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"Morena, Linda, Sensual, de Olhos Verdes" = Romance = Capítulo 46

Ao ouvir os estertores iniciais do delegado, Eliane começara a tentar livrar-se do corpo pesado e maciço de Antonio Carlos, mas mesmo assim ficou presa da cintura para baixo, e foi com muita dificuldade que conseguiu livrar-se, suando e arfando doidamente.
- Deus do céu, Toninho...Você era tão leve, tão ágil quando vivo...Parece que virou chumbo depois de morto, querido...
Conseguindo sair da cama, a primeira providência de Eliane foi saquear o cofre até deixá-lo inteiramente limpo, sem qualquer vestígio de dinheiro, ações, jóias ou qualquer outro valor. A segunda foi providenciar uma ambulância, pedida com voz de desespero total e de extrema urgência. Uma voz de mulher sofrida e assustada ao extremo.
- Meu Deus! Eu sou mesmo uma artista de primeira grandeza...Interpreto maravilhosamente quando quero, modéstia à parte.

Ao médico que chegou na ambulância e constatou a morte de Antônio Carlos, Eliane explicou que em seguida estaria no hospital. Naquele momento de agonia teria que procurar os documentos pessoais do delegado para que pudesse cuidar do velório e do enterro caso não localizasse logo os filhos dele. Após a retirada do corpo, pôde, então, cuidar de transportar o produto de seu saque para seu carro, correr até sua casa, descarregar ali os vários pacotes de valores e depois correr para o hospital.

O velório do delegado foi bastante concorrido. Centenas de amigos, parentes e colegas de trabalho enchiam o ambiente em torno do caixão e Eliane esperava ver ali os dois filhos de Antônio Carlos e sua ex-esposa. Só após o enterro realizado ela teve plena consciência da indiferença deles com relação ao morto. Nem os filhos nem a ex-esposa compareceram.
Eliane comentou sobre isso com um dos amigos mais próximos de Antônio Carlos e o homem riu com amargura:
- Moça, logo, muito em breve, um dos filhos dele irá procurá-la com urgência. Eles sabem que ele guardava muito dinheiro em casa e irão atrás dele correndo.
Você sabe disso, não sabe? Quanto ao dinheiro, digo
- O que eu sei, Max, é que ele queria que rodássemos o mundo todo, passeando e curtindo a vida, mas a primeira providência que tomou foi enviar tudo que tinha para algum lugar secreto. Um lugar que contaria só a mim, mas, infelizmente, morreu enquanto conversávamos na cama.
- Minha nossa! Não deixou nada pra você?
- Nem eu quereria, meu caro. Graças a Deus estou independente, com o futuro garantido, e estava com ele por amor. Só por amor. Jamais em toda minha vida olhei para um homem com interesse que não fosse o amor, a companhia, o carinho. Sou muito eu mesma para depender de terceiros, meu querido.

No dia seguinte ao enterro Eliane mudou-se temporariamente para São Paulo. Queria ficar perto de Romero e poder cuidar dele em tempo integral. Agora não precisaria trabalhar por muitíssimo tempo e poderia gastar, sem pensar muito, o que fosse necessário para a total recuperação do amado amigo.
- Meu amor, amor de minha vida, meu Romerinho querido, agora eu vim pra te paparicar. A primeira coisa a fazer é encomendar o que existir de mais moderno em fisioterapia, depois construir ao lado de sua casa uma sala especialmente projetada para sua recuperação. Vou contratar também um fisioterapeuta em tempo integral para cuidar do meu amor e...
- A senhorita por acaso me consultou antes? Sabe lá se eu quero aceitar tudo isso assim, de mão beijada?
- Cale-se e escute-me. Quando uma inteligente fala um burro abaixa as orelhas.
Você continua aí, deitadão, inerte, parecendo um carro que deu perda total. Eu quero aproveitar seu estado pra te comprar baratinho, reformar toda a lataria e depois usar à vontade. E você não tem que dar palpites. Já negociei com seus pais.
- Já me negociou com meus pais, malandra? Aproveitou que estou quebrado pra me comprar barato...Muito bonito isso...Feche a porta, tire a roupa toda e venha conversar aqui, sentadinha em cima de mim. Aproveite o que está funcionando bem agora.
- Jura???
- Juro. Juro que está duro. Que voltou ao normal e estava só à sua espera para voltar à ativa.
- Não acredito...Meu Deus, é bom demais isso!! Que saudades que eu estava sentido dele...
- Aposto que era a parte do “perda total” que mais te interessava.
- Não posso negar, mas seu coração também me interessa. E muito.
- Esse não está à venda. Descobri, há algum tempo já, que ele já tem dona.
- E posso saber quem é a vagabunda?
- Você.
- Ah, bom..Então está com uma boa proprietária. Vagabunda sim, mas de bom coração.
- Bom coração, boa bunda, boa...
- Chega. Pare de falar e mostre o que me interessa.
- Então feche a porta direito. Não quero ser pego em flagrante logo na primeira trepada depois de “um longo e rigoroso inverno”.
Durante algumas horas Eliane e Romero não foram incomodados por ninguém da família. Tiveram privacidade total e puderam conversar muito a respeito do futuro de ambos.
Eliane abriu-se como nunca o fizera antes em sua vida, contando a Romero sobre suas ambições, seus planos de vida, as realizações que queria para muito breve, e ele a escutava sorrindo, às vezes ironicamente.
- O que é esse risinho safado, amor? Não acredita em tudo que farei ainda na vida?
- Acredito em tudo e mais um pouco, minha querida. Mas fico pensando se sobrará tempo para mim nessa vida agitada, maluca, que você quer levar.
- Isso é o mais importante, meu querido. Minha primeira meta é curá-lo. Deixá-lo de novo forte, inteiro, saudável e sem seqüelas. Agora eu tenho dinheiro aos montes para isso, e nada neste mundo faz mais e maiores milagres que o dinheiro. Vou contratar, de imediato, quantos fisioterapeutas forem necessários para cuidar de você. Vou montar uma verdadeira academia em sua casa, com o que há de mais moderno no mundo médico e, além de tudo, quero contratar enfermeiros para se revezarem nos cuidados ao meu amor...
- Enfermeiros? Homens? Tás brincando...Nesse corpinho lindo que Deus me deu homem nenhum põe a mão.
- E mulher, só eu. Nenhuma mais. Então fica combinado: você fica sem enfermeiros, sem fisioterapeutas, sem aparelhos para recuperação.
- Que maldade...Oquei, meu amor, você venceu. Mas tem uma coisa: quando voltar à ativa quero retribuir. Quero te devolver tudo que investir em mim.
- Mas é claro que vai restituir, seu pilantra. Sem sombra de dúvida. O primeiro passo é casando-se comigo...
- Pode parar por aí. O preço tá alto demais. Pensei, quando muito, numas trepadinhas avulsas...
Eliane, fingindo surpresa com a brincadeira, abaixou a cabeça e enfiou vagarosamente uma das mãos por baixo da coberta e segurou o pênis de Romero. Depois de bem seguro, apertou-o com força:
- Agora fala, desgramado, fala que só quer umas trepadinhas avulsas.
Ele riu e ela apertou mais.
- Fala, se é homem...
Quando o arrocho foi mais forte ele ria e gemia ao mesmo tempo, implorando a ela que o soltasse e jurando casar-me o quanto antes.
- Safada, sem vergonha, vagabunda, que homem resistiria a um argumento desses? Você sabe que estou doido pra sair dessa cama, casar contigo, passar a lua de mel no deserto do Saara e...
- No deserto do Saara? Porquê?
- Se você crua já é essa delícia, imagino assada nas areias do Saara...
As brincadeiras, as palhaçadas, entremeadas de planos e de assuntos sérios, estenderam-se até alta noite e Eliane, pela primeira vez, dormiu abraçada a Romero até o dia seguinte.
= Continua amanhã ( Se Deus quiser...)



Fernando Brandi
Enviado por Fernando Brandi em 24/08/2007
Reeditado em 24/08/2007
Código do texto: T622037

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Sobre o autor
Fernando Brandi
São Paulo - São Paulo - Brasil, 70 anos
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