficava a roça de milho. Ao longe avistei uma claridade. Ao me aproximar percebi que havia alguém ali acendendo um fogo e preparando-se para fazer um café fresco. Aproximei-me e perguntei aquela família se ela estava perdida.

Logo um senhor de meia idade, que julgo ser o pai da família disse-me que eles estavam perdidos nos caminho e como o sereno da madrugada estava frio eles resolveram se aquecer com um café. O pai aproximou-se dos filhos e os beijou, como se acreditasse que aquele beijo pudesse aquecer o frio dos garotos. Passo a passo o dia foi amanhecendo e o sol começou a brilhar no horizonte. Vendo a necessidade daquela família aproveitei para oferecer um trabalho ao genitor da mesma.
 convidando-o para me ajudar na lida da fazenda e na colheita do milho.
Seus olhos brilharam de alegria e rapidamente ele pegou a enxada e começou a limpar o capim do roçado e o suor escorria em nossos rostos ainda impregnados do sereno da madrugada. Enquanto trabalhávamos seu cônjuge e seus filhos ficaram em minha casa com minha esposa, que os acolheu e os acomodou muito bem. Após algum tempo de trabalho e já vencidos pela sede, sentamos à sombra de uma árvore e tomamos uma água fresca do riacho. Saciamos nossa sede voltamos para a lida do roçado e continuamos o trabalho até sermos surpreendidos pelos gritos de minha esposa, avisando-nos que a comida estava servida.

Como estávamos com muita fome, almoçamos e aproveitamos para tirar um cochilo. Em seguida, pegamos novamente nossa ferramenta e continuamos o trabalho até que o sol veio a pino. Com o final do dia e a tarefa cumprida nos reunimos mais uma vez com nossos familiares e comemoramos o dia farto que tivemos, tanto no trabalho como na mesa.

Infelizmente, meu hóspede, que agora já se tornara um amigo, avisou-me que tinha que seguir seu destino. Não foi por falta de insistência que ele não ficou conosco, pois o convidei várias vezes, mas ele alegou que deveria seguir seu destino e continuar sua viagem, pois eles não conseguiam se fixar em um único local e tinha sempre que andar para apreciar a beleza do mundo que se ecoava nas diferentes partes do planeta.

Então ele e sua família resolveram tomar um banho, cearam novamente e partiram tendo a lua como companhia.

Nos despedimos e ele informou-me que sua vida era assim mesmo:

sonho por sonho, caminho por caminho, destinos diversos e a constante procuram por uma nova missão.

Entendi, portanto que sua missão era a de viver em busca de pessoas que tivessem um coração generoso e aquecer-lhes o coração, pois aquele que é generoso tem sempre o coração aquecido pela felicidade da partilha.
(Ibelgman Gomes Barbosa de Almeida)
oasis
Enviado por oasis em 22/08/2007
Reeditado em 08/11/2009
Código do texto: T619267

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Sobre a autora
oasis
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil
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