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ISRAEL


                     Após rigorosa vistoria no aeroporto, em Lisboa, embarcamos rumo à terra de dois povos, onde as lutas pela posse do solo, causaram e causam mortes em profusão: Israel. Éramos um grupo de dezesseis pessoas, que nos tornamos companheiras de viagem. Fazíamos parte de uma peregrinação que partira do Brasil, mais precisamente do Distrito Federal, para visitarmos três lugares de religiosidade intensa: Portugal (Fátima), Itália (Roma) e Israel.
                       
                    Durante as várias horas de vôo para a Terra Santa, a imensa ansiedade não permitia que dormíssemos. As gentis aeromoças judias atendiam a todos com delicadeza e expressavam sempre o desejo de paz, com a palavra em seu idioma: Shalon. Conversavam em inglês, mas, dos componentes do nosso  grupo a maioria era formada por pessoas simples que não compreendiam essa língua. Somente   o guia e eu trocávamos algumas palavras com as jovens comissárias.

                   Ao chegarmos ao Aeroporto Ben Gurion, em Tel-Aviv, uma linda música judia, que já fora sucesso em nosso país, nos avisava que estávamos aterrissando. A emoção fez os olhos umidecerem. Então nos apossamos das respectivas bagagens e  fomos ao encontro do guia local, um judeu que já morara no Rio de Janeiro e falava perfeitamente a nossa língua. Ele nos conduziu ao hotel, cujo nome era o mesmo do aeroporto, e lá fizemos uma uma refeição, indo a seguir para os  dormitórios, onde passamos essa primeira noite.

                   No dia seguinte, após lauta refeição matinal, embarcamos num ônibus que nos conduziria durante os sete dias em que lá permanecemos. Os outros seis dias nos hospedamos em outro hotel (Kibutz), mais central, que nos favorecia as idas e vindas diárias, aos diversos locais da Terra de Nosso Senhor.Eram subidas e descidas que calçam as ruas de Israel. Após a refeição da manhã, andávamos de ônibus e a pé, conhecendo os lugares por onde o Rei do Universo caminhou.

                   Todos os locais provocam emoções, comovem e são repletos de pessoas dos mais diversos lugares do universo, utilizando diferentes linguagens,porém todos em busca de algo espiritual, divino ou talvez da resposta por estarem ali no oriente, tão distante de seus lugares de origem. Em cada templo, em cada local santo, novas emoções se apoderavam de nós, de nossos corações: a curiosidade nos atiçava e nos  encorajava a prosseguir, a fim de conhecer a terra onde nascera o Rei do Universo.

                   Estivemos no Mar da Galiléia, no Mar Morto, no Deserto de Negev, em Jericó, em Samaria, na Via Dolorosa, na Sinagoga de Nazaré, em Belém (cidade-natal do Menino Deus), em todos os templos que marcam cada passagem da vida de nosso Criador. Visitamos também a mesquita de El-Aqsa, cujo telhado é todo em ouro e internamente é toda forrada com tapetes persas; lá somente é permitida a entrada, a quem estiver com a cabeça coberta e os pés descalços. Nunca, nada nos fará esquecer essa peregrinação
a esse lugar tão diferente, tão simples, cujas construções são feitas com pedras, e no chão a areia branca junto às pedras.

                  É  um lugar que conservou o máximo possível de suas origens, da época em que Cristo por lá caminhou. Nada nem ninguém, nenhuma outra viagem, nos despertará tantos sentimentos diferentes, como uma visita a esse lugar excêntrico, magnífico, onde o Reidos Judeus foi crucificado, após uma vida de exemplos e ensinamentos.

                  Os contrastes saltavam aos olhos. Ao lado dos peregrinos que percorriam o caminho do Calvário, feito por Jesus carregando a cruz, há mais de dois mil anos, palestinos ladrões extorquiam dinheiro desses visitantes que lá estavam para receber ensinamento religioso mais profundo. É um paradoxo: o espírito e a matéria, o bem e o mal lado a lado. Assim também é a convivência entre os habitantes desse Estado: inimigos co-habitando por ganância, pela posse da terra que era outrora habitada por judeus, Terra de Nosso Senhor Jesus Cristo, um judeu! Nosso guia local, judeu, e nosso guia brasileiro, descendente de árabes, era outra contradição.

                  Em cada quarto do hotel, havia uma câmera, por causa dos constantes ataques terroristas que lá ocorrem. Nunca esqueceremos das andanças entre as oliveiras, com azeitonas resvalando sobre  nossas cabeças. Fomos ao local onde os antigos assistiam às lutas. São ruínas, mas subimos nas arquibancadas feitas em pedras, nos assentamos e tiramos belas fotos.

                 Estivemos no Rio Jordão, onde São João batizou Jesus. Nesse local, banhamos pés e pernas e quem sentia dores pelas muitas caminhadas, passou a não mais sentí-las. No Mar da Galiléia navegamos num barco enorme e moderno, mas de formato semelhante às embarcações antigas. Essa viagem feita por acaso, por nós, deixou marcas irremovíveis nas mentes, nas almas. Nas ruas, nos elevadores, cruzávamos com pessoas de culturas diferentes, falando francês, espanhol, inglês, holandês, etc..

                Nos cumprimentávamos com gestos ou simplesmente "Bonjour", "Buenos Dias", "Good Morning".Fomos a um convento aonde uma freira brasileira, cearense, nos recebeu com abraços amigàveis, e o que é mais importante, falando o nosso idioma. Passaram-se  sete  anos e meio e so- mente agora estamos narrando essa experiência singular, que ficará em nossa memória dando-nos inspiração para contos e poemas que poderão ser inumeráveis, motivados pelas constantes lembranças.
     

             
marlene andrade reis
Enviado por marlene andrade reis em 25/10/2005
Código do texto: T63405
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Sobre a autora
marlene andrade reis
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil
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marlene andrade reis